28 junho 2011

radial leste transito Culpa do preço do carro é de quem compra

Foto: Luiz Guarnieri/ AE


Não existe um único brasileiro que não saiba que temos os carros mais caros do mundo. Do mundo. No entanto, de anos pra cá, batemos seguidos recordes de venda de automóveis.

A culpa é do governo e seus impostos, apressam-se a dizer todos os envolvidos. Principalmente os fabricantes. Encargos trabalhistas, carga tributária, frete, taxação de lucros. Custo Brasil. Até altos salários (!) eles alegam. Tudo balela.

Em 2010, o Brasil se consolidou como o quinto maior produtor de veículos do mundo. Temos o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno.

Mas os consumidores, movidos por alguma morbidez ou masoquismo crônico, se apressam em concordar com quem os esfola. Os responsáveis por essa extorsão são sempre os nossos governantes, dizem os cordeiros naquelas filas enormes do carrinho zero.

Os números dos últimos anos, no entanto, estão mandando esses argumentos para o desmanche. Não sobra peça sobre peça. E não, os fabricantes não são os grandes vilões dessa corrida maluca.

O imposto sobre veículos caiu nos últimos anos. Até o IPI baixou, por um longo período, iniciativa do governo federal, sem que isso aliviasse um centavo sequer no nosso bolso.

Acabaram-se as desculpas, os bodes expiatórios. Os lucros gerados pelos carros vendidos no Brasil são um assalto. Não cabem dúvidas. São os maiores do planeta. E daí? Daí que basta não comprar.

Segura o tchan, moçada, um semestre que seja, e os preços vão ter de cair. Se o lucro dos empresários gananciosos não capotar, aí sim, vamos atrás do governo cobrar alguma atitude.

Se há um culpado, lamento informar, é quem compra. Sim. Os trouxas que aceitam pagar preços galopantes pelas carroças que nos vendem. Sim. O responsável é única e exclusivamente quem paga à vista ou, pior, se enfia em prestações durante anos para comprar um automóvel de quinta categoria.

Analistas garantem que a margem de lucro das montadoras no Brasil é três vezes maior que em outros países. E por que elas continuam vendendo a esses preços abusivos?

Simples: por que tem quem compre. Se tem, por que um capitalista deixaria de cobrar? Eles não são trouxas, garanto. Trouxa é quem compra.

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27 junho 2011

Não foi por acaso que José Graziano se elegeu diretor-geral da FAO, órgão da ONU que traça políticas para a agricultura e a alimentação no mundo. Quem melhor que um brasileiro sabe o que é fome?

Por esse critério, um indiano ou africano seriam candidatos mais fortes. O problema é que o atual diretor é um senegalês. A fila anda. Mas também não por acaso o brasileiro concorreu com um espanhol, e ganhou apertado, quatro votos de diferença entre os 180 possíveis.

A Espanha vive uma crise econômica grave, com altos índices de desemprego. Quase 22% da população está sem trabalho. Faz parte do quintal da Comunidade Europeia. É um país que vem se esforçando muito para se tornar inviável. Mereceu a votação que teve.

Nossa tradição em pobreza deve ter sido determinante para a vitória do Zé. O fracasso do Programa Fome Zero, que ele coordenou durante o governo Lula, também foi decisivo, é o que tudo indica.

Todos os especialistas garantem que o preço dos alimentos vai aumentar nas próximas décadas. O próprio Graziano admite isso. É um cenário pessimista o que temos pela frente. E o Brasil vai poder capitanear esse período de miséria. Um privilégio, não?

O mais provável é que, sob o comando do PT, a FAO vai propor a implantação de um programa Bolsa Família interplanetário. O PSDB vai ser contra, claro. Mal posso esperar.

Por enquanto, vamos estufar o peito por termos um brasileiro na agência que possui um dos menores orçamentos da ONU. Considerada inócua, ineficiente, praticamente inútil, está nas mãos certas. Quanto orgulho.

