16 agosto 2010

O momento mais esperado chegou. Começa nesta terça (17) o horário eleitoral gratuito. Agora nossas vidas voltam a ter sentido. Viva a democracia brasileira.

É um privilégio poder sentar com toda a família reunida em frente à TV para exercer acidadania em sua plenitude. O ápice. Não é?

Melhor que assistir aos programas, só mesmo encontrar-se depois com os amigos e discutir ponto por ponto as propostas dos candidatos. Como são ricas, originais, inteligentes, brilhantes.

Esse modelo de propaganda eleitoral é um requinte. Assim como toda a legislação sobre o assunto. Só falta proibir a eleição propriamente dita. É uma ideia...

voto Horário eleitoral, um campeão de audiência

Foto: Getty Images

Criaram um modelo em que o poder econômico prevalece. Afinal, quem quer pobreza? Basta a do povo brasileiro.

O voto obrigatório é a coluna vertebral dessa patacoada toda. É nossa maior reserva de mercado. Sem isso, a turma do palanque ia ter que se virar bonitinho.

Porque tem gente que se importa com o debate político. Sério. Assim como há os que não ligam a mínima para futebol. Juro. Matam no pleito e entram na cabine com voto e tudo.

A consciência ideológica do nosso povo vem amadurecendo. É um fato. E poderíamos avançar ainda mais. Os 20 mil candidatos que entram no ar amanhã bem que podiam ajudar.

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13 agosto 2010

metro1 Rico não gosta de metrô na porta de casa

Foto: Getty Images

De onde menos se espera é que não vem nada mesmo. A frase, do Barão de Itararé, deveria virar placa na futura estação de metrô Angélica, em Higienópolis, bairro de São Paulo até então considerado nobre.

O problema é que lá tem um povinho que é contra a obra. Que mentalidade mais pobre, não? Ser contra transporte público é coisa de gente sem nenhuma educação. Isso vem de berço, não adianta.

Os que sabem escrever fizeram um abaixo-assinado, que corre pelas portarias dos embolorados edifícios do pedaço. Quem assina é aquele tipo de senhora que mais parece megera de programa humorístico.

Uma psicóloga entrevistada disse que metrô atrai "gente diferenciada", tipo "drogados e mendigos". Vou marcar uma consulta com essa sumidade. Faço questão de chegar de Porsche, para ela achar que sou normal.

Essa turma é grossa e desinformada, mas limpinha. Daria até pra conversar, mas a surdez avança junto com a idade. Você fala uma coisa e eles ouvem o que bem entendem.

Depois reclamam. Vivemos em um país injusto, é verdade. Principalmente porque os mais privilegiados são os mais ignorantes. Bastaria retribuir, ignorando-os.

Às vezes, é mais divertido prestar atenção na maneira como eles se movem. De metrô que não é. Mas é bem rasteiro. E, no fim, todo mundo se encontra embaixo da terra.

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11 agosto 2010

cell phone blog Argentinos poderiam nos ensinar a tática do boicote

Os hermanos argentinos estão organizando um boicote contra as altas tarifas dos celulares. No dia 21 de agosto eles pretendem desligar os aparelhos das 12h às 13h. Imagina se a moda pega por aqui?

Pagamos a segunda tarifa telefônica mais cara do mundo. Vice-campeão ninguém respeita, mas nesse caso é para lamentar mesmo. Leia aqui.

Ainda assim, ninguém reclama. Falta uma iniciativa como essa para que o pessoal do outro lado da linha se toque. É um roubo.

O problema é que aí teríamos que organizar uma agenda para protestar contra os demais escalpos que sofremos. TV a cabo, por exemplo. É 171% mais cara que a dos argentinos. Uma goleada. Leia aqui.

E os automóveis? Os impostos que pagamos chegam a duplicar o custo final de um zerinho, em comparação com o México, para quem exportamos!

Queria ver ninguém comprar carro até que o governo tomasse outra direção e freasse a fúria arrecadatória. Difícil, né?

