25 janeiro 2010
Em seu aniversário, São Paulo está dando um recado muito claro. Basta. Parem. Assim não dá. Após 456 anos, a metrópole está exausta. Vai sofrer um colapso. Nervoso.
A cidade está debaixo d'água. Encharcada, ilhada, paralisada. Centenas de famílias desabrigadas não têm por que parabenizar essa cidade tão desumana.
E tão acolhedora. Que recebe outras centenas de imigrantes e migrantes diariamente. E lhes dá trabalho e perspectiva. Tão rica, tão grandiosa.
E desigual. Que ostenta palácios e barracos, helicópteros e carroças, o lixo e o luxo. Sob a violência urbana mais cruel. Uma cidade que mata.
E onde floresce a cada momento um país melhor, mais rico. A locomotiva da nação avança, ganha volume, não para de enriquecer. Mas cobra seu preço.
Chega de desmandos. De ser mal administrada, não ter planejamento, ser explorada em cada centímetro. Chega de poluição, enchentes, lixo, congestionamentos, sequestros, incompetência.
São Paulo não suporta mais ser tão maltratada. Por políticos reacionários, cidadãos irresponsáveis, visitantes oportunistas. Chega.
Parem com os arranha-céus, a especulação imobiliária, as novas faixas nas marginais, os rios emparedados, os miseráveis nas ruas. Parem de sufocar a maior cidade do país.
Basta dessa história de que nela convivem os extremos, os opostos, as contradições. São Paulo tem uma vocação, e só uma. Ser uma metrópole do mundo, cosmopolita, universal.
E ser a capital da gastronomia, dos bares com mesas nas calçadas, das casas noturnas, de todas as artes, das universidades, das tribos, da tolerância, dos bairros arborizados, dos parques públicos, do futebol. Da modernidade.
São Paulo já perdeu muito tempo sendo destruída. E se vendo obrigada a reagir com a força da natureza. O recado está dado. Ai de quem não ouvir.
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