30 novembro 2010

Estava demorando. Mesmo com apoio irrestrito da comunidade, as ervas daninhas da PM do Rio agiram como bandidos, na tomada do Morro do Alemão.

Eles são minoria, mas conseguem contaminar a imagem da corporação. Tratam trabalhadores como marginais. Roubam, agridem, humilham. Se a mídia não estivesse marcando em cima, com certeza matariam inocentes.

Esses criminosos fardados acham que um pobre honesto não consegue comprar uma TV de plasma. Isso é privilégio de traficante, na cabeça preconceituosa desses soldados do mal. Quebraram várias, com tiros de fuzil.

Um casal deixou um bilhete com a vizinha, dando boas vindas aos policiais e autorizando a entrada deles para varredura no local. Quando voltaram, encontraram a TV destruída e a casa revirada.

Mais grave o caso de Ronai de Almeida Lima Braga Júnior. Os milicos roubaram dele R$ 31 mil, fruto de indenização trabalhista por oito anos de trabalho. Ele mostrou para repórteres os documentos da rescisão... E seus móveis destruídos pelo tsunami policial.

Várias denúncias de maus-tratos chegaram ao comando da Secretaria de Segurança Pública. Se forem minimamente inteligentes, vão apurar e punir com rigor essas condutas odiosas.

Quem mora em favela tem medo da polícia, todos sabemos. Mas a população, sabiamente, fez um armistício absoluto com a PM. Recebeu os soldados como se fossem heróis. É um momento único, que não pode ser desperdiçado.

Quando as câmeras de TV não estiverem mais no Morro do Alemão, esse lado sombrio das milícias pode voltar com a força que já conhecemos. A PM precisa proteger a população dos bandidos. E também, da própria PM.

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29 novembro 2010

invasao rio  Quantos “Alemães” existem no Brasil?
Policiais do Bope na Favela da Grota, no Complexo do Alemão - Foto: Wesley Santos/AE

 
Durante a última semana assisti a Tropa de Elite 3D. Exército, Marinha, Bope, Swat, Marines, CIA e KGB unidos contra o tráfico.

Exageros à parte, funcionou. Se os chefões continuam soltos, ao menos perderam território e com menos espaço não há união entre facções que resista.

Mas após o espetáculo cinematográfico, o que fica? De cara, uma pergunta: e os outros morros, as outras favelas? Quando o Estado vai subir em todos os complexos, colocar traficantes pra correr e restaurar a ordem?

Não falo apenas do Rio – escolha óbvia, mas das milhares de comunidades espalhadas por entre esgotos Brasil adentro.

O fato é que o Rio comprovou na prática o que qualquer cidadão honesto sempre pensou: só não derrota o crime organizado o governo que se omite e não cumpre sua função de garantir a lei.

Fácil, claro que não é. Mas impossível, também não. Demorou pra começar, isso sim. E vai demorar ainda mais para terminar. Portanto, não há mais tempo a perder.

Temos um país atolado de territórios ocupados por bandidos. Lugares que precisam ser invadidos pela polícia, pelo Exército, pelo poder público.

Ao fazerem seu trabalho, pela primeira vez, nossos governantes caíram numa cilada. Não há mais desculpas para aceitarmos viver como reféns de marginais.

A normalidade deve ser a regra. Nas ruas, quem deve mandar são as pessoas de bem.

Bandido é bandido. Não pode ser mais forte que a lei. Não pode valer mais que um trabalhador. Bandido cumpre a lei, não a faz.

É um belo alerta aos governadores eleitos e reeleitos. Se precisar, vamos invadir os palácios, ocupar as secretarias, sobrevoar as delegacias, obrigar os corruptos a fugir pelos esgotos.

Guerra é guerra.

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26 novembro 2010

Agora que Sir Paul McCartney se foi, e não corro o risco de ser linchado, é o momento de perguntar: o que foi aquele surto coletivo de bregueira?

A Vigilância Sanitária devia ter aproveitado e trancado por fora os portões do Morumbi. Colocava uma placa de sanatório na fachada e deixava a turma lá, cantando. O índice de caretice cairia a zero na cidade.

Todos sabemos que os astros do show bizz só vêm ao Brasil depois de se aposentar. Somos uma espécie de casa de repouso para roqueiros decadentes. Justin Bieber deve se apresentar por aqui por volta de 2060.

