27 dezembro 2011

Diga-me quem publicas e te direi com quem andas. Esse ditado impopular conta muito da história da imprensa brasileira. Principalmente às vésperas de eleições. Ah, as pesquisas de intenção de voto... O Grupo Bandeirantes de Comunicação encomendou uma ao Ibope sobre as eleições municipais de 2012 na capital paulista. Deu Serra na cabeça. Ufa! Um alento de fim de ano após o escracho de pesquisas negativas e um livro-bomba na cabeça.

Estaria tudo na normalidade das pesquisas (sic) não fosse um abuso da Band: numa lista com 11 nomes, ela excluiu o nome do candidato Celso Russomanno. Simplesmente o político que lidera a pesquisa DataFolha em quatro de cinco cenários possíveis. Leia aqui.

Não pretendo votar em nenhum dos candidatos. Mas gostaria que respeitassem a minha inteligência e a de todos os eleitores que querem se informar sobre a disputa eleitoral.

O caminho mais razoável para tomar uma decisão consciente é usar os meios de comunicação, que são concessões públicas, para saber, pelo menos, quem está na disputa. Não é pedir demais.

A turma da Band (Ricardo Boechat, Boris Casoy e companhia) quer interferir na cédula eletrônica que estará disponível no dia do pleito? Coisa feia. Bastava um pouco de decência que tudo daria certo.

O universo da pesquisa fajuta é de miseráveis 612 entrevistados. Qualquer estatístico alfabetizado consegue o resultado que quiser com uma mixaria dessas. Critério jornalístico não foi o que motivou a turma da emissora do Morumbi. Talvez a simpatia milenar pelos vizinhos tucanos, do Palácio do Bandeirantes.

Quem, afinal, pagou pela pesquisa? Quem fez a encomenda? Que interesses estão por trás desses números do Ibope?

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20 dezembro 2011

arvore natal g 20111205 O Natal do Apocalipse em Sampa

O último que sair de São Paulo, por gentileza, apague as lâmpadas dessas malditas árvores de Natal que entupiram as ruas da cidade.

A capital paulista sempre foi feia, mas se tornou um espetáculo de breguice piscante a céu aberto. Socorro.

Não há um metro quadrado sem badulaque chinês grudado em árvores. Agora entupiram prédios, praças a agências bancárias com o que há de pior na estética da muvuca.

Com apoio e incentivo da própria prefeitura, transformaram em evento turístico a visitação aos enfeites de rua instalados principalmente na Avenida Paulista e no Parque do Ibirapuera.

É um pesadelo de mau-gosto, uma passeata de gente desocupada escancarando o vazio de suas vidas. E transformando uma metrópole já problemática em um caos natalino.

Foi como se importassem o Círio de Nazaré e entulhassem os milhões de fiéis nas calçadas.

Peregrinos de deslocam de todos os lugares para ver presépios europeus, com suas alegorias kitschies e uma pirotecnia de luzes capaz de gerar ataques epiléticos nos mais deslumbrados.

O resultado dessa histeria coletiva é um congestionamento que se estende por todas as noites e madrugadas.

As principais vias do Centro Expandido ficam entupidas de segunda a domingo, ainda mais depois que o prefeito mandou fechar a Paulista a partir das 20h. Gênio.

Uma demagogia irresponsável, um circo sem pão, para deleite de uma romaria de carentes.

A CIA ou o Talebã devem estar por trás disso. Ou Papai Noel é um agente russo. Querem acabar com o Natal, torná-lo sinônimo de apocalipse. A barbárie.

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19 dezembro 2011

Fica cada vez mais explícita a campanha que a Folha de S. Paulo move contra a Rede Record. Campanha, não. Guerra seria a palavra mais adequada. E não é preciso vasculhar muito em livros de história para saber que em uma guerra a primeira vítima é a verdade.

Prova disso é o principal texto da coluna de Keila Jimenez na edição de hoje da Folha:

New Image Quando a torcida vira fraude

Em oito parágrafos, a jornalista destila, sem pudor, "informações" e números que comprovariam a tese (dela ou do jornal?) de que o SBT ultrapassou a Record em 2011.

Tudo bem. Não estivesse errada em quatro dos oito parágrafos, invertendo números e horários em uma ginástica hercúlea que tenta sustentar o título da coluna.

