29 setembro 2010

Esta semana entrou para a história do jornalismo botocudo. No domingo, 26, os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, cada qual no seu quadrado, caíram do muro e tascaram porrada no Lula. Assim que é bom.

Cara a cara. Na bucha. Sem rodeios. Não gostam dele e pronto. O Estadão foi mais atrevido e manifestou apoio ao Serra. Não que não soubéssemos. Mas é melhor quando o óbvio fica evidente.

Pena que o editorial de declaração de voto do Estadão seja tão mal redigido. A ocasião merecia mais solenidade. Não deviam deixar o dono escrever nessas horas. Pagam redator pra quê?

O editorial da Folha, na primeira página, todo pimpão, é mais limpinho, mas nem por isso deixa de ser meio doidão, esquizofrênico. Fica enrolando meia hora naquela conversinha de ser apartidário, independente e ruralista. Algo assim.

Só diz a que veio no último parágrafo. A chefia mandou pegar pesado. Sem nenhum constrangimento, dão um pito no atual presidente. E na futura. Ato falho: acreditam que tudo se resolve no primeiro turno.

Com um tom bem mal-educado, descascam essa: "Fiquem ambos advertidos, porém, de que tais bravatas somente redobram a confiança na utilidade pública do jornalismo livre".

Depois, dão chilique de novo: "Fiquem advertidos de que tentativas de controle da imprensa serão repudiadas". Ui.

Se falam com o dirigente máximo da nação assim, imaginem como tratam os funcionários. E ainda vêm com esse papinho de bravatas. Olha quem diz. Fanfarrões.

Teve gente que ouviu na sala mais imponente da Folha que o jornal dará a manchete que seria o tiro de misericórdia na campanha da Dilma. A bala de prata. Seria bem divertido ver isso.

Nada como a liberdade de imprensa. Só em um país democrático, no pleno estado de direito, jornais podem enfiar o dedo na cara do presidente da República. "Numa nice", como diria o Serra. Como tem que ser.

Declarar voto a favor e voto contra é positivo e transparente. Agora só faltam O Globo, a Globo e a Veja. Cada qual no seu quadrado, bem apertadinho.

Fiquem os leitores advertidos: imprensa livre é bom e eu gosto! Pena que estejam todos de um lado só. Para que ser livre, então?

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28 setembro 2010

hipertensao blog1 Compra se TV que sintonize a Globo. Favor entregar na Editora Abril

Participante pega, com a boca, olho de boi dentro de aquário cheio de larvas em Hipertensão

Que a revista Veja é uma pobreza, sempre soube. Mas não a ponto de precisarmos fazer uma vaquinha para ajudá-la a comprar um televisor que sintonize a Globo.

Semana sim, semana também, a publicação quer ensinar os outros a fazer TV de qualidade, já que jornalismo impresso eles não conseguem. Na edição desta semana, a revista da marginal subiu no palanque para criticar o que considera “apelativo”, “humilhante” e “impiedoso” na programação da Record e do SBT. Nenhuma linha sobre a Globo.

Deve ser mania de oligopólios. Eles que se acham grandões e intocáveis devem se entender muito bem. Até combinam. Devem se ver por aí.

Falta de sintonia com a emissora que não é. O que falta é eles sintonizarem o canal da Velha Senhora para aprender o que é sensacionalismo de qualidade.

Até o Faustão já pediu desculpas por fazer seu serviço, quando expôs seus anões e seu circo de domingo. E Hipertensão? A nova "sensação" de Boninho e sua trupe já bastava para demonstrar o quanto a reportagem foi parcial.

Esse programa é o requinte da crueldade. Outro dia, vi uma pizza de larvas com olho de boi sendo engolida em meio a vômitos dos participantes ao lado. Sem cortes. Quanta elegância! O site do programa descreve uma prova da seguinte maneira, bem acadêmica: "Na Prova de Eliminação desta quinta-feira, os temidos olhos de boi vieram acompanhados de miolos. Os quatro participantes na berlinda tiveram que se ‘deliciar’ no tempo máximo de dois minutos. Quem demorou mais para estourar os olhos e em seguida comer o cérebro foi o perdedor".

