31 maio 2011
“O mundo é redondo, mas está ficando muito chato”. O Barão de Itararé sabia das coisas, tanto que escreveu essa frase décadas antes de Gilberto Kassab entrar para a vida pública. Um visionário.
Mas o prefeito de São Paulo não está sozinho em sua cruzada por uma vida completamente ordinária. Milhões de insetos o acompanham na missão de criar proibições e regras sobre picuinhas e detalhes da vida animal.
Uma dessas ingerências tem se propagado pelos formigueiros: condomínios que multam aqueles que se atrevem a dizer palavrões durante jogos de futebol.
Alguns estádios também adotaram essa norma que promete acabar com a violência nos gramados, arquibancadas e churrascos na laje. Agora vai.
Realmente, atingimos um grau de civilização que nos permite legislar sobre essa questão vital. Alguns síndicos punem casais que ousam se amar em decibéis acima do que os mal-amados julgam aceitável.
A maioria sempre será medíocre. Inclusive aquela que profere “palavras de baixo calão” na vida privada, mas não as admitem na sacada do vizinho. É a ditadura da gentinha.
A palavra “hipocrisia” está gasta pelo uso. Nem vale a pena repeti-la. Melhor adotar o termo “doença social” mesmo. Essa epidemia de vigilância e cerceamento é irreversível.
E por aí segue a caravana. Nada mais se cria, tudo se proíbe. Como não conseguimos erradicar a miséria, logo será vetada a existência de pobres. Bem que já tentaram antes, sem sucesso. Mas agora os tempos são mais favoráveis. Medo.
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