6 janeiro 2011

Luis Inácio Lula da Silva já entrou para a história como o presidente da República mais admirado deste país. Pelo visto, vai ter que se esforçar um pouco para ser um ex-presidente respeitado.

A dimensão de um homem público se mede pelos exemplos que ele deixa de herança. Como mandatário da nação, Lula deu algumas lições de bom tamanho. A principal, que o Brasil é viável, e o brasileiro, um cidadão do mundo.

A auto-estima vai bem, obrigado. Mas o espírito crítico começa a se inquietar quando vemos o também ex-metalúrgico aceitar benefícios do Estado para ele e sua família. Benefícios, diga-se, aparentemente legais. E que nada têm de exemplar.

Passar alguns dias numa reserva militar ou conceder passaportes especiais para seus filhos são privilégios tão pequenos que podiam ser dispensados em nome da provável grandeza de sua biografia.

"Não se apequene", disse o falecido líder tucano Sérgio Motta ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. Hoje sabemos todos muito bem qual foi a real envergadura do governo FHC.

No dia da posse de Dilma Rousseff vimos com que emoção (e apego?) alguém pode deixar um cargo. E assistimos, em seguida, um homem voltar com dignidade (e tristeza?) à sua vida comum. Foram cenas simples, decentes.

Lula não precisa de favores. E também não devemos nenhum a ele. O que ele merece é respeito. E, como ele mesmo já provou, isso se conquista. Não se ganha de presente.

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