29 janeiro 2010

Estamos exaustos de saber que as câmaras e assembleias legislativas são incansáveis na estúpida arte de homenagear gente desconhecida, desinteressante e desprovida de talento.

Uma pesquisa mostrou que nossos vereadores e deputados criaram 40.663 projetos de lei sem utilidade nos últimos seis anos. Dessas propostas, 36 mil são para fazer homenagens.

Só no Congresso há 82 propostas de datas comemorativas, quase todas cretinas, como o dia nacional do pescador amador, da baiana de acarajé e do sanfoneiro. Em Minas, querem criar o dia dos samurais. Banzai?

Essa praga não vai ter fim enquanto políticos forem inúteis como suas propostas. Vai demorar muito, portanto. Mas eles poderiam ter um mínimo de pudor.

Por que a assembleia de São Paulo se prestou a erguer um circo para entregar diplomas para os apresentadores do Pânico na TV, pelo heroico motivo de eles serem “torcedores símbolo do Corinthians”?

Bem oportunistas, juntaram política, futebol, comediantes, televisão e um rapaz que hoje vive no inferno. Um dos homenageados era o Zina. O mesmo que está na cadeia, por porte ilegal de armas. E que já fora detido como usuário de cocaína.

Nem é o caso de julgar o coitado desse rapaz. Ele foi usado por todos. E logo vai virar pó, sem trocadilhos.

Mas nada pode justificar a iniciativa demagógica, fanfarrona e sem noção de gastar dinheiro público com bobagens constrangedoras. Se comportam como palhaços, isso sim.

Nessa história, poderia ao menos ficar uma lição de casa para os nobres parlamentares. Sempre que se misturam com o que há de pior nesse mundinho das celebridades instantâneas, o risco do grotesco aumenta.

Nossos políticos já têm holofotes de sobra. E sabem fazer suas bizarrices sem precisar da ajuda de ninguém. Haja estômago.

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27 janeiro 2010

Obama é o cara certo, na hora certa, no país errado. Chegou chegando, ganhou o Nobel da Paz, virou sinônimo de esperança para o Ocidente. O primeiro negro a comandar o Império. Que contra-atacou.

Justiça social, defesa do meio ambiente e o fim das guerras. Fechamento de Guantánamo. Retirada das tropas do Iraque. Acordo em Copenhague. Até agora, tudo conversinha.

Sua eleição teve um alto valor simbólico. Parecia que ia enfrentar a turma de Wall Street. Mas que nada. Fez o mesmo de sempre, e a patota está lá, esbanjando arrogância e dinheiro.

Obama não tem forças para enfrentar a direita sanguinária e o capitalismo selvagem. Talvez até tenha as melhores intenções. Mas está faltando dar murros na mesa. Dizer quem manda e a que veio.

obama1 Obama é o cara. Mas... do que mesmo?

O presidente dos EUA está encurralado. Para aprovar sua reforma no sistema público de saúde, praticamente se humilhou. Teve uma vitoria pífia.

E não vai cumprir nenhuma de suas promessas. Ao contrário. É frouxo. Ele amarelou.

Mais soldados americanos foram enviados ao Afeganistão. Tratou o golpe de estado em Honduras com a mesma petulância de sempre. Reforçou a base militar na Colômbia. Mandou ajuda ao Haiti desde que aparecesse como o grande benfeitor. Um ianque típico.

E a China não está para brincadeira. Provavelmente, vai tomar o lugar dos EUA como maior economia do mundo em 2020. Daqui a pouco. Eles vêm com tudo.

Assistiremos ao declínio do império americano. As invasões bárbaras estão prontas para avançar sobre todas as muralhas. E o Obama lá. O cara. Mas... do que mesmo?

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26 janeiro 2010

2152120900 O mundo da moda está nuA São Paulo Fashion Week proporcionou mais um de seus shows sinistros. Em suas arquibancadas, pessoas que se julgam muito chiques assistiram ao desfile de jovens esqueletos oferecidos em sacrifício no ritual narcisista da moda.

