31 agosto 2011

jose dirceu blog Revista Veja trabalha para José Dirceu!

José Dirceu/ Foto: Wilson Dias/ABr

Agora entendi tudo. Esses anos todos, a revista Veja era aliada incondicional do ex-deputado José Dirceu. Nos subterrâneos do jornalismo, conspirava por sua absolvição no chamado caso do Mensalão.

Com a edição desta semana, atingiu seu objetivo: transformou o líder petista em vítima! Genial. Golpe de mestre.

Em uma ação suicida, publicou na capa a chamada sangrenta: O Poderoso Chefão: O ex-ministro José Dirceu mantém um “gabinete” num hotel de Brasília, onde despacha com graúdos da República e conspira contra o governo da presidente Dilma.

Para construir essa peça de defesa, que será amplamente usada pelo ex-ministro, a revista se superou. Primeiro, infiltrou ilegalmente um repórter no tal hotel em que o “chefão” se reúne com políticos e empresários.

A partir daí, começaram os crimes (da revista, não do Dirceu, que fique claro!). Além de tentativa de invasão de domicílio, a publicação cometeu falsidade ideológica e invasão de privacidade, não só de José Dirceu e seus interlocutores, mas também de hóspedes e funcionários do hotel.

Cuidadosa, Veja produziu provas contra si mesma e, na prática, confessou todos esses atos ilícitos e trapaças. Admite que instalou câmeras nos corredores e que fez seu repórter trapalhão se passar por outra pessoa e enganar uma camareira para entrar no "gabinete".

Foi um escarcéu, com o claro intuito de chamar a atenção de toda a opinião pública. Conseguiu. Para completar, as tais denúncias de conspiração não têm nenhum fundamento. Era tudo manipulação, sensacionalismo. Só o Reinaldo Azevedo acreditou na reportagem.

Não é fácil atingir uma impressão unânime dessas. A matéria tem de estar mal escrita, mal apurada, mal editada, em um esforço de antijornalismo monstruoso, como nunca antes se viu na história deste país. Tá todo mundo indignado. A Veja realmente se superou. Mas atingiu seu objetivo.

José Dirceu agora pode dizer que é perseguido pela maior revista do país, que teve sua vida pessoal e profissional devassada de forma criminosa, que tudo que já foi publicado antes é fruto de puro patrulhamento político.

Alguém precisa desmascarar toda essa armação. Isso não pode ficar assim!

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29 agosto 2011

ricardo bonner charge Globo faz as pazes com Ricardo Teixeira

Eu bem que avisei. A reportagem do Jornal Nacional sobre uma (entre muitas) das falcatruas de Ricardo Teixeira era cortina de fumaça. Bravata (leia aqui). Essa turma só morre abraçada. É pacto de sangue.

Neste domingo (28) os principais estádios brasileiros foram tomados por manifestações pedindo a mudança no comando da CBF. A bandeira “Fora Ricardo Teixeira” foi hasteada em todo o país, pelas principais torcidas.

Gremistas, colorados, palmeirenses, flamenguistas, são-paulinos, atleticanos, figueirenses, milhares de torcedores levaram o grito de guerra espontâneo e indignado. Mas a Globo não mostrou uma imagem sequer.

A reportagenzinha do JN era só para disfarçar. Fanfarrões. A Velha Senhora continua ignorando a avalanche de denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito que atinge o chefão da CBF, no cargo há mais de 20 anos.

Teixeirão está soterrado em dinheiro, enquanto clubes e federações vão à falência. Um bom negócio, mas só para a máfia do futebol, evidentemente, os gângsteres, como ficamos sabendo pelas palavras do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, o bom companheiro da turma.

Falência não é figura de linguagem. É possível ver a olho nu a decadência econômica do nosso futebol. Os números são da própria CBF: a média de público nos estádios era de 17.807 torcedores em 2009. Em 2010, uma queda de 17%: 14.800. Em um ano.

Já a média de audiência do futebol na Globo, entre 2005 e 2011, caiu 21% em todo país. Só na Grande São Paulo, maior concentração econômica, 22%. Nesse mesmo período, o custo de 30 segundos de anúncio foi de R$ 142 mil para R$ 236 mil, um aumento de 45% (no auge da crise econômica internacional).