Pois bem, vamos ao que ela escreveu e ao que os números reais mostram:

1.    "O SBT marcou no mês passado (novembro) média nacional de 5,22 pontos, ante 5,16 da Record." Aqui, ela simplesmente inverte, sabe-se lá por que (eu e todos bem sabemos) o índice médio de audiência nacional. Ou seja, ela aponta que o número da Record (5,22%) é do SBT (que marcou 5,16%), e vice-versa. Seria um caminhão de bananas de dinamite no texto da colunista. Mas ela não se satisfaz. Nem eu.

2.    "De janeiro a novembro, a Record caiu 4% e o SBT cresceu 8%. Em 2010 o cenário era outro: a Record registrou em novembro, nas 24 horas/dia, média de 5,6 pontos e o SBT, 4,9 pontos." A comparação está completamente esquizofrênica. Aponta -4% para a Record, quando na realidade é -2% e +8% para o SBT quando o correto é +3%. Além disso, a Record registrou 6,3 pontos e não 5,6 como ela menciona e o SBT tem 4,8 e não 4,9.

3.    "Em São Paulo e Belo Horizonte, o SBT também cresceu e empatou tecnicamente com a Record em audiência." Erro em qualquer método de aferição - seja na medição das 7h à meia-noite, seja nas 24 horas, a Record é vice-líder com folga em São Paulo.

4.    "A Globo encerrou novembro com média nacional de 17,3 pontos." Como ela usou laranjas (aferição das 24 horas) no texto todo, suponho que não tenha tido má-fé (sou ingênuo assim mesmo) e usado bananas (das 7h à meia-noite) aqui. Logo, o número correto é 13,9.

Sei bem o quanto a Folha está acostumada a ver números em queda, afinal lida com isso diariamente quando analisa a própria circulação. Mas daí a deturpar resultados e fraudar números há um longo caminho. Coisa que não se faz.

Se os acionistas da empresa não sabem disso, os bons jornalistas deveriam saber.

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18 dezembro 2011

neymar messi ok Esse Barcelona é uma fraude

Um time que detém 76% de posse de bola e só faz 4 gols não é tão bom assim. Essa equipe do Barcelona é um blefe. Uma ilusão coletiva.

Os catalães ficam tocando a bola de ladinho, de pé em pé, sem errar passes, até chegar na área adversária. E só. Não fazem um chuveirinho, não batem um único escanteio na área. Não deram um único chutão em 90 minutos!

É um futebol covarde, não se lançam desembestados, não correm feito loucos atrás da bola, só vão na certeza. Isso pode ser tudo, menos futebol. Nem falta os caras fazem!

É um tédio assistir a esses esnobes jogando. Cadê a raça? As bolas divididas, os carrinhos animais, as jogadas viris? Heim? Parece que estão jogando bocha, isso sim.

Os gols saem quase por acaso. Sem desespero, sem violência, sem emoção. Não deixam o adversário jogar, são uns fominhas. Falta espírito esportivo, solidariedade, sei lá. É muito irritante.

O Barcelona decretou o fim do futebol. É a morte da emoção, do espetáculo, da caixinha de surpresas. E tem gente que gosta!

Ainda bem que temos o Neymar, suas firulas inúteis e sua humildade vira-lata. O cidadão ganha R$ 2 milhões por mês e declara que “aprendemos a jogar futebol”. Não é comovente? Uma lição para o mundo.

Que esse time espanhol fique lá na Europa decadente e seus campeonatos de dois times. Não por acaso o Velho Continente está em crise, caindo pelas tabelas.

Tanto que nenhum time europeu jamais ganhou uma Libertadores da América. Fanfarrões!

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15 dezembro 2011

Só falta aos legisladores brasileiros regulamentarem a Lei da Gravidade. Ou proibirem o efeito estufa. Todas as outras inutilidades já estão sendo feitas. A Lei da Palmada é só mais um tapa na cara que levamos daqueles que deveriam estar fazendo algo de útil para a sociedade. Bando de desocupados.

Em vez de promover a reforma tributária ou política, modernizar o Código Penal e Processual, ou simplesmente botar pra funcionar as leis que já temos e são ignoradas, esses fanfarrões ficam gastando tempo, papel e tinta com nulidades redundantes.

Que mania de se meter na vida dos outros. Todos sabemos que, se um pai agredir ou maltratar seus filhos, já existem instrumentos suficientes para colocá-lo em cana e até mesmo tirar-lhe a guarda. Ninguém, mas ninguém mesmo, defende que crianças sejam espancadas, torturadas ou oprimidas pela família.

Para que essa frescura, então? O projeto que vai para o Senado chega ao requinte de proibir “ameaças e humilhações”. Pelo que entendi, “ameaçar” tirar a TV por uma semana da criança malcriada passou a ser crime? Exigir, em público, que ela pare de gritar e espernear num shopping não seria humilhante demais?

