11 março 2010

Brasil! Como nunca antes na história deste país, agora temos um representante entre os dez homens mais ricos do planeta. O empresário Eike Batista ocupa a honrosa oitava colocação no ranking da revista Forbes. Viva o povo brasileiro?

Pois uma nação de miseráveis como a nossa gerou um bilionário intercontinental. Isso nos cobre de orgulho e vergonha. A riqueza dele é fruto de um misto de competência pessoal com nossa invencível concentração de renda.

Junto com ele, entre os dez, há mais três ricaços oriundos de países emergentes. Tem um mexicano no topo da lista, mais dois indianos. Injustiça social não é privilégio nosso, portanto.

A China tem 64 bilionários! E ainda tem capitalista falando que o comunismo gera apenas pobreza. Só se for o pobre Marx.

O Eike começou a carreira como vendedor de apólices de seguros. Hoje tem um pé de meia de US$ 27 bilhões. No meio do caminho, casou com a Luma de Oliveira, outro tesouro.

Eike Batista Um país de miseráveis gerou um bilionário intercontinental

Eu só queria que pelo menos uma vez o mundo fosse injusto a meu favor. Já que não rola, proponho que haja uma espécie de exame antidoping para participar dessa competição de biliardários.

Nesse teste haveria um índice máximo permitido de favorecimento do destino, corrupção ativa e envolvimento com o crime organizado. Se algum deles fosse pego em flagrante, seria retirado da lista.

Pensando bem, que grande bobagem essa ideia. Onde já se viu rico preocupado com flagrantes?

Veja mais:

+ Eike é o oitavo homem mais rico do mundo
+ Conheça os mais ricos do mundo, segundo a Forbes

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10 março 2010

O barraco corre solto no Twitter. A grosseria humana não tem limites, reais ou virtuais. Falou, tá falado. No fundo, nos divertimos muito e ficamos esperando a próxima mancada.

Os tais 15 minutos de fama podem ficar restritos a 140 caracteres. Por que alguém decide se expor para milhões de pessoas? Porque são solitários e carentões. Um resumo.

Ano passado, Marcelo Tas, da Band, e Diogo Mainardi, da Veja, trocaram farpinhas pelo Twitter. Ui. Nem precisamos saber dos argumentos, tanto faz.  Delícia é ver dois caras assim brigando e poder torcer para que ambos se ferrem.

Outro CQC QCAcha, o Danilo Gentili, foi nocauteado pela Preta Gil! Aí já é briga de rua. Leia aqui. Ele ainda foi chamado de babaca pelo Bruno Gagliasso! Onde já se viu? Só no Twitter. E xingar a Hebe Camargo de múmia, a rigor, não era necessário.

Luciano Hurgh virou “mauricinho global” e levou um cacete do diretor do programa do Gugu. Veja aqui.

Esse resultado o Ibope não dá. E a confissão do Boninho, que abbbsurdo! Ele ofendeu o Britto Jr. e depois escreveu num post registrado pelo Portal Imprensa em junho de 2009: “Pensamento do dia: não sou jornalista, não preciso ter ética!" E o Boninho não apagou o comentário! Deve estar milionário, o cara de pau!

Em que outro lugar a Ivete Sangalo pediria desculpas para a Cláudia Leitte? Em nenhum, nem no confessionário. Mas a irmã da cantora chamou a loira de desafinada no microblog. Depois se arrependeu, não sei por que, e deletou o babado.

Só um doido para tomar partido nessa bagaça. O Twitter é apenas mais um lugar para as pessoas falarem besteira. A vantagem é que você pode voltar atrás e apagar a burrada. Mas seja rápido.

Veja mais:

+Gagliasso defende Hebe e chama Gentili de babaca
+ Veja o vídeo de Danilo Gentili falando de Hebe
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8 março 2010

o segredo dos seus olhos rubens Cinema brasileiro é tão ruim que até o argentino é melhor

Cena do filme O Segredo de Seus Olhos

Deveriam privatizar o cinema brasileiro. Ele é um brinquedinho de filhinhos de papai financiado com dinheiro público. É uma farra para poucos (principalmente espectadores).

Não por acaso, o Walter Salles, considerado um dos nossos melhores diretores, é filho de banqueiro. Como bom capitalista tupiniquim, não põe a mão no bolso. Vive de isenção fiscal e patrocínio de estatais.

Isso tudo é uma farsa. Com roteiro, diálogos e direção ruins. Nos Estados Unidos, gênios como Martin Scorsese, Brian De Palma e George Lucas nasceram em famílias bem humildes.

Algo impensável no Brasil é pobre virar cineasta. Não que seja algo a se lamentar. Quanto menos, melhor.

