19 maio 2011
"Sou amigo da Globo mesmo, apesar de ser gângster".
Raramente teremos uma nova oportunidade de ouvir outra frase tão sincera e, digamos, honesta vinda da boca do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez.
Truculento também com as palavras, mesmo sem dominar a norma culta, o que está dito é definitivo: estamos diante de alguém que não vê “pobrema” em ser o capo di tutti capi de um grande “crube”.
Parece até delação premiada. Fogo amigo? Para quem tinha alguma dúvida de como esse homem está intimamente ligado ao que há de pior no futebol deste país, a declaração é esclarecedora.
Gângster, para quem não sabe, é a palavra em inglês que define o membro de um bando de malfeitores que, a mão armada, roubam e matam. O mesmo que bandidos, quadrilheiros.
Fica tudo muito claro na involuntária confissão do cartola. Só no país da impunidade um homem desses chega aonde chegou. Pobre nação corintiana. Pobre nação brasileira.
Fica mais fácil também entender o entusiasmo, a dedicação, a forma voraz com que esse homem implodiu o Clube dos Treze, arrastou seus colegas para a “bandidagem” e fez prevalecer os interesses mais obscuros.
Andrés Sanchez destilou todas essas barbaridades sem rir ou gargalhar. Falava sério mesmo. Sabia o que estava dizendo. Não, não foi brincadeira. O tom de voz é apenas arrogante, presunçoso e repleto de vaidade.
É amigo de todo mundo? por perolasnatv no Videolog.tv.
O dirigente corintiano, depois, pediu desculpas pelo ato falho. E a Globo aceitou, segundo nota oficial da equipe paulista. Disse que “não houve nenhuma intenção ofensiva”.
Ah é? Isso é uma confissão de culpa? Uma autocrítica? Se chamar de bandido não ofende, de agora em diante vai ser difícil encontrar uma palavra mais dura para insultar a emissora.
Agora está mais evidente o que aconteceu na briga de bastidores pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Pelo menos, quais teriam sido os métodos usados pela Globo para desafiar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.
Eles vivem no submundo do crime? Afinal, pelo visto, são todos da mesma “família”. O futebol é cosa nostra. Portanto, definitivamente, um caso de polícia.
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