Se um bêbado acender um cigarro num bar, quem paga é dono do boteco. Se um menor de idade compra bebida alcoólica com documento falso, quem se ferra é o dono da padaria. E agora, se uma mãe bate no filho, quem é multado é a professora, o médico ou assistente social que não denunciar o caso à polícia.

É o Estado invadindo a vida privada de todos, mas sem tomar nenhuma providência ou assumir responsabilidades. Patifaria.

Com certeza, essa lei vai ser aprovada e sancionada. Como todas as outras que não exigem investimentos em seguranças, saúde ou educação.

Daqui uns anos, para dar a impressão de que esse país funciona, algum gênio vagabundo vai propor a Lei do Puxão de Orelha. Para que fique bem claro como somos todos uns imbecis.

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14 dezembro 2011

390784 10150415199986638 142404191637 8783731 990265035 n1 Santos não precisa de Neymar

Assisti à partida entre Santos e Kashiwa Reysol na esperança de ver o time brasileiro golear os japoneses. O jogo foi sonolento, ou eu que não estava mais acostumado a acordar tão cedo. Bocejei.

Ao ganhar de 3 a 1 de um time tão acanhado, melhor se preparar para o pior. O Barcelona e seus samurais não vão dar a moleza que se viu nesta quarta-feira. A depender apenas de jogadas individuais, o massacre catalão é inevitável.

É fundamental surpreendê-los. Ou com um honroso W.O, ou mudando a forma de o time jogar.  Será preciso frieza na análise e espírito de vencedor para tomar a decisão mais sábia: deixar o Neymar no banco.

Sem o astro pop, o Santos passa a ter alguma chance de ganhar. Um time não pode depender de um único jogador. É sinal de fraqueza. Viva Edu Dracena!

Vai ser humilhante para o Messi ver que o time adversário descartou aquele que é considerado o melhor jogador em atividade no Brasil. O argentino vai se sentir desprestigiado. Será um duro golpe em sua vaidade. Desconcertante.

O glorioso time da Vila Belmiro não precisa de Neymar para se tornar campeão do mundo pela terceira vez. Pelo contrário, os espanhóis que precisam dele em campo, para poder tripudiar sobre nossa arrogância futebolística.

Sem Neymar, estarão desmotivados, confusos, agredidos. Vão ficar pensando no Campeonato Espanhol. Aí, sim, serão surpreendidos novamente. Dá-lhe, Alan Kardec!

Sem a estrela santista em campo, sobrará o futebol coletivo, solidário, além da humildade fundamental para enfrentar quem reconhecidamente é superior. Um golpe de mestre. Imaginem a consagração.

Ter Neymar no banco é um privilégio que não pode ser desperdiçado. Um orgulho que nem todos podem ter.

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13 dezembro 2011

Diante do silêncio absoluto da mídia canalha, se tornou obrigação cívica divulgar o livro A Privataria Tucana (Geração Editorial), do jornalista Amaury Ribeiro Jr. A reportagem é uma porrada.

É o velho esquema de sempre: Rede Globo, Veja, Folha de S.Paulo e adjacências se calam quando acusações, por mais graves que sejam, como é o caso, atingem seus aliados. Para os amigos, as manchetes; para os inimigos, os editoriais. Ou o contrário, tanto faz.

A blindagem às falcatruas cometidas pelo tucanato atravessa década. Há muito é caso de polícia. No mínimo, os donos dos grandes veículos de comunicação deveriam ser intimados a depor no Congressso Nacional, junto com os ladrões que protegem.  A omissão é criminosa, fere todos os princípios da liberdade de imprensa que esses safados tanto defendem quando lhes convêm.

Um fato precisa ficar claro, e ser repetido à exaustão: a venda de estatais durante o governo FHC foi o maior assalto aos cofres públicos da história deste país. O famigerado Mensalão é troco de pinga. Jamais duvidem disso.

Foram bilhões de dólares desviados, lavados, propinados e roubados do povo brasileiro. Não faltam denúncias, documentos, provas, testemunhas. O que falta é vergonha na cara das elites que insistem em varrer esse lixo para debaixo de seus tapetes sujos. São cúmplices.

Outro livro, histórico, também ignorado pelo silêncio ensurdecedor dos barões da imprensa, foi escrito pelo nosso maior jornalista econômico, Aloysio Biondi, em abril de 1999: “O Brasil Privatizado”. Segundo ele, a conta do prejuízo é assustadora: R$ 87,6 bilhões não entraram ou saíram dos cofres públicos durante o processo de privatização. Não ficamos com um único centavo.