Falta um mínimo de civismo em nossa cultura de consumidores. Pagamos pra ver qualquer negócio. Luz, água, pedágio, diária de hotel, passagem aérea, celular...

É um massacre diário e silencioso. E o rebanho segue, impávido, para o abate. Quem sabe agora que Maradona vem dirigir um clube brasileiro...

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9 agosto 2010

O show business entrou em desespero. Depois do lançamento da biografia de Justin Bieber (leia mais aqui), não há mais nenhum degrau abaixo. Já começaram a cavar a própria cova.

Que esse mundinho é fútil e efêmero, todos sabemos. Mas poderia ter um limite para a falta de assunto. Afinal, o que pode haver para contar sobre um garoto de 16 anos? Não bastava uma mensagem de Twitter?

Mais espantoso é que haverá quem compre o bagulho. Provavelmente, sem nem ao menos saber ler direito. Virá o livro escrito em emoticons e abreviações? Seria uma blz. icon wink Justin Bieber prefere pirulitos .

Duvidam? Leiam os comentários. É de chorar. De rir.

Justin Bieber grosby hg 201001221 300x300 Justin Bieber prefere pirulitos

Foto: The Grosby Group

Posso estar sendo implicante. Talvez o jovem cantor nos surpreenda ao confessar que não gosta de sorvetes. Prefere pirulitos. Ficaremos chocados ao descobrir em que colégio ele estudou? Que notas tirava?!

O mais estarrecedor dessa iniciativa é ser uma biografia autorizada. Se bem que difícil seria alguém se dar ao trabalho de investigar a vida do fedelho em busca de algum segredo.

No máximo, descobriríamos que seus hormônios ainda estão em desenvolvimento. Ou que ele jamais ouvi falar em Luan Santana. Podiam, pelo menos, entregar o nome do cabeleireiro que fez aquilo na cabeça dele. Pobre criança.

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+ E nem para fazer o Enem o MEC presta?
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5 agosto 2010

O que o MEC está fazendo com o Enem é uma avacalhação. Poderia buscar uma palavra mais elegante, tipo descalabro. Mas não ia dar conta. O troço está mesmo indo pro brejo.

O Exame Nacional do Ensino Médio veio para mudar radicalmente a forma de acesso ao ensino superior. Tinha tudo para dar uma pancada na indústria de cursinhos e vestibulares fajutos que pululam por aí.

Mas nem. Depois de ser vergonhosamente fraudado na última edição, agora descobrem que vazaram os dados pessoais de 12 milhões de inscritos no exame.

Credibilidade é tudo. O ministro Fernando Haddad foi reprovado nessa questão. E não foram poucas as alternativas anteriores.

Criar sistemas de avaliação se tornou a única atividade relevante do MEC. Esse tipo de gestão nasceu com o Paulo Renato, era FHC. Nem mérito do PT é. Nem.

E nem podemos ficar parados olhando o MEC fazer de conta que não aconteceu nada de grave. Mais uma lambança dessas e o exame cai em total descrédito.

Ainda aparece um candidato propondo que o Enem passe a ser responsabilidade da Polícia Federal. Com reforço do Exército. Se é para avacalhar, por que não?

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+ O assassinato da TV Cultura foi premeditado
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5 agosto 2010

O tucanato paulista está prestes a consumar mais uma obra-prima da incompetência administrativa. O desmanche da TV Cultura está engatilhado e parece irreversível. Leia aqui o furo do colega Daniel Castro.

O comunicado oficial alega que a TV Cultura "perdeu audiência, qualidade e se tornou cara e ineficiente". Ah, é? Perdeu quando? Nas mãos de quem? Leia aqui.

Conseguir transformar um exemplo de TV pública em um amontoado de fracassos não é obra de um único governo. Demora anos. Eles foram perseverantes. Só não privatizaram aquilo para não dar muito na cara.

Não por acaso o governador Serra deixou na presidência da emissora um economista especializado em terra arrasada.