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21 junho 2011

A definitiva abolição da escravatura está prestes a ser assinada. Enfim, o Brasil vai libertar as últimas mucamas. O cativeiro social em que vivem as empregadas domésticas deste país vai ser explodido. Madames, tremei!

O governo vai enviar ao Congresso um projeto de lei que retira as "mensalistas" do porão da informalidade e as equipara a trabalhadores normais (sinal que nunca foram, não é mesmo?). Passariam a ter direito, vejam só, ao  FGTS, seguro-desemprego e horas extras.

Se quisermos de fato entrar para o mundo capitalista civilizado, um bom treino é limpar a própria privada. Isso vai soar uma brutalidade para as senhoras de classe média que nunca ensinaram seus filhos a lavar os pratos em que comem. Paciência. O mundo é cruel.

Não tanto como a relação de sinhá moça que alguns adolescentes bem nascidos e seus pais mal-educados estabelecem com a criadagem. Sim, as empregadinhas, jardineiros, cozinheiras, babás e faxineiras que se entopem nos ônibus e trens, vindas das mais longínquas senzalas.

Em nossa cultura cínica e cordial, é lugar comum dizer que as empregadas domésticas fazem parte da família. Sempre vomito quando ouço isso. E lembro de uma vizinha que guardava um prato, uma caneca, um garfo e uma faca debaixo da pia. Juro. Eram para a "moça da faxina".

Também me lembro de uma jovem da elite nordestina que, uns cinco anos atrás, pagava R$ 25 por dia para a faxineira, sergipana como ela, que limpava seu “duplex” em um bairro nobre de São Paulo. Perguntada sobre por que não pagar mais, ela disse, sem nem perceber o quanto estava sendo malévola: “Ela se vira muito bem com isso”.

O crescimento econômico, aliado à escolarização dos mais pobres, vai tornar cada vez mais rara essa figura que nunca sai nas fotos de família. Assim como nos países desenvolvidos, ter uma doméstica em casa vai passar a custar muito, muito caro.

Como disse o ex-deputado Delfim Neto, com aquela elegância tão discreta quanto sua silhueta: “Há uma ascensão social incrível. A empregada doméstica, infelizmente, não existe mais. Quem teve este animal, teve. Quem não teve, nunca mais vai ter.”

Não tenho palavras para comentar uma frase dessas. Mas saber que ela é o retrato de um pensamento prestes a ser extirpado me dá um prazer indescritível.  Prazer animal.

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17 junho 2011

edmundo carro 450 Edmundo deveria fazer justiça consigo mesmo

Nosso país não é justo. Com razão, temos sede de justiça. Queremos ver criminosos na cadeia. Mas esse não é o caso do ex-jogador Edmundo.

Ele tem uma dívida com a sociedade. E deve pagá-la. Afinal, por imprudência, irresponsabilidade, matou três pessoas em um acidente de trânsito. Acidente: essa palavra é importante.

Existem crimes culposos e dolosos. É um fato: nem todo assassinato é cometido com intenção. Qualquer um de nós pode matar sem querer. Somos falíveis. Humanos. Miseravelmente humanos.

Temos leis. Para serem cumpridas. Muitas delas foram feitas para proteger poderosos. Banqueiros, por exemplo. E políticos corruptos. Esses caras nunca se dão mal.

Por isso, sempre que vemos algum bacana escapar da prisão, ficamos revoltados. Não é o caso de Edmundo.  Para ele (um idiota que dirigiu como um “animal” e causou uma tragédia), devemos ter um julgamento diferente daquele que reservamos a assassinos cruéis e ladrões inescrupulosos.

Não é fácil. Se fossemos parentes das vítimas, só nos restaria como consolo ver o responsável pelas mortes pagando pesado pelos seus erros. Nenhuma pena, por mais dura, compensa a perda de gente querida.

Enterrar numa prisão e transformar em bandido um cretino, isso não melhora a sociedade nem a vida de ninguém. Num caso como o de Edmundo, obrigá-lo a reparar financeiramente a família atingida e obrigá-lo a prestar relevantes serviços comunitários é mais “justo” que acabar com ele.

