17 dezembro 2009

Os britânicos estão pensando seriamente em acabar de vez com os cheques. Só cartões de crédito e débito e outros meios eletrônicos seriam aceitos partir de 2018.

É cada dia mais raro encontrar quem carregue talão. Encontrar quem aceite, então, é mais difícil ainda. Há quem diga que até o dinheirinho de papel está com seus anos contados. É a tecnologia que não para de avançar, literalmente, sobre nossos bolsos.

Claro que os cartões são práticos. Confortáveis. Levinhos. Mas também têm seus problemas, e não são poucos.  Se você já teve um deles roubado sabe bem disso.

E eles nos dão a falsa impressão de que temos dinheiro a mais do que de fato.  Quem nunca entrou em pânico quando chegou a fatura do maldito?

Mas o maior problema, pelo menos aqui no Brasil, são as operadoras de cartões. Elas praticam um capitalismo selvagem, cartorial, desmedido. E o governo não faz nada para acabar com a farra.

O consumidor paga anuidades cada vez mais caras. E ai dele se fizer a bobagem de rolar dívida. Morre nas taxas de juros mais cruéis do planeta.  Entrar no rotativo é o mesmo que decretar falência.

E os comerciantes? Não conseguem sobreviver se não aceitarem pagamentos com cartão. Em algumas áreas, o dinheiro de plástico representa 80% do faturamento. As operadoras se tornam sócias compulsórias. Mais folgadas que cunhado desempregado.

As mordidas vão de 2% a 8% sobre o valor da compra. E ainda cobram aluguel sobre as maquinetas. É muita moleza. Também quero.

As duas maiores bandeiras, Visa e Mastercard, fazem o que bem entendem. Não dão satisfação a ninguém. Controlam mais de 90% do mercado. O setor funciona como um cartel. E, claro, abusam desse poder econômico.

O Henrique Meirelles tem o melhor emprego do mundo. Seu único trabalho é o de, a cada 45 dias, dizer se a taxa Selic sobe, desce ou fica no lugar. Bem que o Banco Central podia tomar vergonha e enfrentar esses prepotentes.

Vamos mandar essa fatura pra Brasília?

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