João Sayad não sabe a diferença entre Cocoricó e Vila Sézamo, mas aprendeu como poucos a tirar mesada de criança. E vai demitir, seja o Júlio ou o Garibaldo.

Por mais incrível que seja, a fase gloriosa da Cultura foi durante o governo Quércia. Há longínquos 20 anos, quando o presidente da Fundação Padre Anchieta era Roberto Muylaert. Então qualquer um pode.

Isso só aumenta a vergonha e desmascara o assassinato lento e premeditado que todos os sucessores perpetraram. Fleury, Covas, Alckmin, Serra. Pode botar todos no mesmo saco e jogar no Tietê que eles juraram despoluir.

Um país democrático precisa de uma boa TV pública. É uma necessidade. O Brasil tem tido governantes incapazes de promover isso. Porque eles gostam é de TV estatal. Chapa-branca.

O governo Lula também entra nessa chacina. A TV Brasil foi um sonho de alguns homens de bem enterrados vivos na vala comum do governismo. Nem chegou a nascer e já é velha.

Mas no caso da TV Cultura é diferente. Ela era boa, divertida, talentosa, inovadora. Útil. Foi deixada ao relento e morta por inanição. Por quem? Pelos que hoje dizem que vão salvá-la. Mentira.

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3 agosto 2010

chacrinha blog1 266x300 Globocópia, a gente se revê por aí

Chacrinha já dizia: na TV nada se cria, tudo se copia. O velho era um gênio, criou esse bordão em plena Rede Globo. Logo ela, que sempre se achou a primeira bolacha do pacotinho.

Neste domingo à noite, o Velho Guerreiro teria dado uma buzinada na orelha da Velha Senhora. Vocês querem bacalhau? Pois vejam só.

O programa semanal da Record, Domingo Espetacular, criou, há um ano, um quadro chamado "A Grande Reportagem". Nada mais que uma matéria de fôlego para quem gosta de se aprofundar num assunto.

E não é que a Globo achou bacana? Teresinha! Uhu! Foi espetacular o que vi domingo dentro do Fantástico.

Às 22h54, de boca cheia, Patrícia Poeta chamou a “grande” atração do programa: “Veja agora na Grande Reportagem do Fantástico”.

Alô? Alô? Teresinha? Como assim? Meia hora antes, eu havia assistido na Record à mesma chamada. Igualzinha. Com vinheta e tudo. Duvida? Veja os vídeos e como a gente veio ao mundo para aprender a ser humilde:

Lá se foram no Fantástico 20 minutos de aborto ilegal. Vinte. É mesmo de matar. Fiquei confuso. Quem copia quem? Quando vi o Domingo Espetacular pela primeira vez quase me fizeram acreditar que a Record havia copiado a Globo.

Mas dessa vez não: foi mesmo a Globo que copiou. Na cara dura.

Alô! Alô, Teresinha! Roda! Roda!

Verdade seja dita: quando as outras emissoras copiam a Globo, são tachadas de incapazes, subprodutos, sem ética. Quando a situação se inverte, é uma lição de ousadia. Criatividade.

Alô! Alô, Teresinha! Um minuto pro comercial.

Faz tempo que reportagens do Fantástico não passam de cinco, seis minutos. Mais que isso seria um atentado ao tal padrão de qualidade. Jornalismo Tico e Teco. Bobagem o que pensa o telespectador.

Os sábios ficam olhando as outras emissoras de longe, com aquela cara de tédio. De vez em quando descem do pedestal e vão ver o que o povo está falando nas ruas. Voltam mais enfastiados ainda.

Mas são pagos pra isso. Mesmo que nunca admitam, o mundo não nasceu nos seus umbigos. O que é bem feito merece respeito. O que é bom a gente copia. Faz parte. Pode recopiar. Recopia, vai.

Também dou uma sugestão. Que tal rebatizarem o helicóptero da emissora? Globocópia não seria um nome mais bonitinho? E o slogan? A gente se revê por aqui!

Tem gente que veio para confundir. E não para explicar. O Velho Guerreiro daria boas risadas.

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