8 agosto 2011

Você sabia que a Globo usa bloqueadores de celular em estádios para poder transmitir jogos de futebol em alta definição? Chocante, não? É ilegal, óbvio. Com um agravante: esses equipamentos entraram no país de forma clandestina. Contrabando, portanto.

Dois crimes graves, enfim descobertos, graças a uma investigação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). E que veio a público por conta de uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste domingo (07).

Seria um grande serviço à sociedade, não fosse por um detalhe intrigante, suspeito e indesculpável: a matéria não cita o nome da Globo em nenhum momento!

Só ficamos sabendo que se trata de “uma grande emissora” que usava os bloqueadores “para ter estabilidade na transmissão” e que “um dispositivo instalado nas câmeras impedia que celulares acessassem a antena da operadora mais próxima, que, assim, ficava a serviço da emissora.”

Mais detalhadamente: “No início de julho, fiscais da agência em São Paulo autuaram uma grande emissora de televisão, no estádio do Pacaembu, pelo uso ilegal de equipamentos que bloqueavam celulares em um raio de até 1,6 km do campo.”

Deve ser algum novo modelo de jornalismo, em que denúncias seríssimas preservam a identidade de sabotadores e contrabandistas. É como noticiar que um ministro foi demitido por desvio de dinheiro, mas, talvez por gentileza, não dar o nome do ladrão.

A Folha não diz na matéria se a omissão é exigência da Anatel, o que também seria injustificável, já que é informação relevante e de interesse público. E sabemos que isso não é caso de segredo de Justiça, já que tudo ocorre na esfera de uma agência reguladora, e não no Judiciário. Ainda.

Por que essa camaradagem inútil, já que, por dedução e eliminação, só podemos chegar à Globo e a seu canal a cabo, a Sportv? É a única “emissora” que tem os famigerados direitos de transmissão. A Band, por sua vez, só usa uma ou duas câmeras exclusivas na beira do campo. Só a Globo transmite.

Fiquei curioso. Como um fato desses não foi amplamente divulgado pela Anatel? Será que a Polícia Federal foi chamada para investigar o evidente contrabando? E a Folha, caramba, por que se meteu literalmente numa roubada dessas de proteger a “emissora”?

Nessa história toda, um fato, para lá de simbólico, chama atenção: bloqueadores de celulares só são autorizados em presídios. Para impedir que bandidos se comuniquem. Irônico, não?

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5 agosto 2011

celso amorim ok2 Amorim, pede pra sair

Celso Amorim - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Estava bom demais para não piorar.  A presidente Dilma perdeu uma boa oportunidade de ganhar definitivamente a confiança dos militares. Nos livramos do Jobão e chamaram o Amorinha. Leia aqui.

Tiraram o goleiro Bruno e convocaram o reserva dos juniores. Assim como ministro da Saúde cuida de doença, ministro da Defesa cuida de Guerra. Lamento informar, mas a vida é assim.

Colocar um diplomata no Ministério da Defesa, para comandar as Forças Armadas, para início de conversa, é um erro que se repete. O Brasil sabe que os milicos não gostam de bater continência para pessoas educadas em Paris.

Quando o embaixador José Viegas Filho foi ministro de Lula, a turma da caserna se sentiu desprestigiada. Com boa dose de razão. Não precisa ser amigo de general para desconfiar que o negócio deles é barra pesada demais para ser conduzido por amadores.

Todo mundo sabe que aí tem o dedo do Lula. Como bom corintiano, gosta de provocar gente fardada. A Dilma não precisava cair nessa emboscada.

O Ministério da Defesa já é uma pasta sem verba. Não tem dinheiro nem pra comprar bala de chumbinho. Então, pra que tripudiar? O que Celso Amorim pode fazer quando estiver reunido com Marinha, Exército e Aeronáutica? Jogar War? Dominó? Discutir diplomacia?

O estrago vai ser grande. E desnecessário. Daqui a pouco, para azar de todos, vai ter gente pedindo a convocação do Capitão Nascimento. Amorim, pede pra sair! Pede pra sair!

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4 agosto 2011

Nelson Jobim vai sair por onde entrou, pela porta dos fundos. O ex-ministro da Defesa é uma daquelas figuras inexplicáveis da era Lula. Parecia um ex-funcionário que se convidou para o churrasco da firma e foi ficando. Nunca entendi.

Sua arrogância jamais foi útil à República. Fanfarrão, jurou que ia acabar com o caos aéreo no país. No lugar de um terremoto, implantou um tsunami.

E mais nada há para se falar de sua carreira política. Sua passagem como ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso é uma imensa página em branco na história do Brasil.

Como ministro do Supremo Tribunal Federal, sua única atitude elogiável foi abandonar o cargo, em março de 2006. Momento glorioso do nosso Judiciário.

New Image Jobim já vai tarde
Jamais saberemos os motivos que o mantiveram tanto tempo no poder. Além de ser a encarnação perfeita do oportunismo da base aliada, não vejo outra explicação. Sempre prestes a trair, até que demorou.

Não surpreende a forma covarde que escolheu para se retirar. Após suas declarações deselegantes e infelizes, fosse um homem público de verdade, teria a decência de pedir demissão (PS: antes de saber que já estava demitido). Esse traço de pusilanimidade ao menos é coerente com sua trajetória pífia de gandula do PMDB.

Mas não vamos nos iludir. Nelson Jobim não vai desaparecer do cenário político. Há vagas abertas na oposição: vai ser uma experiência inédita para quem sempre se manteve aos pés do poder. Desejo-lhe sorte na tarefa de prejudicar o país. Talento para isso não lhe falta.

Bons ventos o levem. É de homens assim que não precisamos.

