3 março 2011
Aí, sim, fomos surpreendidos novamente! Para quem achou que Juca Ferreira foi um ministro da Cultura insignificante, a nomeação de Ana de Hollanda veio comprovar que o que é ruim pode piorar.
Assim como sabemos que uma peça de teatro é chata nos primeiros dez minutos, já deu para perceber que a irmã do Chico está à toa na vida.
Parece maldição. Os oito anos do sonolento Francisco Welfort, na era FHC, preparou a terra arrasada para a bombardeio retórico e malemolente do sucessor, Gilberto Gil.
Depois, o baiano deu aquele abraço e entregou a seu chefe de gabinete a capitania hereditária do Minc. Só faltou dizer para seu pupilo: manda bala, Juquinha! Nem.
Mais oito anos se passaram, e a Cultura brasileira continuou lá, se arrastando que nem cobra pelo chão. Quando a procissão parecia chegar ao fim, a presidente Dilma resolve abrir a masmorra e entregar o ministério para os barões famintos do PT.
A Donana está cercada de caros amigos, guerrilheiros de pijama. O que faltou de coragem na gestão anterior vai sobrar de covardia na atual. Petista, quando resolve ser reacionário, é de arrepiar paralelepípedo.
O ministério é pobrezinho, bem humilde. Que vontade de chorar: não chega a 0,20% do orçamento total da União. Sabe a esmola que a gente dá praqueles malabaristas de semáforo? Essa é a verba que o governo reserva para a cultura brasileira.
Sem dinheiro, o que sobraria para o Minc? Traçar políticas que permitam o acesso da população aos chamados bens culturais. Que nada tem a ver com a derrama de dinheiro via isenções fiscais das últimas décadas.
Está provado que a Lei Rouanet é um mecanismo canalha, elitista, nefasto. Na verdade, esse estelionato sufocou as artes neste país. Não passa de dinheiro público a serviço do departamento de marketing das grandes empresas.
Pois Donana não vai mexer nisso. Nem na praga dos direitos autorais, que já se tornou uma epidemia de escala internacional.
A internet está transformando em sucata as indústrias fonográfica e de cinema. A questão do compartilhamento (que os magnatas chamam de pirataria) é jogo jogado, virou carnaval de rua.
A turma de Donana é aquela Velha Guarda sem nenhuma tradição. É ruim da cabeça. Está cansada de guerra. Fica sentada, esperando o carnaval chegar. Morreu na contramão da história, atrapalhando o tráfego de novas ideias.
Mas vai passar. Um dia eles vão embora, maninha, pra nunca mais voltar.
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