11 fevereiro 2011

A demissão de 150 funcionários da TV Cultura tornou ainda mais atual um texto publicado neste blog em agosto de 2010. É um assassinato premeditado.  (Leia aqui).

Só volto ao assunto para deixar um ponto bem claro: O PSDB destruiu a melhor emissora pública que este país já teve. Não há perdão.

A Fundação Padre Anchieta, mantenedora do canal, serve aos interesses tucanos há 16 anos. Então, que história é essa de "reestruturação"? Eles que desestruturaram tudo e agora vêm com esse cinismo? Que o diga o governador Alckmin, pela terceira vez no cargo.

Vão transformar a TV em mera retransmissora. A Cultura, a rigor, não vai mais produzir programas e conteúdo. Isso é uma indignidade. Nem o Silvio Santos faria um massacre desses.

Seria menos hipócrita se implodissem o prédio de uma vez. Que tal construírem lá um shopping ou um conglomerado de motéis? Melhor: um estacionamento, dá menos trabalho.

O pior é ouvir as justificativas do presidente da Fundação, João Sayad. Não vou reproduzir aqui seus argumentos. Ele não está no cargo por acaso. Em toda a sua vida, ele nunca construiu nada. Coitado.

É um economista que só sabe falar em enxugamento, downsizing, reengenharia e outros palavrões técnicos que não significam absolutamente nada. Ele nunca gerou um emprego, participou de uma rebeldia ou escreveu um poema. É apenas um tecnocrata. E ainda deve ter orgulho disso.

Ele é tão somente um soldado do pelotão de fuzilamento. Recebe ordens e as cumpre. Com prazer, não tenham dúvidas. Alguém precisa fazer o serviço sujo.

O mais lamentável é que ninguém se levantará contra esse desmanche. O brasileiro não tem cultura, nunca teve. Como entender a importância de uma TV pública, independente, criativa e a serviço da inteligência de um povo?

O assassinato da TV Cultura foi premeditado, sim. Mas poucos crimes tiveram tantas testemunhas. Omissas, silenciosas. Cúmplices.

Façamos ao menos um enterro digno. Prestemos as devidas homenagens. Vamos reunir os amigos e sintonizar o canal numa hora a ser combinada. Eu sugiro 1º de abril, às 21h.

Nesse dia, com muito esforço, quem sabe a gente consegue atingir uns históricos 12 pontos de audiência? Não que isso resolva alguma coisa. Afinal, homenagem póstuma não serve para nada mesmo.

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