Queria saber quem foi o doente mental que decidiu que esse padrão bizarro tem algo a ver com beleza. São feios demais aqueles gravetos e varetas desfilando. As modelos, outrora glamourosas, foram reduzidas a cabides de esquisitices e parangolés.

A tal indústria da moda, que inclui a mídia especializada, está se lixando se essas meninas correm risco de morte. Assim como acha descolado que muitas se droguem diariamente. E sejam torturadas e exploradas, cruelmente, muitas em plena infância.

Não vale a pena condenar essas garotas bobocas e seus sonhos de fama e riqueza. Ou as mães e pais egoístas que não enxergam suas filhas sendo massacradas nesse circo delirante de vaidade.

Elas lembram prisioneiras de Auschwitz num cortejo fúnebre. É patético chamar isso de mundo fashion. Não passa de um campo de concentração de cretinos.

Essa agonia é patrocinada por gente poderosa. Eles enriquecem estilizando amontoados de ossos. Vendem um ideal estético que só é atingido por pessoas anêmicas,  abúlicas e anoréxicas.

Nas entrevistas, todas as modelos “maravilhosas” lamentam que foram ignoradas no colégio, não tinham namorados, eram ridicularizadas. Claro. Elas são muito sem graça. Fuinhas. Precisam se alimentar direito, ficar saudáveis. Desejáveis.

Essa brutalidade chegou a um nível escabroso. É inaceitável que moribundas sejam expostas como se estivessem no Olimpo. Essa mistificação passou do mau gosto à estupidez.

Cada vez que uma nova semana de moda começar, é obrigação de todos denunciar esse infanticídio, esse massacre, essa epidemia. Internem os estilistas em manicômios. E as modelos, em hospitais. Esse mundinho é feito de distúrbios. E está nu.

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25 janeiro 2010

Em seu aniversário, São Paulo está dando um recado muito claro. Basta. Parem. Assim não dá. Após 456 anos, a metrópole está exausta. Vai sofrer um colapso. Nervoso.

A cidade está debaixo d'água. Encharcada, ilhada, paralisada. Centenas de famílias desabrigadas não têm por que parabenizar essa cidade tão desumana.

E tão acolhedora. Que recebe outras centenas de imigrantes e migrantes diariamente. E lhes dá trabalho e perspectiva. Tão rica, tão grandiosa.

E desigual. Que ostenta palácios e barracos, helicópteros e carroças, o lixo e o luxo. Sob a violência urbana mais cruel. Uma cidade que mata.

E onde floresce a cada momento um país melhor, mais rico. A locomotiva da nação avança, ganha volume, não para de enriquecer. Mas cobra seu preço.

Chega de desmandos. De ser mal administrada, não ter planejamento, ser explorada em cada centímetro. Chega de poluição, enchentes, lixo, congestionamentos, sequestros, incompetência.

São Paulo não suporta mais ser tão maltratada. Por políticos reacionários, cidadãos irresponsáveis, visitantes oportunistas. Chega.

Parem com os arranha-céus, a especulação imobiliária, as novas faixas nas marginais, os rios emparedados, os miseráveis nas ruas. Parem de sufocar a maior cidade do país.

Basta dessa história de que nela convivem os extremos, os opostos, as contradições. São Paulo tem uma vocação, e só uma. Ser uma metrópole do mundo, cosmopolita, universal.

E ser a capital da gastronomia, dos bares com mesas nas calçadas, das casas noturnas, de todas as artes, das universidades, das tribos, da tolerância, dos bairros arborizados, dos parques públicos, do futebol. Da modernidade.

São Paulo já perdeu muito tempo sendo destruída. E se vendo obrigada a reagir com a força da natureza. O recado está dado. Ai de quem não ouvir.

Veja mais:

+ São Paulo comemora 456 anos com várias atrações; veja a programação
+ Os prefeitos que se afoguem
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20 janeiro 2010

enchente Que os prefeitos se afoguem

Foto:Nelson Antoine/Foto Arena/AE

O Orçamento Geral da União deveria criar um item permanente: a verba emergencial para enchentes previsíveis. Ou melhor, a caixinha de Ano-Novo para prefeitos incompetentes e tragédias anunciadas.

