16 março 2010

A vida do Zezé Di Camargo é mais importante que a do Fernando Henrique Cardoso. Pelo menos para a imprensa brasileira.

É o que indica a repercussão dada aos dois filhos que eles supostamente tiveram fora do casamento.

Quando FHC era candidato, em 1994, os jornalistas não acharam relevante expor que o tucano pulou a cerca e teve um rebento com a repórter Miriam Dutra, da Globo. Agora que não é candidato a nada, o homem assumiu a paternidade. Antes tarde.

Mas quando o cantor sertanejo é envolvido num hipotético romance com a atriz Mariana Kupfer, aí vira notícia. Vai entender.

A turma precisa decidir se a vida privada de quem quer se seja é relevante ou não. Os manuais de redação dizem que isso é feio. O que não pode é ter duas medidas, ao sabor das conveniências.

Particularmente, estou mais preocupado em conhecer o caráter de um presidente da República do que o de um artista. Um deles pode comprometer minha vida. O outro, no máximo, meus ouvidos.

O fato é que muitos jornalistas continuam a invadir a privacidade dos famosos. Cuidam da vida dos outros, principalmente a sexual. E a gente que se ferre.

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