7 fevereiro 2011

A reportagem a seguir, do colega Raul Dias Filho, merece nossa atenção. Pelo esforço jornalístico em tratar de forma digna um problema que todos temos que enfrentar: a criminalidade de jovens e crianças.

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Sem nenhum sensacionalismo, podemos conhecer um pirralho de 14 anos, magrelo, baixinho, que conquistou notoriedade ao ter sido detido pela polícia 17 vezes. Desde os 9 anos, um ladrãozinho de carros.

Não me iludo quanto ao talento dele. É certo que tem uma habilidade precoce. Algum empresário da Fórmula 1 pode muito bem contratá-lo. Não me incomodaria. Se tudo desse certo, teríamos um belo filme.

Vemos um psicólogo defender essa tese. E um delegado fazer o oposto, alertar sobre premiarmos a delinquência. Pô, se o moleque é pego tantas vezes, não passa de um cretino, bem burro.

Os dois especialistas estão certo. Estamos diante de um talentoso imbecil. E aí, o que fazer? Tratá-lo como um gênio? Ou um caso perdido? O moleque, afinal, tem salvação?

Não se precipite, prezado leitor. A resposta não é simples. Encarcerá-lo é inútil. Vai sair do "reformatório" mais deformado do que entrou. Sem chance.

Levar o moleque para a escuderia da Ferrari seria um suicídio social, com um slogan perigoso: torne-se um criminoso mirim, antes que seja tarde.  Fernandinho Beira-Mar adotaria essa causa.

Nada a ver. Nem uma coisa, nem outra. Roubou? Cadeia. É um gênio? Escola. Aí começa a fazer sentido. Na verdade, começaria.

Porque não temos escolas nas prisões. Nem fora delas. Nem nas de adultos, muito menos nas de crianças. Poderíamos ter? Sim, é uma hipótese. Hipótese. Longínqua. Hipotética.

Ou alguém lá em cima começa a fazer isso ser realidade, ou vamos parar de hipocrisia. Do jeito que está, aquele menino vai levar porrada, depois voltar para as ruas e fazer uma coisa só: roubar.

Se alguém passar a mão na cabeça do jovem deliquente, inscrevê-lo num curso ruim,  dar-lhe um diploma vagabundo, ele vai voltar para as ruas e fazer uma coisa só: roubar.

Sabe por quê? Porque nossas prisões não punem. Nem regeneram. Apenas humilham e embrutecem.

Cada um que se vire. Seja um ser das luzes ou das trevas. No nosso país, isso é uma escolha rigorosamente pessoal.

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