29 janeiro 2010
Estamos exaustos de saber que as câmaras e assembleias legislativas são incansáveis na estúpida arte de homenagear gente desconhecida, desinteressante e desprovida de talento.
Uma pesquisa mostrou que nossos vereadores e deputados criaram 40.663 projetos de lei sem utilidade nos últimos seis anos. Dessas propostas, 36 mil são para fazer homenagens.
Só no Congresso há 82 propostas de datas comemorativas, quase todas cretinas, como o dia nacional do pescador amador, da baiana de acarajé e do sanfoneiro. Em Minas, querem criar o dia dos samurais. Banzai?
Essa praga não vai ter fim enquanto políticos forem inúteis como suas propostas. Vai demorar muito, portanto. Mas eles poderiam ter um mínimo de pudor.
Por que a assembleia de São Paulo se prestou a erguer um circo para entregar diplomas para os apresentadores do Pânico na TV, pelo heroico motivo de eles serem “torcedores símbolo do Corinthians”?
Bem oportunistas, juntaram política, futebol, comediantes, televisão e um rapaz que hoje vive no inferno. Um dos homenageados era o Zina. O mesmo que está na cadeia, por porte ilegal de armas. E que já fora detido como usuário de cocaína.
Nem é o caso de julgar o coitado desse rapaz. Ele foi usado por todos. E logo vai virar pó, sem trocadilhos.
Mas nada pode justificar a iniciativa demagógica, fanfarrona e sem noção de gastar dinheiro público com bobagens constrangedoras. Se comportam como palhaços, isso sim.
Nessa história, poderia ao menos ficar uma lição de casa para os nobres parlamentares. Sempre que se misturam com o que há de pior nesse mundinho das celebridades instantâneas, o risco do grotesco aumenta.
Nossos políticos já têm holofotes de sobra. E sabem fazer suas bizarrices sem precisar da ajuda de ninguém. Haja estômago.
Veja mais:
+ "Gostaria que me escolhessem sucessora", diz Dilma
+ Lula volta para Brasília após exames
+ Conheça todos os blogueiros do R7











A São Paulo Fashion Week proporcionou mais um de seus shows sinistros. Em suas arquibancadas, pessoas que se julgam muito chiques assistiram ao desfile de jovens esqueletos oferecidos em sacrifício no ritual narcisista da moda.