Todo janeiro é a mesma história. As chuvas devastadoras que destroem cidades e vidas chegam com a fúria de sempre. Ninguém é pego de surpresa. Elas virão.

É assim há décadas e décadas. Mas o que os prefeitos fazem para impedir que a destruição aconteça? Rigorosamente? Nada. Eles sempre são pegos de surpresa, os caras de pau.

Sem nenhum remorso, decretam estado de emergência. Alegam calamidade pública. E correm ao governo federal exigindo verbas emergenciais, sempre na casa dos milhões.

Para quê? Para que no verão seguinte tudo aconteça novamente. A mesma desgraça. Aquela, que todos sabemos que vai acontecer. São muito cínicos. E cruéis.

Não são só os das grandes capitais. Essa caixinha das enchentes previsíveis literalmente escorre pelo esgoto de cidades do interior de São Paulo, Grande Rio, vales do Paraíba e do Itajaí. São tantas...

Não é mais aceitável que famílias sejam jogadas no lodo a cada estação. Que ruas se transformem em rios, que bombeiros morram salvando vidas, que prefeitos molhem as mãos com as águas que inundam suas cidades.

A mídia poderia encostar esses caras na parede. Antes do próximo verão, perguntar o que foi feito para impedir as enchentes que certamente se aproximam. E cobrar o destino dado aos milhões enviados por Brasília.

Eles vão mentir. Fácil: que sejam desafiados a se mudar, com suas famílias, para as áreas de risco. Quando as chuvas vierem e destruírem tudo que eles têm, a população faz uma vaquinha para ajudá-los. De boa.

E melhor, o governo que mande aquela caixinha anual para a Defesa Civil, a Cruz Vermelha, os Médicos Sem Fronteiras. Esses políticos que se afoguem.

Veja mais:

+ Manifestação contra enchente termina em confronto com a Polícia Militar

+ Diário da Enchente

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18 janeiro 2010

O jornalismo impresso se acha. Principalmente as revistas semanais de informação. Como elas não são açoitadas pela urgência do tempo, fazem pose de que entregam um produto mais bem elaborado.

montagem r72 Espreme que sai sangue

Mau gosto se repete nas capas da Veja e Época - Foto: Reprodução

Sempre que podem (a cada sete dias, portanto), praticam o esporte de dar bordoadas no sensacionalismo da TV. Aquele mesmo que criticamos aqui neste blog.

Mas péra lá! Essa conversinha dos revisteiros é muito mole. Cara de pau. Pois respirem fundo e abram a Veja, a IstoÉ e a Época desta semana. Antes, retirem as crianças da sala.

Duvido que o leitor consiga tomar o café da manhã olhando para a sucessão de horrores que desfilam por aquelas páginas.

O Haiti tem nos obrigado a ver cenas devastadoras. Muitas delas vão permanecer por um bom tempo em nossas memórias. É muito sofrimento. Uma tragédia.

É realmente tentador apostar em imagens apelativas, fortes, impactantes. Elas alavancam audiências. E vendem jornais e revistas.

Pois bem. As semanais todas promoveram uma verdadeira carnificina. Um festival de sofrimento, escombros e mutilados.

Na Veja, um homem caminha sobre um “tapete de mortos”. Um “corpo abandonado da menina, com as ruínas de uma igreja ao fundo: ninguém sobrou para chorá-la”. Quem escreve um troço desses?

Veja Haiti Espreme que sai sangue

Na Veja, homem caminha sobre um "tapete de mortos" - Foto: Reprodução

Uma outra foto terrível arrebenta em páginas duplas. Precisa ser muito dolorosa para merecer tanto destaque. Tem que ser chocante, desesperadora. Tem que vender.

O mesmo mau gosto, a mesma rapinagem se repete, em graus distintos de competência, na Época e na IstoÉ. E se repete tanto que as revistas da Abril e da Globo têm a mesmíssima foto na capa. Claro, os editores devem se achar igualmente sábios e requintados.

Mas eles só fazem o servicinho de sempre. Vendem papel. Cobertos de sangue. E se julgam elegantes e sérios. E se vangloriam de ter mais credibilidade. Sei.