Não é assustador? Esse modelo de gestão criminosa afasta torcedores (com ingressos mais caros e horários absurdos) e anunciantes (que pagam cada vez mais por menos audiência).

Isso para não falar da violência das torcidas uniformizadas, os cambistas, a falta de preparo do policiamento e a evasão dos craques, que rumam cada vez mais jovens ao exterior (onde os clubes são geridos também por profissionais, e não só por bandoleiros).

Como tudo isso é possível? Simples: monopólios encarecem seus produtos, essa é uma lei de mercado. Em nenhum lugar do mundo os ditadores e capitalistas selvagens caíram sem guerra. Porque eles lutam com todas as armas, não cedem à força dos argumentos.

E eles sempre têm aliados: os que se vendem por muito dinheiro. Eles não se separam. Disfarçam que brigam, mas logo fazem as pazes. Só morrem abraçados. Como a Globo e Ricardo Teixeira.

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26 agosto 2011

Genial o projeto da Assembleia Legislativa de São Paulo que autoriza o retorno dos mastros de bandeira (leia aqui) nos estádios de futebol.

Como já estão discutindo a liberação de bebidas alcoólicas nos jogos da Copa (leia aqui), era o caso de propor o uso obrigatório de armas de fogo e o fim do policiamento.

O certo mesmo era entregar tudo na mão das torcidas organizadas. Aí a festa ia ser completa. Rojões, raios laser, bazucas e alucinógenos deveriam ser distribuídos antes dos jogos para os torcedores que ostentassem camisetas e faixas alusivas ao crime organizado.

Graças a iniciativas como essas, o futebol poderá recuperar a grandeza e virilidade dos velhos tempos. Arquibancada não é lugar para mariquinhas ou famílias desocupadas.  Quer assistir a uma partida em paz? Fica em casa vendo TV a cabo. Ora, bolas.

Quem faz o espetáculo são os torcedores profissionais que dedicam suas vidas a acompanhar os times aonde eles forem. Os dirigentes de clubes estão aí sempre dispostos a bancar esse exército de aficionados. Pudera, devem estar todos desempregados.

Esses verdadeiros soldados precisam de apoio. Uniformes eles já têm. Basta fornecer munição. Guerra é guerra, e os gramados, afinal, não são campos de batalha?

Os deputados paulistas deveriam convocar representantes dos hooligans ingleses para dar uma assessoria nessa retomada da cultura bélica no futebol. Com a volta dos gladiadores, finalmente poderemos chamar nossos estádios de arenas.

Ainda bem que temos parlamentares visionários, arrojados e modernos, sempre atentos às nossas prioridades. São eles que hasteiam nossas principais bandeiras. Tremulantes.

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23 agosto 2011

gaddafi ok O Brasil precisa defender Gaddafi!

O Brasil não pode perder a chance de apoiar Muammar Gaddafi.

O tempo urge: já que a presidente Dilma perdeu a chance de renegá-lo já no início da crise, que seja coerente e mande tropas brasileiras para impedir a queda do ditador líbio.

Não foi por falta de aviso. Aqui mesmo neste blog, em fevereiro, alertamos para que chutássemos o cachorro morto.

Essa diplomacia brasileira é estranha mesmo. Esquizofrênica. Defende os direitos humanos no atacado, mas se omite no varejo.

Da forma como eclodiu a rebelião, estava claro que a ditadura na Líbia estava com os dias contados. O banho de sangue foi anunciado pelo próprio filho de Gaddafi.

Era a hora de o nosso país se posicionar como uma grande nação, irredutível diante da barbárie e guardiã da democracia.

Que nada. Os almofadinhas do Itamaraty convenceram nossa presidente a se manter neutra. Pagamos o mico internacional de defender a “soberania” de um povo oprimido.

Por interesses econômicos, é claro. Afinal, somos um país acostumado a ver o mal prevalecer em troca de um punhado de dólares.

A história se provou menos cínica. O cara dançou legal. O povão pegou em armas, foi às ruas e derrubou 42 anos de um governo despótico, cruel e assassino. Perdeu, playboy.