Porque, convenhamos, Beatles é música de velho. Não por acaso os componentes da banda eram todos uns tiozinhos. Muito adequados os suspensórios do Paul, inclusive. Já aquela guitarrinha de criança achei meio estranha. Embora minha avó também tenha umas manias parecidas.

E não me surpreendeu o tratamento histérico e servil que toda a mídia dispensou ao visitante. É sempre assim, uma vergonha. Tudo capacho. São capazes de qualquer humilhação para assistir a um show de graça.

Por isso ninguém comentou que o Paul perdeu a voz, desafina, toca mal. E tropeça, como todo idoso. Ele só não esquece as letras porque canta as mesmas músicas há 50 anos. E, qualquer problema, a plateia estava lá para cantar por ele.

E ficar levantando os bracinhos, naquela coreografia ridícula de programa de auditório. E teve gente que gastou 700 contos para pagar esse mico. Help me.

Como somos hospitaleiros, e Paul é de fato um lorde, todo mundo combinou de dizer que foi um espetáculo antológico, histórico e inesquecível. Coisa pro contar pros netos. Historinhas de vovô.

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23 novembro 2010

Alguém precisa ajudar o goleiro Bruno. Esse rapaz é muito mal assessorado. Depois de se livrar de um advogado dependente de crack, ele contratou outro polemista, lutador de muay thai, acusado de trocar socos com um ex-secretário estadual de Justiça (leia mais aqui).

Bruno já foi condenado pela opinião pública. Temos essa mania nacional de trocar tribunais por programas de TV sensacionalistas. Mas precisa viver perigosamente também na hora de se defender?

A Constituição garante que todos têm direito a um julgamento com amplo direito de defesa. Acho que isso não inclui roncar enquanto o juiz ouve testemunhas, como fez o primeiro "advogado do diabo" do boleiro, Ércio Quaresma.

O novo causídico é o doutor Claudio Dalledone Júnior. Gente fina. Antes de advogar, exercia as artes marciais como profissão. Bom de briga ele deve ser.

Será que não há sobrando por aí nenhum advogado calmo, elegante, sóbrio? Provar que Eliza Samudio não foi assassinada exigirá muito esforço intelectual, imagino.

Não vai ser no grito que os jurados ficarão convencidos de que Bruno é um bom rapaz. Se o advogado sai no tapa com a autoridade máxima da Justiça do Executivo Estadual, o que um humilde promotor público deve esperar?

Se algum internauta conhece o Bruno, frequentou aqueles bacanais na casa do jogador e bate na esposa (afinal "quem nunca saiu na mão com a mulher?"), telefone pro coitado. Dê alguns conselhos pro moço. É nessas horas que mais se precisa dos amigos. Liga pra ele, vai.

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19 novembro 2010

Foram tantas as histórias de pessoas prejudicadas pela "luz" de burocratas que resolveram enfiar o dedo na tomada dos brasileiros que resolvi republicar o post:

Se o amigo internauta comprou algum aparelho eletrônico ou eletrodoméstico este ano deve ter ficado tão furioso quanto eu. A maldita tomada com o novo padrão brasileiro começou a atormentar nosso dia a dia.

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial ficou com inveja do Congresso e decidiu ferrar com nossas vidas pacíficas. Trocaram o que estava normal por algo insuportavelmente pior.

Se parassem qualquer um de nós na rua, teríamos a resposta mais lógica e econômica. Precisa universalizar nosso modelo de plugue? Claro, boa ideia. Qual a melhor solução? Escolher algum dos modelos que já existem, que tal? O americano, por exemplo. Ou o europeu. Tanto faz.

Mas não. Os caras, óbvio, conseguiram achar uma proposta que desagradasse a todos. Criaram um padrão novo, que só existe no Brasil! Não são uns cretinos?

Só pode ter rolado alguma falcatrua. Alguém vai ganhar muito dinheiro trocando todas as tomadas de todos os lares brasileiros. São 40 milhões de domicílios com eletricidade no Brasil!

Já há um projeto de lei para acabar com essa norma de jerico. E ações do Ministério Público contra essa jumentice. Quem sabe daqui dez anos cheguem a alguma conclusão. Burra, claro.

Vai ser muito irritante, não duvidem. Havia decidido que era preferível enriquecer os fabricantes de adaptadores. Mas eles colocaram no mercado uns trecos bem vagabundos. Quebram, entortam, um horror.

Portanto, estamos cercados. Dá vontade de enfiar o dedo numa tomada velha e tomar choque pra ver se passa a raiva. Mas não façam isso! Já tentei. Não funciona.

