30 junho 2010

Jogador de futebol brasileiro virou caso de polícia. Daqui a pouco, vão formar quadrilhas em vez de times. Facções, comandos. Financiados por cartéis e pelo crime organizado.

Há algo de muito doentio acontecendo com esses jovens milionários da bola.  Posam com metralhadoras em punho, escoltados por traficantes.

Ninguém tem culpa de ter sido amigo de infância de um futuro sequestrador. É digno não negar as origens. Mas daí a se misturar com bandido há um abismo tão absurdo quanto o salário que recebem.

Jogador famoso tende a se comportar como gângster, cercado de mulheres, luxo e bajuladores. Casam-se como reis, separam-se como plebeus. Agridem esposas e acumulam amantes, filhos e carrões.

Claro que alguns escapam dessa tentação. Mas é raro o que tenha vindo da miséria e se tornado modelo de comportamento. É difícil dar bom uso ao dinheiro fácil.

Haveria alguma saída se a cartolagem não fosse quase sempre da mesma laia. Se a imprensa não os tratasse como meninos carentes. E se não houvesse tantas crianças querendo estar no lugar deles.

É preciso dizer: o futebol corrompe.

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29 junho 2010

Errar é humano. Mas alguns erros são animais. A Folha de S. Paulo eliminou a seleção brasileira em um anúncio do grupo Pão do Açúcar! (leia mais)

Não queria estar na pele do infeliz estagiário que pisou na bola. É o tipo de burrada inesquecível. Mas é educativo saber do que são feitos salsichas, anúncios e jornais.

Pelo visto, propaganda é que nem necrológio: fica na gaveta, e o que vier eles traçam. Está vivo, ganhou? Morreu, já era? Tanto faz, o recado será dado.

Portanto, no dia seguinte à eleição para presidente, não se iluda: seja Serra, seja Dilma, os parabéns da turma do PIB serão dados da mesma forma. Só não precisamos acreditar na sinceridade deles.

Para piorar, na mesma edição, a Folha publica outro anúncio, da Transamérica, dizendo que vão transmitir hoje, dia 29, o jogo de ontem entre Brasil e Chile. Aí é covardia: já sabendo o resultado, fica fácil tripudiar do adversário.

Dois erros troncudos no mesmo dia é sinal de alerta. A Folha que preste mais atenção.  Recentemente, o UOL difamou o Kaká, dando a entender que o craque é ejaculador precoce.

Ninguém se abalou. Faz parte. Mantiveram a calma. Não adianta ter pressa. Mas uma prece, no caso, ia bem.

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25 junho 2010

A culpa é da jabulani. Ora bolas. Até a vuvuzela é culpa da jabulani. A queda do Serra nas pesquisas também. O zero a zero entre Portugal e Brasil? Jabulani. A sua sogra é uma jabulani da pior espécie.

A pobre Jabulani vem sendo tratada a pontapés. Logo de cara, disseram que ela era ruim para os goleiros, que ia chover gols. Depois dos primeiros jogos, começaram a dizer que a bola era um inferno para os atacantes.

luiz fabiano jabulani A sua sogra é uma jabulani?
A implicância foi tanta que a coitadinha virou motivo de piada. Sorte do fabricante. Pelos primeiros números, a venda da menina rejeitada é 25% maior do que a redonda do último Mundial, na Alemanha.

Já foram vendidas 13 milhões de unidades da bolota oficial da Copa da África do Sul. Um sucesso. De nada adiantaram os comentários dos boleiros. Ou melhor, ninguém leva a sério reclamação de jogador de futebol.

O fato é que nos pés do Messi a Jabulani rola macia. E pra quem sabe chutar, essa bola é gol.

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23 junho 2010

Nessa história do suposto dossiê sobre o Serra, é fácil saber quem está mentindo. Todo mundo, é claro. A verdade é uma intrusa nessas horas. E, quando descoberta, é enterrada viva.

Toda campanha é feita de dossiês. Conhecer os pontos fracos do adversário é questão estratégica. Carta na manga e bala na agulha é a diferença entre vencer e trincar os dentes de raiva.

O Serra já foi acusado de espionar seus inimigos muito antes de ser candidato, ainda no governo FHC. Fez uma legião de inimigos por isso. Contra ele pesa também a suspeita de fritar a candidatura de Roseana Sarney em 2002. Ninguém é completamente imperfeito.

Todo partido tem seus aloprados. Arapongagem faz parte de qualquer organograma de campanha. E a imprensa sabe disso. Mas posa de vestal. Faz cara de surpresa quando vê uma armação. E publica, a depender de que lado está.

Dossiê bom é aquele que vaza na hora certa. Ou seja, quando não há mais tempo de ser desmentido. Porque todos são. E fica por isso mesmo.

Não entendo essa implicância contra denúncias em época de eleição. É a única hora em que os políticos se preocupam em prestar e cobrar contas. Acaba tendo um efeito higiênico.

