23 julho 2011

amy winehouse ap 338 450 Não lamentem a morte de Amy


Talentosa, visceral, única, Amy Winehouse enfiou uma torta na cara dos caretas. Sua morte era anunciada. Mais que isso, esperada e desejada pelos hipócritas que esfregam as mãos quando veem um artista drogado se dando mal.

A história das artes é feita em grande parte pelos loucos, suicidas e desesperados. Por qual outro motivo alguém cantaria daquela forma absoluta? Ela não queria aplausos, nem dinheiro, sexo ou fama.

É até um lugar comum nos lembrarmos de Janis Joplin. A voz mais arrebatadora de todos os tempos. Foi-se embora também aos 27 anos, assim como Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Jim Morrison. Talento e drogas muitas vezes se misturam, honey. Lamento informar.

Meus heróis morreram de overdose, cantava Cazuza. E nossos inimigos ainda estão no poder. E sempre haverá os bobos da corte, os pobres coitados e suas mansões, os menestréis medíocres, os encantadores de rebanho.

Se algum canalha quiser usar sua morte como exemplo para a juventude, é melhor tomar cuidado com as palavras. Apologia às drogas é dizer que ela era uma coitada que morreu em vão: ninguém vai acreditar.

Não tenham pena de Amy. Ela sabia o que estava fazendo. Mas, sim, ela poderia, pelo menos, ter nos deixado mais canções.

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