Publicado originalmente em 25 de outubro.

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19 novembro 2010

A Justiça no Brasil é injusta. Feita pra ricos, redigida por bandidos e aplicada por representantes de uma elite arrogante e muito bem remunerada. Pronto, falei.

O resto é bobagem. Não temos direito de defesa ou presunção da inocência, a não ser para quem tem dinheiro para comprar advogados e seus escritórios repletos de tapetes importados e couro legítimo. Cafonas.

A mais recente indecência jurídica esfregada na cara de todos nós foi a libertação dos cinco mauricinhos que agrediram covardemente três pessoas em plena avenida Paulista. Fossem pobres, ainda estariam numa cela imunda ou num reformatório, após terem sido torturados por policiais sádicos.

Mas não. Segundo o juiz que os libertou, eles são de boa família, estudam em escolas bacanas, tiram boas notas e não oferecem perigo à sociedade.

Os playboys selvagens foram soltos porque a Justiça, apesar de todas as testemunhas e evidências, considerou que o que houve foi uma briga, e não um massacre covarde.

Quero ver o que vai dizer o nobre causídico ao ver as imagens absolutas gravadas por câmeras de um edifício. Duvido que peça desculpas. Nossos juízes, sim, têm imunidade para tudo. Inclusive para serem injustos. (Leia mais aqui).

E que dizer do argumento do advogado de defesa, ao afirmar que os riquinhos bem nascidos receberam uma "cantada" de um dos agredidos? Por esse motivo reagiram, coitados. E isso não é homofobia, de jeito nenhum. Deve ser coisa de machinhos, na cabeça doente desse cidadão contratado para mentir.

Tenho certeza que esses jovens cantam as meninas de seus colégios com tacapes e pensamentos imundos. Mas batem em homens, pelas costas, com lâmpadas fluorescentes. Hum. Bem boiola isso.

Eles sabem que não têm nada a temer. A Justiça vai protegê-los. São meninos puros e ingênuos. Pagam uma cesta básica ou prestam serviços numa ONG, fica por isso mesmo. Um futuro brilhante os aguarda. Vão se tornar advogados, juízes, pessoas de bem.

Vou parar por aqui. Tenho medo da Justiça.

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18 novembro 2010

O assassinato de mais um diretor do Sindicato dos Motoristas de ônibus de São Paulo é uma nova cena de um roteiro cada vez mais parecido com filme B sobre a máfia. O pessoal é da pesada. (Leia mais aqui).

José Carlos da Silva é o segundo sindicalista da turma morto em 18 dias. E o quinto na administração do atual presidente, Isao Hosogi. Em 18 anos, foram 14 casos de morte, sem solução pela polícia.

Pode ser que isso não seja uma briga de quadrilha ou queima de arquivo. Mas parece.

Os bons companheiros mortos pertenciam a um dos grupos sindicais mais poderosos do país. Um deles, o Serjão, assassinado em 25 de outubro, já havia procurado a Justiça para denunciar um suposto esquema de corrupção no sindicato.

Chegou a gravar um vídeo responsabilizando Hosogi por qualquer violência que viesse a sofrer. Isso não lembra fala de cinema ruim?

As concessões de ônibus em São Paulo movimentam quantias assombrosas. Muitas das greves da categoria sofreram suspeita de lockout, quando a paralisação é patrocinada por patrões. Difícil saber se há mocinhos entre tantos vilões.

Outros sindicatos no Brasil estão envolvidos em maracutaias e favorecimentos ilegais. Foi-se o tempo em que heroicos grevistas enfrentavam a polícia entoando o hino nacional e gritando "abaixo a ditadura".

O sindicalismo americano (olha a influência de novo) é um ninho de cobras há décadas. Lá não tem ideologia; é porrada mesmo. Ficam brigando por poder e dinheiro, como bons capitalistas que são.

A diferença é que, nos EUA, a polícia funciona quando quer. E eles têm um judiciário ágil e rigoroso. Por aqui, nem uma coisa nem outra. Só os bandidos estão se profissionalizando.

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17 novembro 2010

As eleições presidenciais tiveram o efeito colateral de reacender o preconceito de classe. O ódio (não há outra palavra) aos pobres saiu do armário, foi para as ruas e continua escorrendo pelos principais esgotos do país.

No dia da Proclamação da República, uma alma atormentada, que atende às vozes das trevas pelo nome de Luiz Carlos Prates, cuspia as seguintes declarações, durante o Jornal do Almoço, transmitido pela RBS, a Globo de Santa Catarina:


- Hoje, qualquer miserável tem um carro.