Quero mais é que todos os candidatos se engalfinhem até sangrar. Fora isso só resta os chatíssimos e inúteis programas de governo. Aqueles calhamaços que nunca serão cumpridos. Lenga-lenga, blá-blá-blá.

Vou parafrasear o jornalista americano Murray Kempton. No meio dessa guerra suja chamada política, os candidatos esperam o fim dos combates, descem ao campo de batalha e matam os feridos.

Quem vence uma eleição são os que sobrevivem a ela.

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22 junho 2010

dunga blog2 Dunga deu o verdadeiro ‘Cala a boca, Galvão’

Foto: AFP

O Dunga até que é um cara legal. Enfrentar a Rede Globo do jeito que ele está fazendo, ok, me abalou. Pelo menos agora eu entendo de onde vem tanta raiva e grosseria.

Que toda a imprensa acabe pagando pelos erros da Velha Senhora me parece um preço módico. Eu entro nessa vaquinha de boa.

Como nunca antes na história deste país, um técnico da seleção brasileira mandou um ‘Cala a boca, Galvão’. E não fica dando exclusivas para a poderosa emissora, como se fosse empregado dela.

E fala palavrões nas coletivas! Está certo que todo mundo tem vontade de mandar a Globo praquele lugar. Ele poderia estudar melhor. A língua portuguesa possui tantos insultos publicáveis, era só pesquisar.

Quase que começo a simpatizar com a seleção do Zangado. Vai ver que aquele monte de volantes é só para nos poupar de ouvir o Galvão gritando gol. Dos males, o menor. Faz sentido.

Mas vou aguentar mais um pouquinho. De repente é uma fúria passageira, que nem a seleção espanhola. Ou ele está sendo oportunista. Sabe que montou um time indigno do país e quer compensar fazendo algo decente.

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21 junho 2010

sheila carvalho blog Se cada bebê que nasce fosse notícia...

Foto: AgNews

A notícia está em todos, todos os sites de notícias, sérios ou não. Scheila Carvalho deu à luz sua primeira filha com o cantor Tony Sales. Uau.

Fiquei intrigado. Primeiro com quem, afinal, é Tony Sales? Porque escrevem o nome dele assim, como se eu tivesse obrigação de saber que ele já existia antes do fantástico evento de se tornar pai.

Em segundo lugar, o mais inquietante. Qual a relevância do nascimento dessa criança, a quem desde já desejo muita saúde e felicidade nesse mundo cruel?

Que o público adora acompanhar a vida de astros e estrelas eu já desconfiava. O tal jornalismo de celebridades está aí para vasculhar principalmente a vida sexual e amorosa dos famosos.

Mas jura que chega a esse ponto? Eu precisava meeesmo saber que a Giullia nasceu de cesariana com 3,095 Kg e 46 cm?

Dando uma googada (não confunda com gugudadá), descubro que a imprensa acompanhou cada semana da gestação. Imagina se cada brasileiro merecesse tamanha deferência?

Quem lê tanta notícia (além de mim, claro)? O nascimento de um bebê tem a mesma importância que um implante de silicone da Deborah Secco. Isso deve mexer com a autoestima da gurizada.

Pelo visto, com a internet, essa profusão de informações inúteis tende a piorar. A blogosfera é infinita, cabe de tudo. Onde vamos parar? Na hora da concepção? Hum. É. Melhor não ficar dando ideias pra essa gente.

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19 junho 2010

sexo kaka blog2 Pisou, escorregou, tá no ar

Reprodução

Ficou por um minuto na home do UOL: “Sexo mais veloz da Copa, Kaká é o 'Usain Bolt' da seleção”. Depois, a errata: ele é o "sexto". Mesmo assim, o nosso craque precisa melhorar.

Como apuraram isso, ainda não descobri. Vim correndo escrever este post. Nem tive tempo de caprichar nos parágrafos preliminares. Um furo desses não acontece toda hora.

Aquele jeitinho dele nunca me enganou. O moço sempre propagou que amor vem antes de sexo. O problema é o durante, pelo visto.

Brincadeiras a parte, a ejaculação precoce mesmo foi da turma do UOL. São as cascas de banana da internet. Pisou, escorregou, tá no ar. Pode até consertar, mas o estrago fica lá, eternizado em um print screen.

Errar é humano. Acertar, então, é desumano. Todos estamos sujeitos a dar barrigadas na vida. Levanta e sacode a poeira. É o jeito. Porque ninguém perdoa. É uma das graças da vida, rir das desgraças alheias (as inofensivas).

Antigamente, alguém seria demitido por isso. Hoje em dia, não dá. A velocidade da informação é imperiosa. E revisores custam caro. Não é um barato?

Muita saúde ao Kaká. E vida longa ao seu casamento. E que ele continue nos dando tantas alegrias, como essa.