O livro de Biondi vendeu 130 mil exemplares. Você não leu errado: foram 130 mil exemplares vendidos. Sem que uma única linha ou comentário saísse nos grandes veículos de comunicação. Fazem parte da quadrilha.

O povo não é bobo. Em apenas quatro dias, o fenômeno se repete e a obra de Amaury Ribeiro esgotou seus 15 mil exemplares e já parte para uma segunda edição. Um belo tapa na cara da tucanagem corrupta! Denúncia em CPI do PT é refresco. Vamos ver se agora a casa cai. Podre, já está faz tempo.

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12 dezembro 2011

curto Mulher agora usa uniforme de biscate

Estou ficando velho. Ou meu senso estético se aprimorou com o tempo. O que eu acho é que a moda para mulheres virou uma biscatice prêt-à-porter. A maioria das moçoilas cismou de usar uniforme de vadia.

Sei. Vou parecer um misógino falocrata, uma azêmola moralista, um beócio reacionário, um brucutu. Podem procurar no dicionário, estou dizendo coisas horríveis sobre mim mesmo. Admito que não foi fácil chegar a essa conclusão.

Sim, estou generalizando. Ok, me refiro àquelas produções das minas para baladas, festas e barzinhos. Nos ambientes corporativos e em alguns velórios a situação ainda não é tão crítica. Ainda. Há exceções.

Não aguento mais ver todas as moças bonitas ou feias ou medianas se vestindo como bailarinas do Faustão, marias-chuteiras, rainhas de bateria ou garotas de programa. Seja no show sertanejo, na churrascada de domingo ou no aniversário da prima. Tá dominado.

Estou falando sério. Podem me detonar. Eu adoro mulher, juro, apesar de usar piercing. E quebro o pescoço quando passa uma deusa na rua. Mas o fato é que a sensualidade feminina virou sinônimo de vulgaridade.

Prestem atenção, principalmente nas beldades mais jovens. Elas se vestem igual, parece uma clonagem, um surto coletivo, uma epidemia, uma lavagem cerebral. Ser sexy, libidinosa, visualmente disponível, agora é a regra.

A farda da mulherada tem um item inegociável: saias curtas, muito curtas, curtíssimas. Ou vestidos, shortinhos, sei lá. Pernas à mostra, com ou sem celulite. E bustos, e costas, e braços. Todas as curvas e retas precisam estar dentro do campo de visão dos transeuntes. Isso é vertigem.

Até no inverno esse padrão se impõe, graças às leggings e meias-calças de lã. “Biscate não sente frio” vai substituir “Ordem e Progresso” na bandeira nacional. Seremos a pátria das patricinhas? Ou o país das panicats?

Sim, porque o que muda é a qualidade e o preço dos poucos tecidos. Essa ascensão do corte das roupas não mais distingue classes sociais. Peruas e periguetes, tanto faz. E o governo não toma nenhuma providência!

Existe uma regra básica, meninas: mostrou uma parte do corpo, segura o resto. Não tem falha. Os marmanjos vão salivar discretamente, até por que babar é muito feio. Escancarou? O selvagem sexto sentido dos homens elimina os cinco anteriores. Nessa hora, ninguém presta.

É uma feira, uma exposição, uma gincana. Um Big Brother, uma Fazenda. Um açougue. Que a Sabrina Sato se vista do jeito dela, eu entendo, ela é paga para isso, merece cada centavo. Mulherão. Profissional.

Mas qual o cachê que as humanas mortais esperam receber ao final de um espetáculo exibicionista que se perde na multidão? Cadê plateia pra tanto show?

Foi para isso que as mulheres se rebelaram contra séculos de opressão? Rebeldia agora é ser discreta e elegante. Tem coisa mais bonita que a noiva nua e o seu véu?

Sexualidade é um diamante muito íntimo. Um corpo bonito merece ser procurado, escavado, explorado. Conquistado. Nenhum tesouro fica exposto a céu aberto.

Quer dar? Dê-se ao respeito. O primeiro beijo é na mão.

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9 dezembro 2011

Não existe ambiente mais propício ao nepotismo e ao tráfico de influências do que o mundo das celebridades. Aqueles que outrora chamávamos de artistas vivem hoje numa fogueira das vaidades onde suas almas ardem por trás das câmeras ou sob a luz dos refletores.

