20 julho 2010

Quando um crime repercute na mídia, os sentimentos mais primitivos florescem à luz das câmeras de TV. E se propagam pelas ondas do rádio e nas páginas dos jornais e revistas. Como se fosse uma epidemia de rancor e fúria.

Desocupados vão para a porta das delegacias gritar ordens de linchamento. Gente má. Policiais fazem pose de soldados em guerra. Patéticos. Funcionários medíocres se comportam como exímios investigadores. Mentirosos.

Se alguns delegados são movidos pela vaidade mais mesquinha (leia mais aqui), alguns advogados não perdem a oportunidade de serem perversos e doentios. Não têm escrúpulos, nenhum desses.

ercio quaresma O advogado contribui para o circo mórbido

No meio da calhordice toda, aparece o advogado do goleiro Bruno para contribuir com a imundice. Sem medir as palavras, pisoteando na dor alheia, vociferou, sobre a vítima, duvidando que esteja morta:

- A mãe dela a abandonou em tenra idade. O pai dela, segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, é estuprador. Olha o histórico dessa moça. Ela era atriz pornô, trabalhava em produções pornográficas, era profissional do sexo.

Que dissesse isso na frente de um júri, já seria lamentável. Mas ok. A OAB dá carteirinha para quem bem entender. Agora, para que expor argumento tão sórdido diante um microfone?

Uma coisa é o direito de defesa. Todo mundo o tem, e da forma mais ampla possível. É uma conquista da civilização. Zelemos por ele. Nunca se sabe o dia de amanhã.

Agora, o que não pode é advogado agir como facínora. Ou um celerado cuspindo em cima de um cadáver. Suposto ou não. Um doutor propagando a estupidez como se isso fosse um direito? Não. Não é.

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