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16 junho 2010

A filha da Monique Evans foi alvo de pichações no muro da faculdade em que estuda. Não, não é a Uniban. Os difamadores da vez são da Anhembi-Morumbi. E as ofensas? Ninguém sabe, ninguém diz (leia mais aqui).

A mãe da jovem Barbara prefere não detalhar que tipo de insulto reservaram para sua cria. Assim fica difícil ser solidário, não é? Como vamos nos indignar se não conhecemos a indignidade?

Só nos resta acreditar no depoimento da vítima. Que, por sinal, já contratou o mesmo advogado que defende Geisy Arruda. Hum. Ah, tá. Sei. Entendi.

Não merece respeito quem age no anonimato. Coisa de gente covarde. Ainda mais pichadores, tipinho sem noção. Pior os que escrevem palavrões ou apelam para sexismo, preconceito ou moralismo.

Merecem ser punidos, claro. Que a faculdade tome providências enérgicas e rápidas. Sempre tem uma câmera oculta ou um dedo-duro em busca de reconhecimento. Vai ser moleza pegar o babacão.

Façam isso e pronto. Assunto encerrado. A Monique vai ficar feliz da vida, preservando a honra da prole. Certíssima ela.

A não ser que ela julgue que a rebenta mereça alguma indenização da faculdade, uma contrapartida pecuniária pelo sofrimento e vergonha a que supostamente foi exposta.

É óbvio que a mãezona nem pensa nisso. Seria algo indigno de sua carreira e notoriedade. A Monique é uma pessoa que aprendeu a ser séria. Jamais se aproveitaria de uma situação dessas.

Basta uma Geisy. Que até livro autobiográfico pretende lançar, contando inclusive suas histórias picantes. Pensei que a moça já deu o que tinha pra dar. Mas que fôlego!

Não merecemos mais um caso desses. Vão acabar banalizando o escândalo. Daqui a pouco bullying vira sinônimo de oportunidade de negócios. E faculdade volta a ser um lugar vantajoso de freqüentar: já que o ensino não presta, que sejamos humilhados.

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15 junho 2010

O Lula deveria mandar seu apoio à Coreia do Norte. A seleção do Dunga ganhou o jogo desta terça-feira por um placar tão apertadinho quanto os olhos dos valentes coreanos. Não custaria nada ser solidário agora.

O Irã não é melhor que a ditadura comunista de Pyongyang. E o que é afundar uma corveta perto de naufragar uma nação inteira no fundamentalismo? Questão de coerência, portanto.

Não tenho nada a favor do regime norte-coreano. Não tenho nada contra também, por absoluta ignorância. Na verdade, ninguém sabe nada sobre aquele país esquecido de Deus e isolado por natureza.

Mas que beleza seria o nosso presidente se apresentar como mediador da Guerra Fria que se instalou entre as Coreias do Norte e do Sul desde 1953. A ONU tem fracassado solenemente na tarefa de promover a paz naquela península.coreia provocador Lula deveria apoiar a Coreia do Norte Surpreendente seria se a ONU conseguisse, mas isso é outra história. A tendência do órgão é sempre se alinhar aos EUA. Que excelente oportunidade para o Lula, não é?

Imagine a cara do Obama tendo que engolir mais um acordo pacifista que não serve pra nada? O Lula poderia chamar a África do Sul para ser parceiro no lugar da Turquia. Imagine o som das vuvuzelas durante a assinatura do tratado de paz?

O jogo de hoje passaria a ter um simbolismo histórico. Após uma partida tão medíocre, os dois países poderiam fazer algo que tivesse algum nível de dignidade.

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14 junho 2010

Resolvi torcer pela Argentina desde que o Dunga convocou seus pés de chinelo (leia mais aqui). E a cada dia que passa aumenta a convicção de que é o mais patriótico a fazer.

“Esta é a minha seleção”, gosta de bradar o técnico megalomaníaco. E não teve ninguém para dizer que essa seleção é a brasileira, do Brasil, do país. E não dele. Dele coisa nenhuma. Cara convencido.

E folgado. E mal-educado. A arrogância é tanta que ele trata a imprensa como inimiga. E priva os torcedores de receberem notícias sobre o time que vai perfilar ao som do hino nacional desta nação.

Se é assim, o Dunga que fique lá, sozinho. Ele e seus soldados. E se acontecer algum milagre e aquele amontoado de volantes sagrar-se campeão, que ele leve a taça para a casa dele. Bobão.

Mas o Brasil não vai ganhar a Copa. Nem sequer enviou representantes. Onze jogadores de futebol vão adentrar ao gramado sul-africano às 15h30 desta terça-feira, horário de Brasília.

Vestirão um uniforme glorioso, que já foi usado pelos atletas mais talentosos que este planeta já viu. Mas não se enganem: parece a seleção brasileira, mas não é. São impostores.

A seleção do Dunga é dele. De mais ninguém. Sorte nossa que nesse grupo tem Portugal. Nem tudo está perdido.

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