27 junho 2011

Não foi por acaso que José Graziano se elegeu diretor-geral da FAO, órgão da ONU que traça políticas para a agricultura e a alimentação no mundo. Quem melhor que um brasileiro sabe o que é fome?

Por esse critério, um indiano ou africano seriam candidatos mais fortes. O problema é que o atual diretor é um senegalês. A fila anda. Mas também não por acaso o brasileiro concorreu com um espanhol, e ganhou apertado, quatro votos de diferença entre os 180 possíveis.

A Espanha vive uma crise econômica grave, com altos índices de desemprego. Quase 22% da população está sem trabalho. Faz parte do quintal da Comunidade Europeia. É um país que vem se esforçando muito para se tornar inviável. Mereceu a votação que teve.

Nossa tradição em pobreza deve ter sido determinante para a vitória do Zé. O fracasso do Programa Fome Zero, que ele coordenou durante o governo Lula, também foi decisivo, é o que tudo indica.

Todos os especialistas garantem que o preço dos alimentos vai aumentar nas próximas décadas. O próprio Graziano admite isso. É um cenário pessimista o que temos pela frente. E o Brasil vai poder capitanear esse período de miséria. Um privilégio, não?

O mais provável é que, sob o comando do PT, a FAO vai propor a implantação de um programa Bolsa Família interplanetário. O PSDB vai ser contra, claro. Mal posso esperar.

Por enquanto, vamos estufar o peito por termos um brasileiro na agência que possui um dos menores orçamentos da ONU. Considerada inócua, ineficiente, praticamente inútil, está nas mãos certas. Quanto orgulho.

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