Mas o Brasil dançou junto. Que pelo menos se mantenha a coerência. Vergonha maior seria virar a casaca. Vamos até o fim! Viva Gaddafi! Tudo em nome da soberania das nações escravizadas!

Estamos assistindo a um momento raro, em que sistemas totalitários estão sendo enfrentados corajosamente. A Primavera Árabe. Tunísia,  Egito, Argélia, Bahrein, Djibuti, Iraque, Jordânia, Síria, Omã e Iêmen.

Seus ditadores e déspotas estão sendo encurralados. Mas o Brasil é um país cordial.

Não quer se meter em encrenca. Mas também não pode ficar em silêncio diante dos fatos. Nem ir a reboque de quem tem sangue nas veias, como se fossemos  um país de covardes.

Ai, que saudades do Nelson Jobim! Ele, sim, teria coragem de mandar um helicóptero do Exército brasileiro resgatar o Gaddafi. Já que é para ser bundão, vamos até o fim!

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18 agosto 2011

Uma revanche de Ricardo Teixeira contra a Globo seria mais feia que briga de rua. E ninguém vai ser maluco de querer apartar briga de gângsteres. É um daqueles casos raros em que torcemos para que os dois lados percam.

Mas creio que está mais para bravata esta história de que o presidente da CBF ameaça divulgar gravações de diálogos comprometedores para o diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto.

Segundo o jornalista Ricardo Feltrin, do UOL, há conversas gravadas que “revelariam como a Globo manipulou o horário de partidas de times e da seleção, para atender a seus próprios interesses”. E também demonstrariam a arrogância, prepotência e desprezo característicos do chefão global.

Essas gravações seriam usadas como retaliação pela recente reportagem do Jornal Nacional denunciando falcatruas do Teixeirão. Uma espécie de cala a boca senão eu grito.

Acontece que, no fundo, tanto a denúncia do JN quanto o conteúdo das tais conversas são mixarias perto do que está realmente por trás dessa relação promíscua entre CBF e Globo.

UOL, Folha e Lance bateram bumbo meses sobre o caso, mostrando as ações criminosas que os envolvem. Mas só quando a Record entrou na briga, a Globo se viu em um beco sem saída. E cachorro louco acuado...

Por enquanto, o mais provável é que Marcelo Campos Pinto seja fritado. Esse é o modus operandi da família. Basta lembrar como outro grande aliado da Velha Senhora, Fernando Collor de Mello, foi abandonado em praça pública. Ou como, de repente, após meses de silêncio, o movimento das Diretas Já surgiu na telinha da Globo.

Nunca vi gângsteres morrerem abraçados. Nem ratos afogados no porão. O instinto de sobrevivência fala mais alto nessas horas.

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17 agosto 2011

Ser crítico de TV hoje em dia não é tarefa fácil. Que o diga meu colega Maurício Stycer, do UOL, que sacramentou que “Com briga entre peões, A Fazenda alcança novo patamar de baixaria em reality show”. Só faltou colocar no título um eufórico “eba!”.

O texto se refere ao “duelo verbal” entre os participantes Anna Markun e Gui Pádua, que foi ao ar nesta terça-feira, 16, “numa edição caprichada”, segundo o próprio. Para deleite de quem assiste ao programa, e aí se incluiu o crítico, o barraco foi pesado. Afinal, sabemos, estão todos “ávidos por confusões do tipo” – mais uma frase pinçada do texto.

Pensando assim, a crítica de TV também deveria se incluir em um novo patamar, o da “cobertura de baixarias”. A pergunta que fica é: por que o UOL passou o dia falando da briga? Mais: por que o portal, arauto dos princípios pudicos editoriais do Grupo Folha, mantém uma página especial apenas para o reality? Não seria melhor então dedicar este espaço à música erudita?

Quem será mais oportunista e hipócrita? Como tirar proveito da Fazenda sem dar muita bandeira e até parecer inteligente? É só contratar críticos que, do alto de suas funções, assinam sábias sentenças de vida e morte sobre o que é bom gosto?