O problema grave está na lógica perversa que norteia nosso Judiciário. Os advogados de defesa do ex-jogador usam como argumento principal a “prescrição da pena”. Por conta da lentidão de nossa Justiça, já teria passado o tempo do crime ser julgado. Isso é indecente, imoral, revoltante.

A dor da perda das famílias dura para sempre. Nem séculos compensa a morte de uma pessoa amada. Não é essa a questão. Essa linha de raciocínio jurídico é uma ofensa, uma indignidade. Calem a boca desses advogados! Mudem a lei, por misericórdia.

Edmundo tem de ser castigado. É preciso. Ele não pode ficar impune. Mas também não é correto que ele pague por crimes que outros cometeram. Não pode ser bode expiatório da falência da nossa Justiça.

Ajudaria muito se ele pedisse perdão de joelhos. Se fosse humilde. Se demitisse seus advogados cínicos. Se aceitasse pagar por seu erro medonho. Ajudaria se Edmundo fizesse justiça consigo mesmo. Talvez o respeitássemos.

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15 junho 2011

O estádio do Corinthians deveria mudar o nome de Itaquerão para Itaquerendo. Porque, ih!,  tá querendo é mamar nas tetas de todos os paulistanos. Quem vai pagar o pato é o povo de São Paulo.

O prefeito Gilberto Kassab enviou para a Câmara um projeto que prevê um pacote de R$ 420 milhões em incentivos para o time construir sua “arena”. De leões. É simplesmente o maior abono fiscal já concedido pela prefeitura. Um assalto.

Itaquerendo que não só a Fiel, mas são-paulinos, palmeirenses, santistas e até os contribuintes que não gostam de futebol ajudem nessa vaquinha imoral para levantar um estádio que vai nascer inútil e infame.

Se o Corinthians quer ter um palco para suas exibições, que o construa com o dinheiro do clube e de seus patrocinadores. A cidade de São Paulo não pode, não deve e não tem de colocar um único centavo nessa obscenidade.

Qualquer cidadão esclarecido sabe que é dinheiro jogado no lixo. Tudo porque o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não aceita que a abertura da Copa seja no Morumbi. Pela única e exclusiva razão de estar brigado politicamente com o São Paulo.

Por conta dessa guerra de cartolas, a capital paulista já perdeu o direito de sediar a Copa das Confederações. O prazo para dar garantias de que o estádio será construído se esgota dia 28 de julho. Por isso a correria aos cofres públicos.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, já declarou que é amigo de gângsteres. Problema dele e da polícia. O nosso é impedir que sejamos tratados como um bando de trouxas.

O futebol brasileiro está caindo de podre com tanta roubalheira. Está passando da hora de botar essa gente pra correr. Vamos colocá-los para fora de todos os estádios. A começar pelo Itaquerendo.

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14 junho 2011

provocador2 barra A Bienal da Folha



A cada dois anos, temos certeza de que haverá a Bienal de São Paulo, a Bienal do Livro e uma reportagem do Grupo Folha sobre o faturamento da Record. É batata.

Pode ser alguma fixação, típica dos que possuem algum tique nervoso ou problemas mais graves, como Síndrome do Pânico. Normal, não é.

O fato é que de tempos em tempos vamos ler uma matéria com a informação “sigilosa” que a Universal “colocou” tantos milhões na emissora, a título de pagamento pelo horário alugado nas madrugadas.

Esse tipo de furo (só que n’água) é publicado com ares de denúncia, mesmo o próprio texto informando que "a Record não é a única emissora que vende faixas de sua programação para terceiros, em especial, igrejas. Tampouco é a única que vende horário para a Universal."

Assim foi publicada a informação na coluna Ooops!, do UOL, pertencente aos mesmos donos da Folha de S.Paulo. Eles ficam repetindo esse fato a cada nova temporada de caça, talvez na esperança de que os números se transformem em outra coisa além da verdade.

Tem se mostrado uma esperança inútil. É uma operação legal, transparente e de conhecimento de todo mercado. Mas eles insistem, a cada nova estação.

