12 fevereiro 2010

É bom passar o carnaval em São Paulo. A cidade fica sem os paulistanos. E é a única forma de fugir das estradas entupidas e saguões de aeroportos lotados.

Os congestionamentos e filas, os estressados e endinheirados, os tipinhos mais grosseiros, são todos transportados para lugares até então paradisíacos. Não há destino – do sítio do sogro ao mais extorsivo resort – que escape da horda em fuga.

E são muitas as opções ficando por aqui. Promover uma festa de arromba em casa sem que os vizinhos possam reclamar. Praticar o ócio sagrado. Ficar vendo na TV o quanto descendemos dos macacos. Evoé.

Não consigo entrar no clima de histeria consentida dos sambas-enredo, axés, trios elétricos, tambores e danças tribais. Morro de tédio vendo aquele monte de gente explodindo de alegria.

Carnaval é um surto coletivo muito estranho. As pessoas ficam pulando e suando no meio da rua. Argh. Ou correndo em círculos num salão lotado. Afe.

Isso sempre me pareceu uma catarse mais apropriada a povos nórdicos ou de libido refreada por séculos de civilização. Nada a ver com um país como o nosso, que exala safadeza o ano todo e não precisa de efemérides para soltar a franga.

Carnaval foi feito pra mulherada. Elas ficam ainda mais nuas e podem se contorcer freneticamente ao som dos atabaques. É a dança do acasalamento em sua plenitude. Que bonito é.

O resto são homens babando e exercendo ao extremo a capacidade de ser ridículo. Ai, que falta faz o Clóvis Bornay. Aquele sim sabia do que se tratava.

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