1 fevereiro 2010
A Lei Rouanet criou o modelo de financiamento cultural mais injusto do planeta. As grandes empresas deixam de pagar impostos em troca de patrocinar espetáculos inacessíveis à maioria da população.
Muitos bancos construíram teatros e centros culturais elitistas, fizeram pose de bacana e literalmente se lixaram para a plateia. É revoltante.
Ano passado, 80% dos recursos aplicados foram para a região Sudeste, com 60% para Rio de Janeiro e São Paulo. Do total de investimentos, 50% foram destinados a apenas 3% dos autores de projetos. Concentração total. Patotinha.
O governo agora enviou um novo projeto para o Congresso. Quer acabar com a mamata da renúncia fiscal sem contrapartida. Nada daquela obscenidade de dar R$ 8 milhões para o Cirque du Soleil cobrar ingressos “populares” de R$ 350.

Outra grande mudança é o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura. A ideia é distribuir R$ 8 milhões diretamente aos produtores culturais, sem intermediários. Uia.
Se alguma empresa quiser investir em cultura, que pague algum preço por isso. Não existirá mais renúncia de 100%. Vão ser 80%, 60% ou 40%. E nada de estampar marcas ou logotipos.
Tudo muito lindo. Mas se preparem que a chiadeira vai ser grande. Vão dizer que isso é dirigismo cultural, que o governo vai apadrinhar seus queridinhos, blábláblá.
Vai melhorar, dá para garantir. É só ficar de olho nas comissões que seriam formadas para definir o destino do dinheiro.
Eu sugiro que todos acompanhem a tramitação desse projeto. Não dá para ficar assistindo à briga de camarote. Na verdade, nem da arquibancada. Se marcar touca, vamos continuar todos do lado de fora.
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