20 janeiro 2010

Foto:Nelson Antoine/Foto Arena/AE
O Orçamento Geral da União deveria criar um item permanente: a verba emergencial para enchentes previsíveis. Ou melhor, a caixinha de Ano-Novo para prefeitos incompetentes e tragédias anunciadas.
Todo janeiro é a mesma história. As chuvas devastadoras que destroem cidades e vidas chegam com a fúria de sempre. Ninguém é pego de surpresa. Elas virão.
É assim há décadas e décadas. Mas o que os prefeitos fazem para impedir que a destruição aconteça? Rigorosamente? Nada. Eles sempre são pegos de surpresa, os caras de pau.
Sem nenhum remorso, decretam estado de emergência. Alegam calamidade pública. E correm ao governo federal exigindo verbas emergenciais, sempre na casa dos milhões.
Para quê? Para que no verão seguinte tudo aconteça novamente. A mesma desgraça. Aquela, que todos sabemos que vai acontecer. São muito cínicos. E cruéis.
Não são só os das grandes capitais. Essa caixinha das enchentes previsíveis literalmente escorre pelo esgoto de cidades do interior de São Paulo, Grande Rio, vales do Paraíba e do Itajaí. São tantas...
Não é mais aceitável que famílias sejam jogadas no lodo a cada estação. Que ruas se transformem em rios, que bombeiros morram salvando vidas, que prefeitos molhem as mãos com as águas que inundam suas cidades.
A mídia poderia encostar esses caras na parede. Antes do próximo verão, perguntar o que foi feito para impedir as enchentes que certamente se aproximam. E cobrar o destino dado aos milhões enviados por Brasília.
Eles vão mentir. Fácil: que sejam desafiados a se mudar, com suas famílias, para as áreas de risco. Quando as chuvas vierem e destruírem tudo que eles têm, a população faz uma vaquinha para ajudá-los. De boa.
E melhor, o governo que mande aquela caixinha anual para a Defesa Civil, a Cruz Vermelha, os Médicos Sem Fronteiras. Esses políticos que se afoguem.
Veja mais:
+ Manifestação contra enchente termina em confronto com a Polícia Militar












