17 junho 2011
Nosso país não é justo. Com razão, temos sede de justiça. Queremos ver criminosos na cadeia. Mas esse não é o caso do ex-jogador Edmundo.
Ele tem uma dívida com a sociedade. E deve pagá-la. Afinal, por imprudência, irresponsabilidade, matou três pessoas em um acidente de trânsito. Acidente: essa palavra é importante.
Existem crimes culposos e dolosos. É um fato: nem todo assassinato é cometido com intenção. Qualquer um de nós pode matar sem querer. Somos falíveis. Humanos. Miseravelmente humanos.
Temos leis. Para serem cumpridas. Muitas delas foram feitas para proteger poderosos. Banqueiros, por exemplo. E políticos corruptos. Esses caras nunca se dão mal.
Por isso, sempre que vemos algum bacana escapar da prisão, ficamos revoltados. Não é o caso de Edmundo. Para ele (um idiota que dirigiu como um “animal” e causou uma tragédia), devemos ter um julgamento diferente daquele que reservamos a assassinos cruéis e ladrões inescrupulosos.
Não é fácil. Se fossemos parentes das vítimas, só nos restaria como consolo ver o responsável pelas mortes pagando pesado pelos seus erros. Nenhuma pena, por mais dura, compensa a perda de gente querida.
Enterrar numa prisão e transformar em bandido um cretino, isso não melhora a sociedade nem a vida de ninguém. Num caso como o de Edmundo, obrigá-lo a reparar financeiramente a família atingida e obrigá-lo a prestar relevantes serviços comunitários é mais “justo” que acabar com ele.
O problema grave está na lógica perversa que norteia nosso Judiciário. Os advogados de defesa do ex-jogador usam como argumento principal a “prescrição da pena”. Por conta da lentidão de nossa Justiça, já teria passado o tempo do crime ser julgado. Isso é indecente, imoral, revoltante.
A dor da perda das famílias dura para sempre. Nem séculos compensa a morte de uma pessoa amada. Não é essa a questão. Essa linha de raciocínio jurídico é uma ofensa, uma indignidade. Calem a boca desses advogados! Mudem a lei, por misericórdia.
Edmundo tem de ser castigado. É preciso. Ele não pode ficar impune. Mas também não é correto que ele pague por crimes que outros cometeram. Não pode ser bode expiatório da falência da nossa Justiça.
Ajudaria muito se ele pedisse perdão de joelhos. Se fosse humilde. Se demitisse seus advogados cínicos. Se aceitasse pagar por seu erro medonho. Ajudaria se Edmundo fizesse justiça consigo mesmo. Talvez o respeitássemos.
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