18 novembro 2010
O assassinato de mais um diretor do Sindicato dos Motoristas de ônibus de São Paulo é uma nova cena de um roteiro cada vez mais parecido com filme B sobre a máfia. O pessoal é da pesada. (Leia mais aqui).
José Carlos da Silva é o segundo sindicalista da turma morto em 18 dias. E o quinto na administração do atual presidente, Isao Hosogi. Em 18 anos, foram 14 casos de morte, sem solução pela polícia.
Pode ser que isso não seja uma briga de quadrilha ou queima de arquivo. Mas parece.
Os bons companheiros mortos pertenciam a um dos grupos sindicais mais poderosos do país. Um deles, o Serjão, assassinado em 25 de outubro, já havia procurado a Justiça para denunciar um suposto esquema de corrupção no sindicato.
Chegou a gravar um vídeo responsabilizando Hosogi por qualquer violência que viesse a sofrer. Isso não lembra fala de cinema ruim?
As concessões de ônibus em São Paulo movimentam quantias assombrosas. Muitas das greves da categoria sofreram suspeita de lockout, quando a paralisação é patrocinada por patrões. Difícil saber se há mocinhos entre tantos vilões.
Outros sindicatos no Brasil estão envolvidos em maracutaias e favorecimentos ilegais. Foi-se o tempo em que heroicos grevistas enfrentavam a polícia entoando o hino nacional e gritando "abaixo a ditadura".
O sindicalismo americano (olha a influência de novo) é um ninho de cobras há décadas. Lá não tem ideologia; é porrada mesmo. Ficam brigando por poder e dinheiro, como bons capitalistas que são.
A diferença é que, nos EUA, a polícia funciona quando quer. E eles têm um judiciário ágil e rigoroso. Por aqui, nem uma coisa nem outra. Só os bandidos estão se profissionalizando.
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