Eles adoram apontar o sensacionalismo da TV. E se esquecem deles mesmos, a imprensa marrom e suas páginas vermelhas, ensanguentadas.

Mas calma, pessoal. Na próxima edição, eles nos trarão uma nova dieta de emagrecimento. Ninguém é de ferro. E a vida continua. Aqui, em Angra dos Reis, em São Luís do Paraitinga, no Jardim Pantanal.

E no Haiti.

Veja mais:

+ Urubus no sofá da Hebe

+ PM no BBB é falta de QI ou o quê?

+ Mamãe do Boris perdeu a vergonha de vez

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15 janeiro 2010

hebe prov Urubus no sofá da Hebe

Uma das características do jornalismo sensacionalista é a cobertura mórbida dos fatos. Doenças, mortes, assassinatos cruéis, essas coisas fofas.

Vejam a Hebe Camargo. Ela é uma gracinha. Personalidade da TV, figura pública, popular, querida. Claro que a internação dela é notícia. Em qualquer veículo.

Mas precisa armar o circo da mídia, apelar, uivar, descabelar, soltar lágrimas de crocodilo? Isso é feio. E só vai parar quando o público não admitir esse tipo de exploração e demagogia.

Otávio Mesquita fica em frente ao hospital falando pieguices. A Globo muda a chamada do filme da Xuxa para incluir a voz da apresentadora.

Enquanto a mulher ainda estava fazendo os primeiros exames, o Jornal da Record entra com link direto do hospital, repórter tenso, como se fosse anunciar um atestado de óbito. Mostram imagens dela em preto e branco, ao lado dos falecidos Ronald Golias e Nair Belo. Como se mostrassem para Hebe seu novo palco. Tsk, tsk.

Jornalistas divulgaram o diagnóstico de câncer antes dos médicos e agora falam da morte antes de ocorrer. Isso que é furo. N’água. Quase matam a Hebe antes da hora! Essa era a notícia que todos ali queriam dar? Calma.

A coisa é tão séria que a família da artista tentou evitar que ela assistisse à TV. Sabem com o que estão lidando. Fazem parte desse show há anos.

O saldo costuma ser desinformação e misticismo. Pela forma patética como apresentadores, repórteres e comentaristas se esforçam no campeonato de falsidade e oportunismo.

As especulações nesse tipo de evento não têm limites. Nem senso de ridículo. É um canibalismo da alma. Se puderem, invadem quarto de hospital, filmam cirurgia, usam colete da Policia Federal.

Sempre haverá esses camelôs do sofrimento. E quem fique assistindo ao voo dos urubus. Sai pra lá, coisa ruim.

Veja mais:

+ Hebe Camargo deixa mensagem para seus fãs
+ Público manda mensagem para Hebe Camargo
+ Sobrinho diz que Hebe está confiante e otimista
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14 janeiro 2010

anamara arquivopessoal PM no BBB é falta de QI ou o quê?

Uma das participantes desta edição do Big Brother Brasil chama-se Anamara e é da Polícia Militar da Bahia. Claro que a corporação não aprovou a participação da moça no programa. Nem sabiam da história. Ela vai dançar bonito.

É o que se espera, pelo menos. Tá pensando o quê? Que vai posar nua na Playboy de coturno e, hum, pistola e cassetete? Expulsem essa mulher já! Tirem o uniforme dela antes que ela mesma faça isso em rede nacional. Falta de decoro.

Só de ter feito inscrição para o programa já é motivo para sindicância. Até que enfim um Tribunal Militar vai ter a oportunidade de fazer justiça de verdade.

Que o sonho dos 15 minutos de fama virou febre epidêmica, ok. Quem não tem talento para ser artista fica se humilhando em frente a qualquer câmera, pagando mico, dançando como siri. Problema deles.

O futuro costuma reservar para a maioria desses irmãos o castigo do mais absoluto esquecimento. Viram pó em meses. Ficam deprimidos, vão catar coquinhos em Itacaré.

O que não dá é um servidor público da mais alta responsabilidade se prestar a um vexame desses. Nem de moralismo se trata, e olha que nesse caso até cabia. É questão de respeito à farda. Senso de ridículo.

