19 julho 2011
As entranhas do Rio de Janeiro estão explodindo diariamente. Bueiros voam por conta dos gases que se acumulam nos subterrâneos da cidade. Como um grande e sonoro pum da Light e do governo na cara dos cidadãos fluminenses.
Escatologia é o que se refere às nossas mais profundas manifestações humanas. Não aquelas ligadas aos sentimentos, sonhos e ambições. Mas tudo aquilo que vem de dentro de nossos corpos mortais, que diariamente se decompõem. Excrementos. Não há palavras bonitas ou agradáveis para falar sobre isso, lamento.
Portanto, perdoem-me o termo escatológico. Mas é um fato: a administração pública está soltando flatulências, ventando e andando para a população, que vive em pânico diante da iminência de ser lançado aos ares junto com labaredas e pedaços de calçada.
Pessoas ficam seriamente machucadas. Morrem. Tudo porque nossos governantes não conseguem cuidar de seus compromissos mais básicos. Em plena rua, fazem suas necessidades primitivas: em vez de zelar pela vida de quem paga impostos, desviam dinheiro, se omitem e mandam às favas suas obrigações mínimas.
É uma imundície o que fazem essas pessoas poderosas. São uns porcos. É uma nojeira fétida o descaso e a incompetência desses senhores. As desculpas que proferem são com um arroto na opinião pública. Usam nossos ouvidos como pinicos.
Quantas vidas serão desperdiçadas até que se recupere o direito de simplesmente andar pelas ruas — sem o risco de ser estilhaçado pelas indecências que se acumulam no estômago podre do poder?
O Rio de Janeiro solta puns mortais. Dá vergonha de dizer isso, mas é o que sobra diante de tanta escatologia. Que nojo.
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