30 junho 2010
Jogador de futebol brasileiro virou caso de polícia. Daqui a pouco, vão formar quadrilhas em vez de times. Facções, comandos. Financiados por cartéis e pelo crime organizado.
Há algo de muito doentio acontecendo com esses jovens milionários da bola. Posam com metralhadoras em punho, escoltados por traficantes.
Ninguém tem culpa de ter sido amigo de infância de um futuro sequestrador. É digno não negar as origens. Mas daí a se misturar com bandido há um abismo tão absurdo quanto o salário que recebem.
Jogador famoso tende a se comportar como gângster, cercado de mulheres, luxo e bajuladores. Casam-se como reis, separam-se como plebeus. Agridem esposas e acumulam amantes, filhos e carrões.
Claro que alguns escapam dessa tentação. Mas é raro o que tenha vindo da miséria e se tornado modelo de comportamento. É difícil dar bom uso ao dinheiro fácil.
Haveria alguma saída se a cartolagem não fosse quase sempre da mesma laia. Se a imprensa não os tratasse como meninos carentes. E se não houvesse tantas crianças querendo estar no lugar deles.
É preciso dizer: o futebol corrompe.
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