4 março 2010
Há uma cortina de fumaça no debate sobre as causas de doenças respiratórias e outras mais graves, como o câncer. O cigarro leva toda a culpa. E os governos não precisam enfrentar o verdadeiro problema: a poluição do ar que respiramos.
Há quanto tempo você, nobre internauta, não ouve alertas sobre a degradação atmosférica das grandes cidades?
Quem mora numa metrópole como São Paulo respira um ar tóxico e venenoso. O mais intrigante é que todos sabem disso. Mas ninguém toca no assunto.
Parece que foi feito um acordo internacional para que o tabaco seja o grande e único vilão a ser combatido. Os médicos expiram toneladas de números contra o fumo sem se importar com o escapamento dos carros.
Nunca ouvi o doutor Dráuzio Ernesto Varella falar sobre os malefícios do monóxido de carbono. A poluição do ar pode causar doenças infecciosas seriíssimas, como tuberculose e pneumonia.
E também aumenta o risco de infarto, pela obstrução das vias circulatórias. Pior ainda: diversos estudos estimam que 30% da população das grandes cidades está suscetível a desenvolver câncer de pulmão. Basta respirar. É um genocídio calculado. Qualquer pessoa esclarecida sabe disso.
Mas ninguém fala nada. Claro, o custo para resolver esse problema é altíssimo. Muito mais barato posar de paladino da saúde pegando no pé dos fumantes. É de graça e o povo adora.
Um dos argumentos mais comoventes da lei antifumo é o que alerta sobre a ação nociva do cigarro sobre os não-fumantes. O tal do fumo passivo. Ui.
E o fiscal da CET que fica oito horas por dia num cruzamento engarrafado, aspirando combustível queimado? E o manobrista que passa a vida dentro de uma sufocante garagem de shopping?
Os políticos precisam fazer de conta que estão trabalhando. Já que não estão dispostos a resolver nossos problemas, ficam legislando sobre o que é supérfluo. E se escondem atrás dessa cortina de fumaça.
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