Audiência é o prêmio que une a todos. Por isso o UOL tem homes exclusivas para A Fazenda, Big Brother e adjacências. O que não pega bem é posar de imprensa intelectual ou antropológica. Ninguém acredita mais nisso. O jornalismo tem de ir onde o povo está, deveriam cantar, em uníssono.

O que não dá é se jogar na lama e fazer de conta que o smoking está impecável. Muito cafona.

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16 agosto 2011

Um colégio de Pouso Alegre (MG) demitiu um professor de educação física porque ele, durante uma partida de handebol, gritou com um dos alunos e o chamou de burro. É esse o exemplo que querem dar para a juventude? Chegamos ao fim dos tempos.

Meu professor de “ginástica” era um sargento da PM que gritava o tempo todo e chamava os garotos mais desengonçados (como eu) de “lêndeas”. Curioso, fui ao dicionário e descobri que se tratava de ovos de piolhos. Bullying também é cultura.

Claro que eu detestava esse sargento. Grosso, autoritário, sádico. Mas graças a ele me enfiei nos livros e nunca mais perdi meu tempo querendo jogar futebol. Até hoje meus amigos agradecem por eu ficar na arquibancada. Também aprendi a não confiar em meganhas. Mal não faz.

A história é a seguinte: a excessiva proteção às crianças e jovens se tornou uma doença social.  Estamos criando monstrinhos, apenas isso. Meninos e meninas mimados, arrogantes e despreparados para o mundo frio e cruel que vão encontrar na vida adulta.

Esta semana mesmo li que, na Alemanha, uma criança de 11 anos ligou para a polícia reclamando que sua mãe o submetia a “trabalhos forçados”. No caso, ajudar na limpeza da casa. Entenderam o que eu quero dizer?

Não estou sugerindo espancamentos. Agressão física não é justificável. Mas, fique claro, não acho que seja caso de polícia um puxão de orelhas carinhoso ou uma palmadinha pedagógica. O que eu sei, e a ciência me acompanha nesse raciocínio, é que crianças e adolescentes não são adultos.

O mau exemplo que a escola mineira deu é preocupante. OK, que o professor pedisse algum tipo de desculpas. Mas ser demitido e humilhado, tratado como um marginal? Calma lá.

Depois reclamam que vivemos em uma sociedade individualista, cínica e egoísta. O mundo está em crise, a violência urbana só cresce, a intolerância é a marca desses tempos sombrios e o que fazem os diretores de escola? Burros! Burros!

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14 agosto 2011

E não é que o Jornal Nacional deste sábado (13) levou ao ar uma reportagem denunciando uma das falcatruas de Ricardo Teixeira?

Aleluia?

Os astros estão mandando algum recado e devemos acreditar que finalmente a Rede Globo se rendeu?

Será?

Mesmo com mais de dois anos de atraso em relação à ação movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e após inúmeras denúncias da Record, Folha de S Paulo, revista Piauí, enfim a Velha Senhora informa que o presidente da CBF está envolvido em um escândalo: o desvio de R$ 9 milhões para que uma empresa de fachada organizasse um amistoso entre a seleção brasileira e a de Portugal.

O jogo foi realizado em 2008, em Brasília. O então governador, o famigerado José Roberto Arruda, transferiu esse dinheirão do governo para uma tal de Ailanto Marketing, firma “laranja” (destacada pela CBF) criada um mês antes do jogo e que nem sequer tinha telefone fixo. Em uma reportagem de três minutos, o JN conta essa história antiga, mas com ares de novidade. Antes tarde do que nunca. OK. É sempre bom repetir que Ricardo Teixeira é um dirigente notoriamente conhecido por usar o futebol brasileiro em benefício próprio.

Surpreendente é vermos a Globo cumprindo seu dever de informar com alguma honestidade seus telespectadores. Em termos, vale ressaltar: essa história não é contada em detalhes e, para alguém mais desatento, não fica claro o quanto a CBF agiu de má-fé. Sobrou mais para a empresa fantasma e o “cachorro morto” do Arruda.