Estourar os olhos e o cérebro do telespectador parece ter virado especialidade da atração.

A diferença é que eles escolhem garotões sarados e mocinhas bem nascidas para o papel de cretinos. Se o elenco tiver a cara da elite branca, então pode?

TV aberta é entretenimento. Quando dá, presta serviço e informa. É um mundo difícil, para estômagos e mentes fortes. O povo quer se divertir, e tem esse direito.

Nessa hora, aparece uma revista iluminada e diz o que é bom e o que é ruim. Acusam o Lula de agir como messias, mas não perdem a chance de abrir o Mar Vermelho. Para a Globo passar.

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24 setembro 2010

Está na hora de contratar Wanderley Luxemburgo. Enfim, esse homem atingiu o ápice de sua carreira. Dirigentes, corram: agora, sim, ele é o maior técnico do Brasil.

Agora, ele sabe tudo de futebol. Depois de tanta humilhação, de acumular tantos fracassos, tantas derrotas, esse homem aprendeu a lição. Conquistou o que sempre lhe faltou: humildade. (Leia mais aqui).

Luxemburgo é capaz de salvar o Palmeiras, colocar o São Paulo nos trilhos, cobrir de glórias o Flamengo. Ele pode abraçar o Neymar e falar, de coração: "Não seja assim, meu filho. Não vale a pena".

Wanderley Luxemburgo Agora, sim, Luxemburgo é o melhor técnico do país

Foto: Gazeta Press

Com certeza, ele jamais voltará a ser arrogante, autoritário, ganancioso e egocêntrico. Nunca mais montará times com equipes técnicas caríssimas e jogadores mercenários. Não mais se cercará de bajuladores.

Wanderley Luxemburgo é um novo homem, acreditem. Capaz de viver o futebol em sua plenitude, na simplicidade de um boleiro, como na época do Bragantino.

Redenção. Luxa foi purificado na bacia das almas. Vai se reerguer, segurando a taça dos derrotados. Ele está pronto pra outra.

A clemência é uma espada que cravamos no peito de quem já está morto. Não existe humildade sem humilhação. O sucesso e o fracasso contam a mesma mentira. Seja bem-vindo, Luxemburgo.

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23 setembro 2010

lula filho brasil Filme sobre Lula deveria ganhar Oscar de defeitos especiais

O filme Lula, o Filho do Brasil foi escolhido por uma comissão de especialistas para representar nosso país na disputa por uma vaga ao Oscar de Melhor Estrangeiro em 2011. O longa foi eleito por unanimidade.

Enlouqueceram ou são puxa-sacos mesmo? Que vergonha. O filme é de uma ruindade constrangedora. Vamos ser motivo de chacota internacional.

Eu tentei gostar do filme. Juro. Mas não dá. É ruim demais. Não se salva nada. Roteiro, diálogos, direção, atores. Nada.

O diretor, Fábio Barreto, esperava fazer 10 milhões de espectadores. Só se tivessem distribuído Bolsa Família na porta do cinema. E energético. Não chegou aos 3 milhões. Fiascou.

Na época do lançamento, a oposição ficou preocupada. Para variar, disseram que era propaganda política. Bobagem. Se dependesse disso, o Lula não elegeria nem seu sucessor na Presidência.

A preocupação em não mostrar nada negativo torna o filme uma mentira. Assassina a história do Brasil, humilha a resistência à ditadura, transforma seres humanos em caricaturas patéticas.

É preciso estar muito deprimido para se emocionar com a história de um homem sem nenhum conflito, nenhum defeito, nenhuma fraqueza. Nenhum caráter?

Mas a trapaça é mal feita e Lula se torna um chato, um bundão, um pelego, um zé ninguém. Jamais saberemos quanto o roteiro se baseou na vida real.

O filme foi feito sem um único centavo de dinheiro público. Mas nos patrocínios estão os mais notórios financiadores de campanhas políticas do país.

Piada pronta. No lugar da Lei Rouanet, a Lei do Colarinho Branco: “Este filme foi totalmente produzido com recursos de Caixa 2”.