Claro que há exceções. Se me derem 48 horas eu consigo me lembrar de uns dois ou três bons filmes nacionais. Cidade de Deus é um deles. Pena que Fernando Meirelles tenha virado norte-americano.

A nossa indigência é tão vergonhosa que até os argentinos fazem cinema melhor do que nós. Em alguma coisa eles tinham que ser superiores. Antes nisso.

O Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para O Segredo de seus Olhos é o segundo de los hermanos. Eles já haviam conquistado a estatueta em 1986 com A História Oficial. Mesmo assim, são só bicampeões.

São filmes bacanas. Nada estrondoso. Mas sempre com orçamento baixos, bons atores e diálogos inteligentes. E roteiros! Sim, eles contam histórias, com personagens e tudo mais. Não é incrível?

Eu prefiro o videotape de Olaria e Bangu a um filme do Daniel Filho. Tudo bem que esse pelo menos faz bilheteria. Só não entendo porque alguém paga para assistir novela de um capítulo só.

O negócio está sério. Chamem o capitão Nascimento! Ratátátá.

Veja mais:

+ Argentinos ganhan Oscar com O segredo de seus Olhos
+ O Segredo de seus Olhos leva Oscar de Filme Estrangeiro
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5 março 2010

O Supremo Tribunal Federal vai julgar este ano a constitucionalidade da política de cotas raciais que foi implantada em algumas universidades públicas.

O tema é polêmico pra caramba. Mas aposto que vai prevalecer a visão de que o Brasil precisa encontrar mecanismos para compensar os séculos de opressão a negros e índios.

Que somos um país injusto, grande novidade. E bota injustiça nessa história. Somos perversos, isso sim. Nossa concentração de renda é uma ofensa à humanidade. Dizem que melhorou um pouquinho. Não é o que vemos nas ruas. Enfim.

Igualdade é tratar de forma desigual as coisas desiguais. Touché. Esse mandamento marxista é irrepreensível. Não dá para discordar. Todos deviam se guiar por ele.

estudos A cor da pele não torna um miserável melhor que o outro

Mas temos tantas desigualdades que praticar esse lema é um desafio para toda a nação. Por onde começar? E onde isso vai parar? Some-se o fato de sermos um país miscigenado. Um samba do crioulo doido.

Só tenho a convicção que os desiguais no Brasil têm algo em comum: são pobres. Negros, brancos, mulatos, mamelucos são em sua maioria marginalizados pela pobreza.

Esse deveria ser o ponto. Se devemos ter uma política de cotas, que ela seja por critérios socioeconômicos. Existem (poucos) negros ricos. Eles não precisam de ajuda. Existem milhões de brancos pobres. A cor da pele não pode tornar um miserável melhor que o outro.

Como também sabemos que a maioria dos negros é discriminada economicamente, ela também seria a maioria dos assistidos por essas políticas afirmativas. Simples, não?

Mas falo isso tudo bem baixinho. Tem um monte de racista por aí. Nem adianta argumentar com eles. Já começam a chamar todo mundo de vagabundo e preguiçoso. Duro é quando um pobre pensa assim. Esse que se dane.

Veja mais:

+ Maioria é favorável às cotas em universidades no STF
+ Hillary defende cota para negros durante evento em SP
+ Justiça mantém validade da Lei de Cotas no Rio
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4 março 2010

cigarro na boca g Poluição do ar está atrás de uma cortina de fumaça

Há uma cortina de fumaça no debate sobre as causas de doenças respiratórias e outras mais graves, como o câncer. O cigarro leva toda a culpa. E os governos não precisam enfrentar o verdadeiro problema: a poluição do ar que respiramos.

Há quanto tempo você, nobre internauta, não ouve alertas sobre a degradação atmosférica das grandes cidades?

Quem mora numa metrópole como São Paulo respira um ar tóxico e venenoso. O mais intrigante é que todos sabem disso. Mas ninguém toca no assunto.

Parece que foi feito um acordo internacional para que o tabaco seja o grande e único vilão a ser combatido. Os médicos expiram toneladas de números contra o fumo sem se importar com o escapamento dos carros.

Nunca ouvi o doutor Dráuzio Ernesto Varella falar sobre os malefícios do monóxido de carbono. A poluição do ar pode causar doenças infecciosas seriíssimas, como tuberculose e pneumonia.

E também aumenta o risco de infarto, pela obstrução das vias circulatórias. Pior ainda: diversos estudos estimam que 30% da população das grandes cidades está suscetível a desenvolver câncer de pulmão. Basta respirar. É um genocídio calculado. Qualquer pessoa esclarecida sabe disso.

Mas ninguém fala nada. Claro, o custo para resolver esse problema é altíssimo. Muito mais barato posar de paladino da saúde pegando no pé dos fumantes. É de graça e o povo adora.