Ela não é dançarina, stripper, DJ, estudante de teatro. Ela fez concurso público para lutar contra o crime, defender a sociedade. Mas, no fundo da sua alma, ela quer mesmo é ser famosa, dar entrevista pro Faustão.

Queria ver essa donzela subindo o Morro do Dendê, arriscando a vida como seus colegas. Ela participaria de um reality, só que realmente. Ia ter traficante pedindo autógrafo e posando pra foto de celular. Só depois a mandariam pro paredão.

Veja mais:
+ Acompanhe a cobertura do BBB no R7
+ Saiba quem é Anamara
+ Especial do BBB10 no Estrelando

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13 janeiro 2010

arns blog Luto

A morte de cada ser humano nos diminui, disse o poeta. Mas a de Zilda Arns nos empobrece um pouco mais.

Porque nem todos que se vão fazem falta. Ela morreu numa missão de paz, num país pobre, fazendo o bem. Era sua vocação, ir aonde poucos vão, fazer o que todos deveríamos.

Nessas horas não cabe provocação. Ela é exemplo de dignidade. Uma católica militante, corajosa, daquelas que emprestam grandeza e verdade aos votos de fé.

Seu trabalho nas Pastorais da Criança e da Pessoa Idosa, como médica e humanista, a coloca para sempre no rol dos grandes brasileiros. Não por acaso, era sempre lembrada como nossa candidata ao Nobel da Paz.

Um minuto de silêncio é pouco nessas horas. Por quem os sinos dobram? Eles dobram por nós.

Veja mais:

+ Zilda Arns morre no terremoto que atingiu o Haiti
+ Saiba quem foi Zilda Arns
+ Lula está "chocado" com morte de Zilda
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+ Sobe para 11 o número de militares brasileiros mortos no Haiti
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8 janeiro 2010

Jornalismo é edição. Alguém é muito bem pago pra escolher o que entra e o que sai. E de que forma os fatos vão chegar ao público. Por exemplo, olhem essa manchete da Folha Online, do UOL:

“Garis mostrados na Band dizem não guardar mágoas de Casoy”.

Comovente, não? Se os principais atingidos perdoaram o Boris, malvados somos nós que achamos que isso não pode ficar assim. Agora assistam à entrevista.

O que vemos? Que a manchete deveria ser:

"Garis ofendidos por Casoy viveram uma tragédia e se dizem chateados”.

Perceberam como é uma opção tecnicamente indefensável limpar a barra do sujeito? Está lá no vídeo a dor e a vergonha por que passaram. A edição prefere pegar um detalhe e, covardemente, abusar da boa fé dos garis. Eles são educados, decentes e generosos. E levam na cabeça. De novo.

A reportagem foi atrás dos dois já com essa intenção. Só pode. Se lixaram para o sofrimento deles. Botaram panos quentes. Amaciaram. Esconderam a “tragédia”. Tragédia.

E por quê? Uma hipótese se impõe: para preservar aquele que foi colunista, editor-chefe e diretor de redação da Folha de S.Paulo. Durante a ditadura militar.

Aquela ditadura que os donos do UOL chamaram de ditabranda.

Pegou mal. Mas logo estará até nos livros escolares que o Grupo Folha apoiou, sim, o golpe militar. É um fato. Todos cometemos erros. Ao assumi-los, ganhamos alguma dignidade. Negar que é feio.

Mas mamãe sempre protege o filhinho. Boris fez muito pela Folha. Leal, inteligente, linha dura. E útil. Era bem relacionado com milicos poderosos.

Quem se surpreende com as ofensas proferidas aos garis provavelmente não conhecia bem esse senhor. O desprezo por pobres, lixeiros e metalúrgicos vem de longe.

Pois bem. Agora o Brasil sabe. Suas opiniões não valem um tostão. Mas ainda tem gente que se arrisca a defendê-las.

Veja mais:

+ O Provocador: Boris Casoy é a elite branca com pó de arroz
+ Boris faz equipe técnica da Band levar bronca da direção
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