26 novembro 2010
Agora que Sir Paul McCartney se foi, e não corro o risco de ser linchado, é o momento de perguntar: o que foi aquele surto coletivo de bregueira?
A Vigilância Sanitária devia ter aproveitado e trancado por fora os portões do Morumbi. Colocava uma placa de sanatório na fachada e deixava a turma lá, cantando. O índice de caretice cairia a zero na cidade.
Todos sabemos que os astros do show bizz só vêm ao Brasil depois de se aposentar. Somos uma espécie de casa de repouso para roqueiros decadentes. Justin Bieber deve se apresentar por aqui por volta de 2060.
Porque, convenhamos, Beatles é música de velho. Não por acaso os componentes da banda eram todos uns tiozinhos. Muito adequados os suspensórios do Paul, inclusive. Já aquela guitarrinha de criança achei meio estranha. Embora minha avó também tenha umas manias parecidas.
E não me surpreendeu o tratamento histérico e servil que toda a mídia dispensou ao visitante. É sempre assim, uma vergonha. Tudo capacho. São capazes de qualquer humilhação para assistir a um show de graça.
Por isso ninguém comentou que o Paul perdeu a voz, desafina, toca mal. E tropeça, como todo idoso. Ele só não esquece as letras porque canta as mesmas músicas há 50 anos. E, qualquer problema, a plateia estava lá para cantar por ele.
E ficar levantando os bracinhos, naquela coreografia ridícula de programa de auditório. E teve gente que gastou 700 contos para pagar esse mico. Help me.
Como somos hospitaleiros, e Paul é de fato um lorde, todo mundo combinou de dizer que foi um espetáculo antológico, histórico e inesquecível. Coisa pro contar pros netos. Historinhas de vovô.
Veja mais:
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7