Um dos argumentos mais comoventes da lei antifumo é o que alerta sobre a ação nociva do cigarro sobre os não-fumantes. O tal do fumo passivo. Ui.

E o fiscal da CET que fica oito horas por dia num cruzamento engarrafado, aspirando combustível queimado? E o manobrista que passa a vida dentro de uma sufocante garagem de shopping?

Os políticos precisam fazer de conta que estão trabalhando. Já que não estão dispostos a resolver nossos problemas, ficam legislando sobre o que é supérfluo. E se escondem atrás dessa cortina de fumaça.

Veja mais:

+ A lei antifumo é autoritária e deve ser combatida
+ Taiwan proibe cigarro em ruas e carros
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2 março 2010

Que a Paris Hilton era libertina, todo mundo imaginava. Também, a coitada não tem muito que fazer na vida. Mas daí a censurarem a loira aguada vai uma longa distância. Afinal, nossas devassas são bem melhores.

paris hilton Deixem a loira gelada em paz

Essa ideia de o Conar retirar a propaganda em que a milionária usa dublê de corpo para impressionar a galera é ridícula. Ou alguém acredita que aquele corpão é o dela?

Deixem a moça beber até cair. Processem o estúpido que a escolheu como modelo. Isso sim é uma ofensa à mulher brasileira.

Se era para escandalizar, bastava divulgar o cachê que pagaram para a gringa. Porque não é possível que alguém tenha ficado indignado com aquela performance.

A Juliana Paes, a Karina Bacchi e a Luize Altenhofen, por exemplo, já soltaram bem mais a franga, e ninguém reclamou.

O corpo feminino é vendido em latinhas faz tempo. No fim das contas, não passam de mulheres frias, trocando beleza por dinheiro. Implicar com a bêbada magrelinha é coisa de gente mal-amada. Inveja. Só pode.

Essa censura tem um nome. Xenofobia. Reserva de mercado. Só o corpo de nossas mulheres pode ser objeto de consumo. É patriotismo, amor às nossas riquezas naturais.

Eu não ia com a cara da Paris Hilton. Sou obrigado a sair em sua defesa. Foi só isso que conseguiram. Não podemos compactuar com tamanha hipocrisia. Deixem a loira gelada em paz!

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1 março 2010

Esta semana, o Santos deve pagar o primeiro salário do Robinho. Um milhão de reais. Cada centavo dessa dinheirama vai sair dos cofres do time. Não apareceu nenhum patrocinador para bancar essa loucura.

Talvez apareça. Tem doido pra tudo. Há mais de um mês, o presidente do Santos, Luís Álvaro Ribeiro, jura que existe um pool de quatro empresas dispostas a bancar o salário do ex-craque. Até agora, não passou de blefe. Parece o Belluzzo.

Quando chegar o fim do contrato, em agosto, serão R$ 7 milhões. Mais do que todo o patrocínio do time da Vila Belmiro em 2009. Fala sério. Essa conta não vai fechar nunca.

Robinho O Robinho não se paga. Nem aqui, nem na Inglaterra.

O Robinho não se paga. Ele é caro demais. Aqui ou na Inglaterra (onde ele embolsava quase o dobro), o que ele ganha é uma insanidade.

Para quem não sabe, o futebol inglês está falido. Segundo a Uefa, os times de lá devem quase R$ 10 bilhões. Só a dívida do Manchester United beira R$ 2 bilhões. Caramba!

Em toda a Europa, os clubes devem R$ 15 bilhões. Nesse cálculo, não entram os empréstimos. Eles vão quebrar. Tomara que explodam. Foram eles que inflacionaram o futebol a esse nível criminoso.

Por isso, estamos vendo o retorno de alguns dos nossos craques. Que voltam trazendo seus salários escandalosos. Sem dó nem piedade, querem que nossos clubes paguem na mesma moeda.

Deviam fundar o Mercenários Sport Club. Ou a Legião Estrangeira de Futebol, financiada pela máfia russa e pelo cartel de Medelín.

Neste domingo, 29, torcedores do Santos portavam uma faixa em protesto contra o aumento do preço dos ingressos para o clássico com o Corinthians: “No circo do futebol, o torcedor é o palhaço”.

É isso aí. A arquibancada mais que dobrou, para R$ 80. Queriam que o povão pagasse a conta. Adivinha? Nem metade do estádio estava lotado. Bem feito.

Só um trouxa para bancar o Robinho indo jogar amistoso na seleção do amigo Dunga. Ironia dos deuses do futebol, onde será o jogo contra a poderosa Irlanda? Em Londres, capital da Inglaterra. Bingo.

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