O que nunca lembram é que a Universal chegou a oferecer os mesmos valores pelo mesmo espaço na TV Globo. Proposta recusada, dentro dos direitos que o capitalismo reserva a todos.

O que chama a atenção é que esse tipo de, digamos, jornalismo é sazonal, coincidentemente ligado a tempos de crise e confrontos entre os grandes grupos de comunicação.

Desde domingo, a Record entrou numa batalha campal para denunciar um escândalo de verdade: a corrupção que tomou conta da CBF, encarnada na pessoa de seu presidente, Ricardo Teixeira.

Um dos grandes aliados do Teixeirão (e, por extensão, do esquema que está sendo investigado) é o mandachuva do Corinthians, Andrés Sanchez. O mesmo que confessou em público ser amigo dos “gângsteres” que comandam a Rede Globo.

É um círculo que se fecha, não? Ou falta mais algum aliado? Como também tenho a capacidade de fazer elucubrações, por que não imaginar que o Grupo Folha, sócio da Globo no jornal Valor Econômico, se coloca a serviço da artilharia pesada contra a Record?

Nem acho que a Folha goste tanto assim do Ricardo Teixeira. Ninguém gosta. Mas me parece que são capazes de se juntar a todo tipo de gente. Desde que o inimigo seja comum.

Algumas pessoas chamam isso de guerra. Os mais cínicos, de jornalismo. Ainda bem que verdade é um evento constante, não vive ao sabor das bienais.

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13 junho 2011

A presidente Dilma quer mudar o novo projeto de lei sobre o acesso a informações públicas. Na prática, quer manter a possibilidade de sigilo eterno para documentos oficiais. Tem coisa aí.

É de causar arrepios imaginar os motivos que levam um político a querer que determinado segredo de Estado jamais seja revelado. Nem mesmo 50 ou 100 anos depois, quando os envolvidos, em tese, já não estarão mais vivos. Deve ser algo capaz de matar defunto de vergonha.

Que nossos governantes fazem maldades inconfessáveis, todos sabemos. Mas por que seus sucessores os protegem e negam à sociedade o direito de saber como e quando foi sacaneada?

Eu só vejo duas motivações possíveis. Também poder cometer atrocidades sem ser descoberto nem mesmo pela posteridade. Ou atender a alguma súplica em troca de favores.

Sim, porque os maiores interessados nesse sigilo eterno são dois ex-presidentes, José Sarney e Fernando Collor de Mello. Medo.

Que a presidente mude de opinião, para o bem dela mesma. Em seis meses de governo, não é razoável que ela faça uma concessão desse tamanho. Dilma Roussef ainda não teve tempo de fazer algo de que se envergonhe para sempre. Eu acho.

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10 junho 2011

Ser jornalista é uma profissão ingrata. Cada dia mais difícil. E dentro dela há o último degrau de uma escada sempre em decadência: o jornalismo esportivo.

Parem para pensar. Um repórter é aquele ser que escolheu dedicar sua vida a narrar fatos, sempre em busca da verdade. Para não irmos muito longe, o que isso tem a ver com futebol, por exemplo? Nada, evidentemente.

O que é verdadeiro num jogo de bola? O placar final, com certeza.  Empatou, ganhou, perdeu. Em um esforço de reportagem, bastaria dizer quais jogadores participaram da peleja, quem fez gol ou levou cartão, o estádio em que tudo aconteceu, as tabelas e gráficos, coisinhas do tipo.

Eventos dessa natureza, convenhamos, se tornam importantes muito mais pelo que têm de simbólico e apaixonante do que pelo que carregam de objetividade. Se tirássemos o que há de subjetivo, opinativo e delirante, restaria apenas a súmula do juiz.

Não é assim que funciona. Dezenas de profissionais são mobilizadas para cobrir um evento esportivo. Fundamentais são os que exercem funções técnicas e auxiliares. Os câmeras, principalmente. Esses caras são muito bacanas.
O restante, todos sabemos, costuma se dividir em repórteres de campo, locutores e comentaristas. São eles que comandam o show. É com eles que está a verdade final. São pagos pra isso. E se levam muito a sério.