Mesmo assim, registro o espanto: a Rede Globo está rompendo seu pacto de silêncio com um dos seus principais comparsas? Será delação premiada? A presidente Dilma telefonou para a família Marinho pedindo alguma decência? Ou a Velha Senhora percebeu que a casa vai cair e agora corre atrás do prejuízo, como nas Diretas Já e no impeachment de Collor?Aguardemos os próximos capítulos. Se for a novela de sempre, é só uma cena para despistar. Nos folhetins da Globo, os vilões quase sempre acabam se dando bem. Se for para valer, em breve conheceremos o desfecho. Será?

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11 agosto 2011

“Há pessoas que retiram com prazer aquilo que acabaram de dizer, como quem retira uma espada do ventre do adversário”. Essa foi a forma brilhante que o escritor francês Pierre-Jules Renard encontrou para definir um pedido de desculpas. Essa frase deveria fazer parte do novo código de ética do Jornal Nacional, da Rede Globo.

Durante uma chamada para o JN desta quarta-feira, 10, às 17h, foi anunciado que a ex-vice-presidente de TI da Caixa Clarice Copetti estava presa por envolvimento nas fraudes do ministério do Turismo. Só foi “libertada” por volta das nove da noite, quando Willam Bonner fez uma constrangida retratação no ar. Era tudo mentira. Ou, em palavras mais arrogantes, um “erro de informação”.

Já nas palavras mais precisas da “prisioneira”: “Um veículo de comunicação me colocou como ré, me julgou, fazendo o papel do Judiciário, e me prendeu, fazendo o papel do Executivo. Ou seja, assumiu as funções do Estado brasileiro sem sequer procurar se informar sobre quem eu era”. É, foi bem mais que um erro.

Consta que em conversas de Clarice com editores do JN, nem eles souberam explicar como haviam anunciado a falsa prisão. Por que não entraram em contato com ela, o “outro lado”?  Essa é uma das poucas leis universais do bom jornalismo. Custava telefonar? Uma empresa daquele tamanho? A vítima foi avisada pelos seus familiares, em pânico!

Mas basta pedir desculpas? O mínimo seria explicar como se construiu um erro gravíssimo desses. Em detalhes. Porque o que fica é a impressão de que isso já aconteceu antes. E voltará a acontecer novamente. Medo.

Se fosse comigo, abriria mão das desculpas e preferiria minha parte em dinheiro. É um estrago e tanto na vida de qualquer um. Milhões de pessoas que ouviram a chamada da prisão não estavam assistindo TV quando foi feita a retratação. Já era.

Na verdade, um erro desses não tem perdão. Deve doer muito quando retiram uma espada de dentro de nós.

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11 agosto 2011

A presidente Dilma ficou irritada com o uso de algemas durante as prisões feitas pela Polícia Federal. Dou razão a ela. A lei deixa bem claro que um suspeito só pode ser algemado se oferecer resistência à prisão ou riscos aos policiais.

Não foi nada disso que vimos durante a Operação Voucher, que investiga desvio de dinheiro no Ministério do Turismo. É o chamado abuso de autoridade. Não queira saber o que é isso de perto.

Um exemplo clássico é ver policiais puxando cabelo de preto e pobre, normalmente vestido de bermuda vagabunda, para que mostre o rosto para câmeras de TV e fotógrafos. Ninguém reclama. Mas devia.

O direito de imagem, ainda mais numa situação terrível como essa, raramente é respeitado. Mas alguns se dão bem. Enquanto Celso Pitta foi levado em cana de pijamas, Paulo Maluf foi tratado com dignidade. Um morreu pobre, sem dinheiro para pagar o próprio caixão. Do outro, é de amplo conhecimento o número de suas contas em paraísos fiscais.

Como vivemos num país injusto, a população tende a achar bacana ver supostos meliantes serem humilhados. Se dependesse da opinião pública, prisioneiros seriam levados debaixo de chicotadas ou arrastados por cavalos.

No caso de corruptos, são todos covardes, inofensivos quando longe de suas canetas e sacolas de propina. É só dar um grito que ficam miudinhos. Não carecem de algemas. Passa o cadeado na cela e tudo bem, missão cumprida. O resto é com o Judiciário e sua indústria de habeas corpus.

O fato é que há muitos inocentes na cadeia. E muito mais gente culpada fora dela. OK. Mas sempre que vir alguém sendo maltratrado por meganhas, lembre: esculacho é invenção de bandido.

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