22 setembro 2011

troy davis reuters g 20110922 Pena de morte é coisa de assassinos

Troy Davis/Reuters

Em condições extremas, eu acho justa a pena de morte. Mas sou radicalmente contra a aplicação da pena de morte. Simples assim.

O caso do americano Troy Davis (leia aqui) é um exemplo capital de como o Estado e a Justiça são capazes de agir como assassinos frios e cruéis.

Davis recebeu uma injeção letal na noite desta quarta-feira (21), após permanecer durante 20 anos no corredor da morte.

Só para efeito de comparação, é pouco provável que algum assassino confesso fique esse tempo todo preso aqui no Brasil. Enfim.

Centenas de manifestações em todo o mundo pediram a suspensão da sentença baseada em diversos vícios judiciais que revelavam dúvidas consistentes sobre a inocência do condenado.

Durante o processo, sete de nove testemunhas de acusação se retrataram sobre terem reconhecido o réu como autor da morte de um policial, em 1989. A arma do crime nunca foi encontrada e nenhuma prova digital ou traço de DNA foi revelado.

Por conta de tecnicismos jurídicos impiedosos e sem a clemência das autoridades, o homem foi morto. Friamente. Mesmo alegando inocência e sem provas definitivas.

Só um detalhe: ele era negro e a vítima, branca.

O caso de Troy Davis se tornará uma pequena estatística de erro judicial, diante do imenso número de mortos por crimes violentos. O fato é que pouca gente se importa, com uma ou com outro.

Ainda mais nos Estados Unidos, bastião de uma nação “civilizada e democrática” que ainda aplica a pena de morte. Nem vamos citar os países que promovem execuções por apedrejamento ou forca, que aí a argumentação ficaria bizarra.

Como a Justiça é feita por homens, ela é falha. A vida de um único ser humano inocente não vale a execução de centenas de criminosos. Definitivamente, não vale. Quem pensa o contrário é cínico, doente e burro. Merecia morrer por isso.

***

OBS: Está em cartaz em São Paulo, no Tuca Arena, o espetáculo teatral Doze Homens e uma Sentença, baseado em um famoso filme dirigido por Sidney Lumet e estrelado por Henry Fonda, em 1957. É imperdível.

Na peça, um texto indiscutivelmente genial e um elenco talentoso mostram como não se pode condenar uma pessoa, ainda mais à morte, se houver uma “dúvida razoável”.

Ou seja: sem a certeza absoluta, não é possível fazer justiça. Convido os defensores da pena de morte a assistirem a essa obra.

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