O vídeo kamikaze do ator Nil Gomes vem colocar lenha nova nesse inferninho. O ilustre desconhecido acusa o diretor da TV Globo Dennis Carvalho de submetê-lo por dois anos ao lendário teste do sofá. Haja fôlego!

Segundo o relato do rapagão, Carvalho lhe prometera um papel na novela Insensato Coração. Em troca de favores sexuais, que ninguém é bobo. Não foi escalado nem pra figurante do Zorra Total. Está certo o rapaz: lavou, tá novo, mas usou tem que pagar.

Sentindo-se enganado, o guapo entrou na Justiça contra o aproveitador rechonchudo e a poderosa Rede Globo. Sozinho. Virou pó, claro. Muita ingenuidade achar que poderia vencer uma banca de advogados pagos pela Velha Senhora.

Estivesse nos Estados Unidos, um país com cultura judiciária implacável com assédios moral e sexual, as chances de o aspirante a galãzinho se dar bem seriam enormes. Embolsaria uma bela grana e sairia com alma lavada (e nova).

Aqui nos trópicos, esse tipo de demanda não costuma receber acolhida dos nossos togados. O senso comum costuma enxergar apenas um dos aspectos desse tipo de relação, que é o fato de ser consentida. De fato, foi.

O cara sabia o que estava fazendo. Ele deixa isso bem claro no depoimento suicida que fez, mesmo sabendo que está proibido pela Justiça de se manifestar publicamente sobre o assunto.

Para um americano, Nil Gomes provavelmente seria uma vítima. Para os brazucas, ele não passa de um michê aproveitador.

Agora, imaginem se fosse uma mulher denunciando isso. Dá até dó de pensar. Seria tratada como vagabunda, safada e burra. E são muitas espalhadas por aí, em vestiários de futebol, camarins de sertanejos e sofás de diretores e autores globais.

E sempre com consentimento, quando não pegam senha e fazem fila para serem devidamente exploradas sexualmente. É a síndrome do sinhôzinho e da mucama, presente até mesmo em iates que o Neymar frequenta.

Mas nos esquecemos de um detalhe, por absoluta falta de autoestima tupinambá. No caso específico de Dennis Carvalho, ele sabe muito bem que só obteve seus momentos de luxúria por ser um homem poderoso.

É nesse poder que reside sua suposta culpa. Sem ele, ninguém se submeteria às suas toneladas de charme e volúpia. Ele se locupletou do cargo que ocupa, se prevaleceu dele para atingir seus interesses libidinosos. É uma forma de opressão, mesmo que nos faltem brios para enxergar dessa forma.

Tudo se resolveria, brasileiramente, se todas as seleções para atores e atrizes tivessem o teste do sofá como fase primeira e obrigatória. Todo mundo ficaria feliz. E teriam fim a hipocrisia e viralatice que cercam essa questão. Lavou, tá novo.

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7 dezembro 2011

Quer dizer que agora o valoroso povo brasileiro resolveu linchar motoristas envolvidos em acidentes de trânsito?

Desta vez, foi um moleque irresponsável de 14 anos, no bairro de Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Pilotando o carro do padrasto em alta velocidade, o pirralho matou um homem de 45 anos, na noite da terça-feira, 06. O cretino sobreviveu ao ataque da horda de justiceiros.

Nada indica que o jovem assassino seja inocente, como no caso do motorista de ônibus espancado até a morte, no final de novembro, também na capital paulista, na zona leste. Ao passar por um mal súbito, o pai de família perdeu o controle do veículo e se chocou com quatro automóveis e uma moto. Não houve vítimas. Só o infeliz trabalhador.

Tamanha barbaridade não serviu de lição, pelo visto. E temo que isso vá se tornar moda daqui pra diante. Fazer justiça com as próprias mãos é uma latente vocação nacional.

Não temos judiciário, a polícia é corrupta, vivemos no reino da impunidade. São esses os principais argumentos dos que defendem o retorno às leis das cavernas. Balela. O que essa gente quer é matar sem sofrer punição.

O linchamento só perde para a tortura na escala da degradação humana. São doenças sociais gravíssimas que se manifestam em pessoas covardes e sádicas. Desconfio que não tenham cura.

Quem se presta a esse ato hediondo é pior que aqueles a quem supostamente querem punir. Escondem-se em meio ao rebanho de animais que vivem suas existências psicóticas com gosto de sangue na boca. Desprezíveis.

Quando você, prezado internauta, souber de um caso de linchamento e nas catacumbas da sua alma pensar “bem feito”, acredite: você pode ser bem melhor do que isso. Ou então se interne.

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