14 dezembro 2010
Já ouviu falar do Programa de Proteção a Testemunhas? Pois você tem mais um bom motivo para não querer fazer parte dele. Ao menos no Brasil, simplesmente, isso não funciona.
Esqueça tudo que viu em filmes americanos. Se alguém tiver a ousadia de denunciar bandidos poderosos e aceitar reconstruir a própria vida do zero, prepare-se para viver como um marginal foragido.
Reportagem da revista IstoÉ desta semana mostra em detalhes a roubada em que se meteu um comerciante que decidiu acreditar na competência da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
Francisco Pedro dos Reis denunciou uma quadrilha de grileiros maranhenses e confiou no Estado. Depois de sete meses, prefere enfrentar os criminosos que o juraram de morte a continuar sendo tratado como "um animal".
A tal proteção garantida por lei mais se parece um castigo. Francisco e sua família hoje moram em uma favela na periferia de Manaus. A casa é infestada de ratos, com paredes rachadas, sem caixa d'água e com esgoto ao ar livre.
Isto depois de passar por sete moradias, sempre em quartos e pousadas vagabundas. Até numa casa em obras ele, sua mulher e três filhos foram jogados.
Recebe por mês R$ 840, insuficientes para cuidar da família. Mas assina recibos de R$ 2 mil, apesar de protestar contra essa evidente maracutaia.
É assim que o Brasil trata seus cidadãos honestos e corajosos. Só falta jogá-los numa cela imunda, para não darem mais trabalho. Pensando bem, é isso mesmo que fazem.
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