13 maio 2010
Em Londres, esta semana, dois garotos, de 10 e 11 anos, estão sendo julgados pelo estupro de uma menina de 8 anos. Precoces, não? Aqui no Brasil, eles jamais responderiam por esse crime. Ou qualquer outro.
São pequeninos e não seriam nem ao menos recolhidos a instituições “socioeducativas”. Para uma dessas foi o rapaz de 14 anos que se entregou à polícia, nesta quarta-feira (12), pelo assassinato de um jovem de 15 anos, em Porto Alegre.
Nossas crianças são melhores do que as do resto do mundo. E os adolescentes, então? Tão meigos, carentes, indefesos. Precisam de muito amor e afeto. Não devemos brigar com eles. Nem gritar. Traumatiza, deixa marcas na personalidade. Entende?
Pois é. A redução da maioridade penal virou tabu, cláusula pétrea. Até nosso presidente já declarou ser contra criminalizar jovens menores de 18 anos. Coitadinhos. Tem que reeducar. No máximo, devolvê-los ao convívio social ao completarem 18 anos.
Por trás de tamanha benevolência, generosidade e crença no ser humano, esconde-se um equívoco atroz. Fruto de desinformação, ou ignorância mesmo, se preferirem. O mundo mudou. E com ele, o que imaginávamos ser a infância e a adolescência.
Uma criança pode matar, roubar e cometer atrocidades. Um jovem, então, pode ser traficante, assassino de aluguel, líder de quadrilha. Um sociopata normalmente já nasce assim, sociopata. Depois vem o Ministério Público dizer que criança não pode nem ser vilã de novela. Leia aqui.
E ninguém se torna pistoleiro porque não ganhou bicicleta no Natal ou porque papai lhe deu palmadas. Há todo um discurso dominante para que os adultos se sintam culpados quando os filhos falham.
A sociedade está doente. A nossa ainda mais. Porque se recusa a punir aquele que merece punição. Por tentar salvar o que já está perdido. Por tratar demônios como anjos. Este país precisa crescer.
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