Agora, raiva mesmo dá para sentir lá pelas tantas. Minutos depois de catar a Cléo Pires no tanque da laje, o Lula encontra a Juliana Baroni e diz que ela é a mulher mais linda que ele já conheceu. Dá para acreditar numa mentira dessas?

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21 setembro 2010

É evidente que o caos no metrô paulista foi sabotagem da turma do PT. Como bem observou a ex-vereadora Soninha, isso faz parte de um plano para garantir o segundo turno em São Paulo. E eleger a Dilma, claro.

Um usuário do Twitter reforçou a tese: há anos, o partido manda milhares de militantes lotarem o metrô da zona leste todos os dias para desestabilizar o transporte público paulista.

A Folha de S.Paulo vem cobrindo muito bem esse tipo de assunto. O Globo também dá sua contribuição diária. Até dia 3 de outubro, haja criatividade. Azar deles, são pagos pra isso.

O jornalismo investigativo contra a candidata do Lula vem recebendo ampla aceitação popular. Até se formou uma brigada de voluntários para garimpar manchetes conspiratórias.

Graças a esses repórteres brincalhões, ficamos sabendo que Dilma causou a Guerra do Iraque e a convulsão de Ronaldo na Copa de 1998. E, sim, foi ela quem matou Salomão Ayala e Odete Roitman.

Felizmente, ainda temos gente engraçada neste país. Porque, para enfrentar a troca de acusações em período eleitoral, é preciso ser profissional do bom humor.

Depois reclamam do Tiririca. Preconceito das elites. Ele vai receber uma votação expressiva por simbolizar a profissionalização do Legislativo. "Chega de amadorismo" será o recado das urnas.

O povo quer se sentir representado em Brasília. Na hora do escracho, não podemos depender exclusivamente da imprensa nativa. Já basta a vida difícil que a gente leva. Temos o direito de criar nossas próprias piadas.

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17 setembro 2010

New Image1 Na hora da notícia, é proibido ser ingênuo

Foto: Julia Chequer/R7

 

No debate do R7 e Record News com os principais candidatos a vice, fiz uma pergunta ao companheiro de chapa de José Serra, deputado Índio da Costa: 

 

"A revista Carta Capital publicou uma reportagem afirmando que a empresa da filha do candidato Serra, Verônica, expôs os dados bancários de 60 milhões de brasileiros. 

O então presidente da Câmara, Michel Temer, em 2001, enviou ofício ao Banco Central cobrando explicações sobre essa quebra de sigilo. O senhor não ficou indignado com essa denúncia?". 

A resposta dele foi singela: "Não leio Carta Capital". E pronto, mudou de assunto. Ficou por isso mesmo. Se fez de surdo, ignorou a pergunta e continuou a ladainha dele. Mesmo com o Temer, vice da Dilma, ô mundinho pequeno, confirmando o fato. 

Entender como funciona a política a gente meio que consegue. Funciona mal. O que pode gerar alguma discussão é como se comporta a imprensa brasileira em época de eleições. 

Se comporta muito mal. Os barões da mídia montam uma orquestra afinadíssima. Pena que a música que eles tocam seja tão ruim. 

Estamos acompanhando a sucessão de denúncias contra o PT. Bem feito. Seria ótimo para a democracia extirpar funcionários corruptos. Melhor ainda se for uma ministra da Casa Civil. 

Roubou, fez tráfico de influência? No caso, bastavam os indícios para demitir: funcionário público de alto escalão tem mais é que ser e parecer honesto. Depois prove a inocência. A vida é cruel. 

Não se trata, portanto, de sair em defesa de ninguém. Essa turma sabe muito bem se defender sozinha. O que interessa é prestar atenção em como os jornais se unem na calada da noite e nas manchetes do dia. 

Como uma denúncia tão grave como a de Carta Capital não recebe nenhuma atenção dos outros veículos? 

Perguntado sobre isso, Eliane Catanhêde, jornalista da Folha de S.Paulo respondeu: "Muito simples: porque a Carta Capital não tem credibilidade". 

