25 maio 2010
Quando você ouvir que um jornal fez uma reforma, saiba que ele envelheceu. Não é culpa dele, coitado. Nem incompetência. Assim é a vida, afinal.
Os jornais já embrulharam peixe. Hoje nem isso, não há papel suficiente. As tiragens caíram tanto que ser assinante é parecido com militância em ONG. Salvem as baleias. Salvem as balelas.
Acompanhar o mundo pelos jornais é hábito de gente que, a rigor, está desinformada. A internet mudou radicalmente a forma como lemos o mundo. Não há tempo nem para ir à banca da esquina.
Por que vou ler amanhã o que está piscando na telinha neste instante? Não é à toa que leitor de jornal é saudosista. E os jovens de hoje, malcriados, não respeitam os mais velhos.
Por isso, os editores tentam imitar os sites de notícias. Letras maiores, menos texto, muita imagem. Só que computador não suja as mãos. E a Folha, ainda por cima, carrega nas tintas.
A saída, dizem os que são pagos para isso, é vender opinião, interpretação, aprofundamento. Só precisa combinar com os leitores. Se até novela perdeu audiência, imagina quantos sobraram para ficar lendo editorial do Estadão.
As redações estão cada vez mais enxutas. As colunas e colunistas se multiplicam entre as ruínas, mas não há mais o que sustentar. Em breve, Veja se IstoÉ Época para revistas.
O jornalismo impresso está na UTI. Ainda recebe a visita de amigos e parentes. Por favor, silêncio. Parem as rotativas.
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