Esse é o problema. Os jornalistas esportivos não são importantes. Nenhum deles é genial. São o que há de mais previsível. Pra valer, quase todos são é chatos. Dispensáveis. Fofoqueiros. Maledicentes. Iletrados.

Por alguma magia cósmica, há trabalho para eles. Poderiam ser motoristas de táxi, porteiros, balconistas, qualquer outra profissão falante e digna. Mas não. Vivem como se estivessem presos no sofá da sala, remunerados para ir à sacada do apartamento gritar gol.

Ou tirar sarro do colega flamenguista do escritório. Ou blefar qual vai ser a próxima contratação do Barcelona. Ou parecer físico nuclear na hora de explicar o esquema tático da seleção. Tédio.

O jornalista esportivo é remunerado para repetir chavões, fazer sempre as mesmas perguntas e tirar conclusões óbvias. Talvez por isso não incomodem ninguém. Com exceção do Neto, Milton Neves, Tiago Leifert, Juca Kfouri e Galvão Bueno. Esqueci alguém?

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7 junho 2011

Ronaldão quer ser homenageado? Então peça para seus patrocinadores montarem um churrascão na laje, convide os amigos, chame umas minas e deixa a seleção jogar em paz.

Depois do amistoso, os jogadores que entrem numa van e se mandem para a muvuca que vai varar a madrugada. Aceito convite. Essa turma joga um bolão.

O futebol se tornou um jogo de interesses econômicos faz tempo. Mais um pouco e vai ser fiscalizado pelo FMI. A turma só pensa em dinheiro. Jogar bola virou um detalhe, como o gol para Parreira.

Essa festa que programaram para o ex-jogador é uma ofensa a todos os craques que passaram pela seleção e foram esquecidos, mesmo quando ainda estavam em atividade.

Se fosse uma homenagem desinteressada, justa, decente, seria o caso de perguntar: e Rivaldo, Tostão, Gerson, Zico? Eles não mereciam? Vambora montar um rachão de seniores?

Nem condições físicas mínimas tem o novo e poderoso empresário do mundo da bola. Papelão. Despedida melancólica.

Mas é assim que funciona o show bizz do futebol. E vai ficar cada dia pior. Perderam a decência de uma vez por todas. Jogo jogado.

Tomara que o Fenômeno não sofra uma contusão durante os 15 minutos em que vai se arrastar em campo. Vai estragar a festa. A que vem depois, em alguma boate badalada.

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4 junho 2011

O Rio de Janeiro pegando fogo e o governador Sérgio Cabral manda prender bombeiros. “Vândalos”, segundo ele. De um dia para o outro, heróis amanheceram aquartelados, acuados pelo Bope e tratados como inimigos públicos.

As autoridades fluminenses podem falar o que quiser. Se preferir, podem até estar cobertas de razão. Disciplina, hierarquia, respeito à instituição. Tudo isso vira cinzas diante de um número: 950.

É esse o salário inicial de um bombeiro no Rio: R$950. É esse o pagamento por arriscarem suas vidas para salvar a dos outros. Isso, sim, deveria ser caso de polícia. Emergência.

Quando uma criança sonha em entrar para o Corpo de Bombeiros, servir à população e ser um soldado do bem, um pai, a partir de agora, tem a obrigação de alertá-la: não vale a pena. Esse sonho, que pertence à infância de quase todos nós, não passa de um pesadelo.

O Estado do Rio de Janeiro ameaça expulsar os 439 bombeiros presos. Blefe, balela.  Fogo de palha. Todos sabem que a população tem enorme simpatia pela corporação. Ninguém quer que heróis se tornem mártires.

Se o governo do Rio quer apagar esse incêndio, vai ter que tratar com respeito seus soldados. Vai ter que botar água nessa fervura. E que envie logo os primeiros sinais de fumaça. Trégua. Paz.

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