Não é que é simples? Pronto. Mude de assunto. Fique por isso mesmo. Se faça de surdo, ignore a pergunta e continue cada um com sua ladainha. 

Deixar perguntas sem resposta. Desqualificar o adversário para fugir de uma denúncia. Se fazer de morto. Essas táticas de dissimulação a gente já conhece. 

Tem que ficar esperto, isso sim. Cada um que saiba muito bem onde está metendo o bedelho. Quer ler jornal, leia. Quer ver o noticiário da TV, bom proveito. 

Só está proibido uma coisa: ser ingênuo. Isso é eliminatório. Ainda mais se você for leitor, ouvinte ou espectador. Se liga aí. 

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14 setembro 2010

Não é por acaso que o senso comum diz que político é tudo igual. Só muda o partido. Até os privilégios e falcatruas são os mesmos.

O PSDB, por exemplo, adora dizer que o PT aparelhou o Estado, loteou cargos entre apadrinhados e empesteou o governo com seus militantes. Uma vergonha.

Verdade. Pena que os tucanos façam exatamente a mesma coisa quando o Diário Oficial é escrito por eles. Igualzinho. Uma vergonha.

Os exemplos são tamanhos que causa espanto a desfaçatez com que eles esfregam o dedo acusador no focinho do inimigo.

Em uma única manhã de trabalho, pela internet, deu para levantar uma dezena de nomes de tucaninhos que são amparados pelos tucanões do governo de São Paulo.

Quando cheguei ao 15º nome, em meia hora de Google, fiquei entediado e parei.

Nada pessoal, nem questão de competência, mas vejam só a turma de carteirinha que praticamente só vive de cargos nomeados há anos, sempre em gestões do PSDB:

Carlos Eduardo Sampaio Doria, por exemplo, é advogado. Foi deputado federal. Perdido o mandato, como ele não se aperta, virou diretor da Agência de Transportes do Estado desde 2003. E presidiu a Telesp de 1993 a 1998. Entendi.

Raul Christiano é jornalista, mas topa qualquer parada, desde que comissionado. Fundador do PSDB, tem, literalmente, uma folha de serviços prestados ao partido. Até na Sabesp ele militou.

Antonio Carlos da Silva foi prefeito de Caraguatatuba e deputado estadual. Com essa bagagem toda, virou diretor técnico da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo).

Na mesma linha, pesquei os nomes de Gesner de Oliveira, Felipe Soutello , Geraldo Biasoto Jr., Otávio Azevedo Mercadante , Roger Ferreira, Thomaz de Aquino Nogueira Neto e Manuelito Pereira Magalhães Júnior.

Não falei que era chato? Agora vamos aos nomes de alguns secretários do governo que são políticos profissionais: Guilherme Afif Domingos, Bruno Caetano, Paulo Renato Souza e José Benedito Pereira Fernandes.

Até o Geraldo Alckmin, quando ficou desempregado, foi bater na porta do governo do Estado. Abriram. E o mandaram sentar na cadeira de secretário do Desenvolvimento. Para que servem os amigos?

Deve ter mais gente, com certeza. Fiquei com preguiça, juro. Se alguém quiser continuar a pesquisa, bom proveito. Imagina nos segundo e terceiro escalões quantas surpresas nos aguardam.

Para mim está de bom tamanho e dá para afirmar que política é feita por políticos. Que cargo nomeado serve para botar a patota na boiada. Que a farinha vem do mesmo saco.

Por isso, quando um candidato faz discurso acusando adversário e pregando moral e bons costumes ninguém presta atenção. É mentira mesmo - conversinha.

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10 setembro 2010

A lei que obriga cadeirinhas para crianças nos automóveis é educativa em um sentido. Nos ensina o quanto o poder público se mete nas nossas vidas de forma irresponsável.

Sempre sob a alegação de zelar pela saúde dos cidadãos, o Estado não para de fazer as duas únicas coisas que sabe: proibir ou obrigar. Virou uma praga.

Mas nesse caso, a incompetência foi demais. Ficou evidente que eles estão brincando de legislar, por incapacidade de criar ações efetivas e funcionais.

