1 fevereiro 2011

Por que as pessoas que protestam contra o aumento das tarifas de ônibus são tão classe média? Falta pobre nessa história.

Já me acostumei a ver manifestações impactantes em capitais como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Normalmente, convocadas por entidades estudantis.

Ora bolas, estudantes pagam meia. Que mesquinharia. Logo eles, os favorecidos. Por que os que pagam inteira e se desdobram não vão às ruas? Precisam trabalhar, é essa a desculpa?

Ah, vá. Assim não vai funcionar nunca. Nenhum prefeito será intimidado por rapazes e mocinhas aparentemente enfurecidos. É só não mandar a polícia ao local que tudo acaba no boteco da esquina.

Mas como essa patota escolhe avenidas principais para exercitar sua inocente fúria revolucionária, a PM acaba intervindo. Para garantir o tráfego dos carros pilotados por solitários cidadãos que nunca entram num busão.

É um primor de genialidade. Não por acaso, nunca vimos uma administração voltar atrás em algum reajuste, por mais abusivo que fosse. As filas estão sempre lá, nos terminais e pontos. Oferta e procura

bus Ônibus cheio e barriga vazia, a receita do reajuste de tarifas

O governo federal faz o quê? Obriga empresários a subsidiar o vale-transporte do trabalhador. Que lindo. Transporte é dever do Estado, mas quem paga grande parte da conta é a iniciativa privada que assina a carteira da peãozada.

Nenhum país sério banca transporte público gratuito. Muito menos de qualidade. Pois deviam, todos. Para que servem impostos? Me digam, por gentileza.

Fazer pagar a conta quem não pode espernear é covarde e desonesto. A molecada vai lá e faz a festa da democracia. O prefeito e seu motorista particular ficam vendo tudo pela TV.

As empresas de ônibus e os sindicatos de motoristas e cobradores agem como máfias. Muitos são bandidos, nada além. Cartas marcadas.

O mais desesperador é quando vemos um ônibus sendo queimado. Obra de traficantes e do crime organizado. É muita maldade.

Ar condicionado, lugares disponíveis, poltronas confortáveis, horários rigorosos, funcionários educados e ok, uma tarifa justa, que caiba no bolso de quem usa.

Duvido que isso seja impossível. Não é. Basta que aquele que entra numa lata de sardinha não se acomode nessa situação. Não há espaço para se acomodar. Não mesmo.

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