18 dezembro 2009

O jornal O Estado de S.Paulo e a Agência Estado estão proibidos de divulgar informações sobre uma operação da Polícia Federal que corre em segredo de Justiça. Um dos investigados é filho do senador Sarney, o empresário Fernando.

O moço conseguiu uma liminar e pronto. Começou a choradeira de sempre. Os barões da mídia alegam nessas horas que agem em função do interesse público. E que este e o direito à informação se sobrepõem aos direitos individuais. Sei.

Em meus 22 de jornalismo aprendi algumas coisinhas. Uma delas é que a liberdade de imprensa costuma ser usada por quem deveria estar preso. Não é exatamente o caso, mas a frase continua boa.

Em nome dessa liberdade, muitos crimes são cometidos. Contra a privacidade. Contra a presunção da inocência. Contra o direito ao contraditório. Contra os humildes. E contra pouquíssimos poderosos.

Os Nardoni, por exemplo. Um júri popular decidirá se eles são assassinos. Ou não. Mas a Veja estampou na sua capa, em março de 2008: “Foram Eles”. Com uma foto do famigerado casal.

Isso é liberdade de imprensa? Por uma manchete como essa que a sociedade deve lutar? Este é só um exemplo. Teria centenas.

O filho do Sarney, nesta sexta-feira (18), anunciou que vai desistir da ação que move contra o Grupo Estado. Diz que jamais teve a intenção de “restringir a liberdade de imprensa” e blablablá.

Bonito gesto, Fernandinho. Antes acabar assim. Mas fica a pergunta ao internauta: a imprensa pode divulgar informações que correm em segredo de Justiça? Pense mais um pouquinho. Mesmo que o investigado seja você aí, da telinha?

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