As multas, claro, já começaram a estalar nas costas do contribuinte. Nisso eles são primorosos. E implacáveis. Mesmo que sejam claramente injustos e arbitrários.

A sucessão de equívocos deveria constranger nossas autoridades a revogar imediatamente essa lei. A começar pela falta do equipamento nas lojas.

Isso seria detalhe diante da maior barbeiragem: liberar táxis, ônibus e vans da obrigatoriedade da cadeirinha. É um requinte de estupidez.

Um casal foi multado por estar sem o bagulho no banco de trás. Pois o pai foi obrigado a deixar o carro e levar a criança para casa de... ônibus. Não é genial?

No busão lotado, sacolejando, com aqueles motoristas malucos, aí pode. Ou no táxi caríssimo, com o bebê no colo, tudo bem.

E outra. Por que a lei manda reter o veículo no caso de infração? Não bastava retirar a criança por medida de segurança? Maldade não tem limite.

Só sei que não vão parar por aí. Aguardem as próximas ideias mirabolantes dos nossos tecnocratas. Pode ter uma certeza: eles vão nos proibir de alguma coisa. Ou obrigar.

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8 setembro 2010

Todo político diz que educação é prioridade. Todos mentem. Do ensino fundamental ao superior, o que vemos é uma tragédia.

Um dos atestados de nossa vergonha é o número de analfabetos neste país. O governo acaba de divulgar que 9,7% dos brasileiros com 15 anos ou mais não sabe ler ou escrever. O MEC comemora, acredita?

São 14 milhões de brasileiros. Vítimas do descaso dos poderosos, testemunhas de uma omissão coletiva, seres humanos condenados a viver na mais estúpida escuridão.

Se somarmos a eles os 20 milhões de analfabetos funcionais, temos 34 milhões de pessoas que não conseguem rabiscar um simples bilhete. São dados do IBGE.

Abrir os olhos de alguém para as letras, palavras e frases com as quais se constroem os nomes, endereços, sonhos e direitos de cada cidadão é um dever de todos nós.

Mas como eles não são vistos como mão-de-obra qualificável, ficam fora de todas as políticas econômicas e sociais. São largados ao relento, do lado de fora da cidadania.

O governo diz que vai acabar com o analfabetismo até 2020. Duvido. É só mais uma fanfarronice. Nada de relevante está sendo feito. Os esforços são mínimos, assim como os avanços.

Devem estar contando com a morte dos mais velhos. E vão continuar ignorando os analfabetos funcionais. Assim os números ficarão aceitáveis para os tecnocratas.

Educação é prioridade, sim. Deveria ser. Mas antes, precisaríamos acabar com a ignorância dos que nos governam. Mais uma tarefa gigantesca.

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3 setembro 2010

O festival de besteiras que assola o país continua. Não bastassem os palhaços voluntários, há aqueles que sem querer nos fazem rir.

De nervoso.

O candidato ao senado pelo obscuro PTC de São Paulo chama-se Ciro Moura. E se apresenta apenas como Ciro, número 360.

O cara é mistura de gênio da garrafa de pinga com professor aloprado. Seu slogan é "Para uma mudança de 360 graus, vote em Ciro". Não é estupendo?

Se tivesse frequentado as aulas de geometria, o candidato saberia que um giro dessa magnitude devolve qualquer objeto, inclusive ele, ao mesmíssimo lugar.

Talvez seja uma confissão premeditada. Para que depois o povo eleitor não diga que foi enganado. O improvável senador sabe que com ele não chegaremos a nada.

Pois o ilustre desconhecido se apresenta sem seu sobrenome, para que os desavisados o confundam com o xará cearense, o Gomes.

Só isso explica os 19% de intenção de voto que as pesquisas registram a seu favor (e contra todos nós).

O Moura faz essas gracinhas sem nenhum remorso. No horário eleitoral, aparece na penumbra e não abre a boca. Apenas um locutor, em off, pede votos para "o Ciro".

Se não for estelionato, sei lá que nome tem essa lambança. Como não vai dar certo, deixa quieto. Pior que tá não fica.

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