25 novembro 2009

atirador O franco atirador

O colega blogueiro Andre Forastieri me desejou boas vindas. Quer dizer, eu acho que ele quis dizer algo parecido. Do jeito dele.

Também desconfio que ele deu umas espetadinhas aqui e acolá. Mas como o Forasta é um gentleman, trata todo mundo com respeito, fiquei sem entender. O cara gostou de “Crepúsculo”, por que iria implicar logo comigo?

Em retribuição, posso dizer que ele é cobra criada. Tenham certeza de que isso é um elogio.

Bom. Se tenho algo a responder, posso garantir que, no meu entendimento, provocar não é ser mal-educado. Nem sair por aí promovendo hecatombes só para ver o horror no rosto das pessoas.

Não. Provocar é uma arte retórica a serviço de ninguém, a não ser da alegria de ser contra o senso comum. Porque a maioria sempre acaba escolhendo o mais insosso, o que não é polêmico, o que dói menos.

Basta ver quem são os eleitos do público nos BBBs e no A Fazenda. O que dizer, então, da horda da Unitaleban, da audiência do Pânico, da torcida do Corinthians?

Os covardes nunca andam sós. E a unanimidade é burra, ensinou o maior de nossos tarados, Nelson Rodrigues.

Ainda mais nesse cantinho do mundo chamado Brasil, em que ninguém se mete na briga dos outros.

Eu gosto de me meter. Faço questão de brigar com pais que batem nos filhos em público, com seguranças de valets que não deixam os outros estacionar na rua, com meu vizinho homofóbico.

Muitas vezes, somos mais polêmicos (e corajosos?) quando defendemos alguém do que quando atacamos.

Meus duelos particulares eu resolvo sozinho, pá-pum, ninguém nem fica sabendo.

Admiro o Paulo Francis, pelo ódio que ele me causava. Ele faz falta, pobre Brasil.

Mas não sou metralhadora giratória. Sou franco atirador.

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25 novembro 2009

estudantes Não há lugar para amadores no jornalismo

Faculdades de Jornalismo jogam mais de 7 mil jovens no mercado todo ano. E costumam ser vistas como inúteis ou desnecessárias.

Há uma boa dose de razão nesse preconceito, alimentado pelas fábricas de diplomas que infestam este país. No coro dos que descem a lenha, muitos empresários de comunicação gostam de dizer que é possível formar um jornalista, dentro de uma redação, em três, quatro meses.

Esses patrões devem saber do que estão falando – mesmo porque pra fazer a porcaria que  muitos deles entregam não é preciso estudar muito: basta uma pitada de puxa-saquismo do poder e um sentimento de superioridade típicos dos que se julgam acima da sociedade que deveriam representar.

O jornalismo brasileiro evoluiu. Não há mais espaço para amadorismo ou truculências (à exceção do Diogo Mainardi e o Reinaldo Azevedo, argh).

Formar opinião é hoje uma atividade profissional e a manutenção do poder demanda requintes de inteligência. Não há mais lugar para amadores.

Difícil é ver nas primeiras páginas, nas capas de revista, nos telejornais da noite, nos programas de rádio, na internet, o verdadeiro rosto da multidão. “A dor da gente não sai no jornal”, ensina o samba popular.

Inquietação, comprometimento, sensibilidade, coragem, capacidade de se indignar, isso ninguém aprende em três, quatro meses. É obra de uma vida inteira.

E os meninos estão apenas começando. Venham!

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