19 julho 2010
Lucio Flávio, o criminoso carioca que virou filme, sempre pregava: “Polícia é polícia. Bandido é bandido”. Mas faltou completar: “E jornalista é jornalista”.
Faz sentido, não é? São as típicas atividades que não deveriam se misturar. Para o bem de todos e felicidade geral da nação.
Sei que dá audiência, as pessoas adoram, mas quando vejo no noticiário imagens exclusivas que só podem ser conseguidas com a ajuda de policiais, meu nariz reclama. Não cheira bem.
Antes que venham com essa de furo de reportagem, uma sugestão ao prezado leitor: se pergunte qual o interesse da polícia em vazar esse tipo de informação.
Oito em dez vezes, a resposta é um casamento de vaidade e ambição. O “doutor” quer estar de bem com a mídia. Fica sonhando com seus minutos de fama nos programas vespertinos que dependem de assassinos e crimes hediondos.
Para chegar ao horário nobre, então, muitos nem medem conseqüências. Já houve até jornalista convidado a assistir sessões de tortura. Sim, aceitou.
Por mim, delegado só poderia dar entrevista coletiva. É constrangedor como alguns tiras ficam horas destilando suas versões sobre crimes ainda em fase de investigação.
Para eles, acusado é sempre culpado. Nunca vi um pedindo calma e prudência à opinião pública. É muito mais emocionante tratar a todos como sociopatas. Quem assumiria estar destruindo a vida de um inocente?
Os jornalistas que se virem. Lugar de bandido é na cadeia. E de delegado, na delegacia.
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