5 agosto 2010

O que o MEC está fazendo com o Enem é uma avacalhação. Poderia buscar uma palavra mais elegante, tipo descalabro. Mas não ia dar conta. O troço está mesmo indo pro brejo.

O Exame Nacional do Ensino Médio veio para mudar radicalmente a forma de acesso ao ensino superior. Tinha tudo para dar uma pancada na indústria de cursinhos e vestibulares fajutos que pululam por aí.

Mas nem. Depois de ser vergonhosamente fraudado na última edição, agora descobrem que vazaram os dados pessoais de 12 milhões de inscritos no exame.

Credibilidade é tudo. O ministro Fernando Haddad foi reprovado nessa questão. E não foram poucas as alternativas anteriores.

Criar sistemas de avaliação se tornou a única atividade relevante do MEC. Esse tipo de gestão nasceu com o Paulo Renato, era FHC. Nem mérito do PT é. Nem.

E nem podemos ficar parados olhando o MEC fazer de conta que não aconteceu nada de grave. Mais uma lambança dessas e o exame cai em total descrédito.

Ainda aparece um candidato propondo que o Enem passe a ser responsabilidade da Polícia Federal. Com reforço do Exército. Se é para avacalhar, por que não?

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5 agosto 2010

O tucanato paulista está prestes a consumar mais uma obra-prima da incompetência administrativa. O desmanche da TV Cultura está engatilhado e parece irreversível. Leia aqui o furo do colega Daniel Castro.

O comunicado oficial alega que a TV Cultura "perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente". Ah, é? Perdeu quando? Nas mãos de quem? Leia aqui.

Conseguir transformar um exemplo de TV pública em um amontoado de fracassos não é obra de um único governo. Demora anos. Eles foram perseverantes. Só não privatizaram aquilo para não dar muito na cara.

Não por acaso o governador Serra deixou na presidência da emissora um economista especializado em terra arrasada.

João Sayad não sabe a diferença entre Cocoricó e Vila Sézamo, mas aprendeu como poucos a tirar mesada de criança. E vai demitir, seja o Júlio ou o Garibaldo.

Por mais incrível que seja, a fase gloriosa da Cultura foi durante o governo Quércia. Há longínquos 20 anos, quando o presidente da Fundação Padre Anchieta era Roberto Muylaert. Então qualquer um pode.

Isso só aumenta a vergonha e desmascara o assassinato lento e premeditado que todos os sucessores perpetraram. Fleury, Covas, Alckmin, Serra. Pode botar todos no mesmo saco e jogar no Tietê que eles juraram despoluir.

Um país democrático precisa de uma boa TV pública. É uma necessidade. O Brasil tem tido governantes incapazes de promover isso. Porque eles gostam é de TV estatal. Chapa-branca.

O governo Lula também entra nessa chacina. A TV Brasil foi um sonho de alguns homens de bem enterrados vivos na vala comum do governismo. Nem chegou a nascer e já é velha.

Mas no caso da TV Cultura é diferente. Ela era boa, divertida, talentosa, inovadora. Útil. Foi deixada ao relento e morta por inanição. Por quem? Pelos que hoje dizem que vão salvá-la. Mentira.

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