8 setembro 2010
Todo político diz que educação é prioridade. Todos mentem. Do ensino fundamental ao superior, o que vemos é uma tragédia.
Um dos atestados de nossa vergonha é o número de analfabetos neste país. O governo acaba de divulgar que 9,7% dos brasileiros com 15 anos ou mais não sabe ler ou escrever. O MEC comemora, acredita?
São 14 milhões de brasileiros. Vítimas do descaso dos poderosos, testemunhas de uma omissão coletiva, seres humanos condenados a viver na mais estúpida escuridão.
Se somarmos a eles os 20 milhões de analfabetos funcionais, temos 34 milhões de pessoas que não conseguem rabiscar um simples bilhete. São dados do IBGE.
Abrir os olhos de alguém para as letras, palavras e frases com as quais se constroem os nomes, endereços, sonhos e direitos de cada cidadão é um dever de todos nós.
Mas como eles não são vistos como mão-de-obra qualificável, ficam fora de todas as políticas econômicas e sociais. São largados ao relento, do lado de fora da cidadania.
O governo diz que vai acabar com o analfabetismo até 2020. Duvido. É só mais uma fanfarronice. Nada de relevante está sendo feito. Os esforços são mínimos, assim como os avanços.
Devem estar contando com a morte dos mais velhos. E vão continuar ignorando os analfabetos funcionais. Assim os números ficarão aceitáveis para os tecnocratas.
Educação é prioridade, sim. Deveria ser. Mas antes, precisaríamos acabar com a ignorância dos que nos governam. Mais uma tarefa gigantesca.
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