- O sujeito nunca leu um livro, mora apertado numa gaiola que chamam de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem.

- Resultado desse governo espúrio que popularizou, pelo crédito, o carro para quem nunca tinha lido um livro.

É o tipo de ignorância que nem merece piedade. O cara se afoga no vômito das próprias palavras. Nojento.

A democracia foi feita para que possamos expressar pensamentos livremente. Mas o que o comentarista ficou esbravejando não passa de rancor e desprezo.

Só gente como ele pode ter carro e viajar no feriado. Só a casa dele é decente. Só o candidato dele é bom. Só o dinheiro dele presta. Em resumo, é um babaca completo. Não só ele, mas também quem pensa parecido.

Infelizmente, como vimos durante a campanha eleitoral, há quem concorde com esse pensamento cretino. O que causa espanto é haver quem pague para que esse tipo de estupidez seja transmitido ao vivo pela TV. Há patrão para tudo neste mundo.

Melhor que a gente saiba onde essa turma se reúne. E nem passar perto desses miseráveis, pobres de espírito. "Desgraçados". Gentinha.

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9 novembro 2010

O MEC que se notabilizar como Ministério dos Exames Cancelados. Os INEPtos que servem ao ministro Fernando Haddad podiam fazer a gentileza de se retirar antes da posse da presidente.

Porque não vai sobrar outra opção para Dilma Rousseff a não ser reprovar essa turma de incompetentes. O Enem era para ser um avanço histórico, o fim da indústria dos vestibulares.

Virou piada, infelizmente. E nem para fazer o Enem o MEC presta. Era tragédia anunciada (leia mais aqui). 

Podem espernear o quanto quiserem, mas o PT desmoralizou o Exame de forma irreversível. Sem direito nem mesmo a recuperação.

Perdeu o ano. Em um país que já desperdiçou séculos. E que tem uma dívida com gerações de jovens. Um país sem educação, com o futuro esmurrando a porta.

Todos os governantes juram que educação é prioridade. Mentira. Se fosse, já teríamos saído dessa indigência. Nos rankings internacionais, o Brasil só passa vergonha.

Nosso ensino é uma pobreza. Não tem qualidade. Nem professores capacitados. Ou salários dignos para os docentes. Formamos analfabetos funcionais. O resto é propaganda.

O Enem voltou a ser o que sempre foi: um detalhe. Era uma boa cortina de fumaça. O exame era bom, então deixávamos para depois garantir conteúdo em sala de aula.

Já era. Faltou competência. Troca a turma. O quadro negro continua em branco.

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8 novembro 2010

Querem acabar com a infância. Primeiro, ao dar às crianças os mesmos direitos dos adultos. E agora, com essa bobagem de proibir o bullying. Esse mundo está perdido.

O que será do futuro da nação se formos governados por mariquinhas mimados? Um país com pessoas sem caráter, é isso que querem!

Maldade entre crianças existe desde o início dos tempos. Gordinhos sempre foram chamados de baleia, baixinhos de tampinha e viadinhos de viadinho. Qual o problema?

O balofo vai emagrecer, o nanico vai encorpar e o frutinha pegar mulher só porque não tiraram sarro da cara deles? Papinho besta, esse. Ninguém morre só porque é humilhado.

Pelo contrário, só assim para ganharmos alguma dignidade nos nossos defeitos e fraquezas. Não existe humildade sem humilhação, sempre digo. Nem fortaleza sem muros. Meninos e meninas: saibam que o mundo é cruel.

Trauma de infância é coisa de playboy. Desculpinha de quem foi superprotegido e não confessa seu egoísmo. Vai puxar carroça na periferia pra ver se sobra tempo pra tanta frescura.

Tem que aprender a se defender, rapaziada. Não caiam nessa conversa mole de pedagogo e psicólogo. Eles só querem parecer úteis, aí ficam inventando moda pra poder cobrar cachê.

Assim que o professor der a bronca e virar as costas, os grandalhões vão sacanear os fracotes, as gostosonas vão tripudiar das feinhas, a seleção natural vai prevalecer.

Quer que seu filho seja um panaca? Ou quer protegê-lo de verdade? Então o previna que a vida lá fora é difícil, que existem pessoas más. E que desaforo não se leva pra casa.

O mundo não é justo. Não fique aí de boca aberta, que nem tonto, esperando que alguém te defenda. Se liga, bundão.

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