4 agosto 2011

Nelson Jobim vai sair por onde entrou, pela porta dos fundos. O ex-ministro da Defesa é uma daquelas figuras inexplicáveis da era Lula. Parecia um ex-funcionário que se convidou para o churrasco da firma e foi ficando. Nunca entendi.

Sua arrogância jamais foi útil à República. Fanfarrão, jurou que ia acabar com o caos aéreo no país. No lugar de um terremoto, implantou um tsunami.

E mais nada há para se falar de sua carreira política. Sua passagem como ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso é uma imensa página em branco na história do Brasil.

Como ministro do Supremo Tribunal Federal, sua única atitude elogiável foi abandonar o cargo, em março de 2006. Momento glorioso do nosso Judiciário.

New Image Jobim já vai tarde
Jamais saberemos os motivos que o mantiveram tanto tempo no poder. Além de ser a encarnação perfeita do oportunismo da base aliada, não vejo outra explicação. Sempre prestes a trair, até que demorou.

Não surpreende a forma covarde que escolheu para se retirar. Após suas declarações deselegantes e infelizes, fosse um homem público de verdade, teria a decência de pedir demissão (PS: antes de saber que já estava demitido). Esse traço de pusilanimidade ao menos é coerente com sua trajetória pífia de gandula do PMDB.

Mas não vamos nos iludir. Nelson Jobim não vai desaparecer do cenário político. Há vagas abertas na oposição: vai ser uma experiência inédita para quem sempre se manteve aos pés do poder. Desejo-lhe sorte na tarefa de prejudicar o país. Talento para isso não lhe falta.

Bons ventos o levem. É de homens assim que não precisamos.

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4 agosto 2011

panico velorio amy winehouse Não entre em <i>Pânico na TV</i>: isso é sintoma de psicopatia

Pânico na TV nunca foi um programa humorístico. Se, em alguns mal-humorados, causa gargalhadas histéricas e risadas nervosas, isso só reforça a impressão: aquilo é uma antessala de hospital psiquiátrico.

Sociopatas sempre existiram, mas se tornaram comuns nesta sociedade doente em que vivemos. Por que não teriam um horário na TV só para eles? É democrático. Política de cotas.

Não estou exagerando: o que caracteriza os chamados psicopatas é serem sedutores, divertidos, simpáticos, ardilosos, mas alheios aos direitos e sentimentos dos outros. São cruéis e manipuladores. Do mal.

É isso que faz a “atração” da Rede TV!: seduz a audiência para praticar com ela os atos mais covardes e egoístas. Ri da desgraça alheia, humilha e ridiculariza. Com uma característica patológica: sem remorso. Fica indiferente ao prejuízo que causa. Diverte-se com o que deveria despertar afeto ou compaixão.

É um manicômio com direito a visita íntima, mas só que diante de milhões de pessoas. Assiste quem quer, é bom ressaltar. Claro que mulheres seminuas ajudam a criar o clima de sedução. Vende o corpo quem quer, é bom ressaltar.

O ápice dessa demência exibicionista e destrutiva se deu no velório da cantora Amy Winehouse. Uma equipe do programa, camuflada, mentirosa, impostora, se fez passar por amigos da família e ficou lá, simulando choro, fazendo pose e dando entrevistas comoventes para a imprensa internacional. Mórbido. Doentio.

Os tais humoristas se acharam o máximo, como se houvesse algum valor em se apropriar do luto e da morte de outras pessoas. Como se fosse engraçado passar por cima de um cadáver. Depois, ficaram rindo um para o outro, como loucos.

Se alguém achou graça nessa maldade inútil, procure um psiquiatra: é um profissional preparado para ouvir uma piada idiota dessas e entender que a coisa é séria.

Nos livros médicos, ficamos sabendo que “o sociopata possui tendência para enganar, mentir repetidamente, usar nomes falsos e ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer”.

Não por acaso, o programa se chama Pânico. É o ponto de partida: assustar sem motivo, provocar reação desordenada, se espalhar pela multidão. Perder o controle. No caso, o controle remoto. Porque bastava um clique e pronto, estava tudo encerrado. Mas não.

É um caso de mau-humor público. O Ministério da Saúde adverte: “Rir é muito bom. Mas cuidado, não entre em Pânico!”.

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