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4 agosto 2011

panico velorio amy winehouse Não entre em <i>Pânico na TV</i>: isso é sintoma de psicopatia

Pânico na TV nunca foi um programa humorístico. Se, em alguns mal-humorados, causa gargalhadas histéricas e risadas nervosas, isso só reforça a impressão: aquilo é uma antessala de hospital psiquiátrico.

Sociopatas sempre existiram, mas se tornaram comuns nesta sociedade doente em que vivemos. Por que não teriam um horário na TV só para eles? É democrático. Política de cotas.

Não estou exagerando: o que caracteriza os chamados psicopatas é serem sedutores, divertidos, simpáticos, ardilosos, mas alheios aos direitos e sentimentos dos outros. São cruéis e manipuladores. Do mal.

É isso que faz a “atração” da Rede TV!: seduz a audiência para praticar com ela os atos mais covardes e egoístas. Ri da desgraça alheia, humilha e ridiculariza. Com uma característica patológica: sem remorso. Fica indiferente ao prejuízo que causa. Diverte-se com o que deveria despertar afeto ou compaixão.

É um manicômio com direito a visita íntima, mas só que diante de milhões de pessoas. Assiste quem quer, é bom ressaltar. Claro que mulheres seminuas ajudam a criar o clima de sedução. Vende o corpo quem quer, é bom ressaltar.

O ápice dessa demência exibicionista e destrutiva se deu no velório da cantora Amy Winehouse. Uma equipe do programa, camuflada, mentirosa, impostora, se fez passar por amigos da família e ficou lá, simulando choro, fazendo pose e dando entrevistas comoventes para a imprensa internacional. Mórbido. Doentio.

Os tais humoristas se acharam o máximo, como se houvesse algum valor em se apropriar do luto e da morte de outras pessoas. Como se fosse engraçado passar por cima de um cadáver. Depois, ficaram rindo um para o outro, como loucos.

Se alguém achou graça nessa maldade inútil, procure um psiquiatra: é um profissional preparado para ouvir uma piada idiota dessas e entender que a coisa é séria.

Nos livros médicos, ficamos sabendo que “o sociopata possui tendência para enganar, mentir repetidamente, usar nomes falsos e ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer”.

Não por acaso, o programa se chama Pânico. É o ponto de partida: assustar sem motivo, provocar reação desordenada, se espalhar pela multidão. Perder o controle. No caso, o controle remoto. Porque bastava um clique e pronto, estava tudo encerrado. Mas não.

É um caso de mau-humor público. O Ministério da Saúde adverte: “Rir é muito bom. Mas cuidado, não entre em Pânico!”.

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3 agosto 2011

Dia do Orgulho Hétero. Mas que veadagem é essa? Sempre achei essa ideia engraçada e jamais acreditei que alguém pudesse pagar o mico de levar isso a sério. Que patético.

Quando sai do campo da brincadeira, esse tipo de iniciativa, de tão esdrúxula, desperta piedade e compaixão. São pessoas que se sentem oprimidas as que chegam a esse ponto de desespero.

Que os gays manifestem seu orgulho, é compreensível. Sofreram milênios de opressão, obrigados a ocultar seu desejo numa vida miserável e repleta de medo. Foram perseguidos, humilhados e mortos apenas por serem o que são.

Que heterossexual pode se julgar assim, massacrado e oprimido? Em que armário essa turma se escondeu esse tempo todo? O que lhes tem sido negado? Hum, aí tem coisa.

O pessoal que agasalhou essa parada precisa vir a público se explicar melhor. Do jeito que está, a vizinhança vai começar a tirar conclusões apressadas, com alguma razão. Quer dizer que o povo da cidade de São Paulo está se sentindo sufocado?

Me incluam fora dessa. Às vezes até que eu sinto um calorzinho, nada que um chope não resolva. Passou disso, ligo para uma amiga e boto a conversa em dia. Nessas horas, é bom evitar aglomerações ou passeatas.

De qualquer forma, sou incondicionalmente a favor da liberdade de expressão. É um direito constitucional. Quer sair na rua, de terno e gravata, gritando que é homem? Ui. Vai em frente e se joga, bró.

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2 agosto 2011

A hipocrisia de nossos governantes não tem fim. Incapazes de consertar estradas, equipar hospitais e nos dar segurança nas ruas, ficam ludibriando a população criando leis que rigorosamente se baseiam em um único verbo: proibir.

Assim é fácil. Sem gastar um único tostão, já que dinheiro público só serve para ser desviado e pagar juros absurdos, iludem os incautos a partir de moralismos bem ao gosto dos incultos.

A última “iniciativa” nessa linha preguiçosa e oportunista foi do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Descobriu a pólvora e, a custo zero, criou uma lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menores. Não é um gênio? Criar uma lei que já existe!

geraldo Proibir o que já está proibido é um porre

E tem gente que comemora, dizendo agora sim, temos um comandante! É o mesmo truque da lei antifumo, da lei seca e outras artimanhas baratas como os toques de recolher que se espalham por cidadezinhas medievais mundão adentro.

Claro que todos nós somos contra menores enchendo a cara por aí. Mas é tão evidente que se trata de uma lei tão inútil quanto redundante, que só ingênuos estão brindando.

Assim como na lei antifumo, vamos ver, nos próximos meses, centenas de fiscais fazendo pose nos bares frequentados pela classe média.

Já nos botecões e sujinhos da periferia, onde o bicho pega pra valer, podem apostar: nenhum funcionário público vai se dar ao trabalho de ir até onde não chegam as câmeras de TV.

Esse jeito de governar por meio de plaquinhas na porta de choperias e restaurantes é como bater carteira de bêbado. Quem aplaude essas escaramuças deveria pegar uma fila de hospital pra ver o porre que é ser cidadão neste país.

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