20 outubro 2011
A reportagem do R7 sobre venda de bebida alcoólica a menores de idade em bares de São Paulo serve como aperitivo para o que se anuncia como mais uma iniciativa estúpida e demagógica.
Essa Lei Antiálcool é daquelas ações de forte apelo popular que vai ficar cambaleando por aí, sem nenhum efeito prático. Se algo ocorrer, o mais provável é que seja alguma injustiça.
Essa matinê da Lei Seca tem tudo para se tornar mais um show de mídia para o governo de São Paulo. Não vai mudar um dígito sequer nos índices de alcoolismo entre jovens.
Mas talvez convença os desavisado de que alguma providência foi tomada por nossas autoridades. Balela. Novamente, Legislativo e Executivo cometem a proeza de implantar uma lei que já existe. Esse tipo de engodo não tem mais fim?
Qualquer cidadão sabe que a venda de bebidas a menores não faz parte de um complô de donos de bares, padarias e supermercados para arruinar o caráter da juventude brasileira.
Conheço poucos lugares que permitem deliberadamente o consumo de álcool por menores. Quando existem, estão na periferia, em meio a tráfico de drogas, evasão escolar, omissão da família e ausência do Estado.
A maioria dos meninos e meninas que consomem bebidas o faz na rua, território pelo qual o maior responsável é o governo. Raramente ficam sentados nos bares arrumadinhos para onde os valorosos fiscais vão se dirigir, atrás dos holofotes e câmeras de TV.
Fico imaginando um dono de posto de gasolina, desses que vivem abarrotados de jovens que não têm outra opção de lazer, escalando funcionários para exigir que a garotada mostre seus documentos. Inclusive, obrigar alguém a se identificar não é poder exclusivo da polícia?
Com certeza, esse desleixo será rapidamente corrigido e redobrado o olhar para eventuais menores que aparentam mais idade. E depois desse evento fabuloso, o que restará?
Desconfio que as multas seriam eficientes se aplicadas aos pais que permitem a seus filhos vadiar pela cidade e chegar em casa visivelmente bêbados. Também poderiam fiscalizar os churrascos de domingo e as festinhas de família, onde a birita corre solta até na mão de crianças.
Muito mais confortável para todos é transferir responsabilidades. Cuidar dos próprios filhos é um porre.
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