31 janeiro 2012

campus party m 20110121 Vem aí mais um encontro de solitários no Campus Party

Esse tal de Campus Party é uma das maiores provas de que a internet está transformando a humanidade num amontoado de nerds. Qual o sentido de percorrer quilômetros para se encafofar numa barraquinha apertada com a cara enfiada na tela de um lap top?

Até um acampamento de escoteiros é mais animado que esse encontro de gente estranha. Não basta o quanto já ficamos conectados (de forma doentia e preocupante, diga-se de passagem), ainda tem 7 mil indivíduos (ou “usuários”?) dispostos a ficar uma semana entocados num pavilhão? Para quê?

Bom, pelo menos assim essa turma sai de casa, né? E talvez seja a única oportunidade do ano para o acasalamento. Por esse ângulo eu posso entender tamanho entusiasmo por um programa tão chato.

E, claro, tem os viciados em games. Tarados mesmo. Eu internava todos num laboratório, para fins científicos. Ou transplante de órgãos, talvez. Eles nem dariam falta, já que só usam os dedos.

O evento entrou para o calendário oficial da cidade de São Paulo. Depois os paulistas reclamam da fama de caretas. Duvido que o Rio receberia tanto forasteiro branquelo e raquítico ao mesmo tempo.

A prefeitura poderia ao menos promover excursões da garotada por algumas das cracolândias agora espalhadas pela cidade. Teria um fundo terapêutico olhar de frente para aquilo com que se parecem.

Não é implicância minha, não. Estou preocupado, de verdade. Se pudesse, dava banho e  comprava uma dentadura para cada um. Depois mandava brincar na rua e quem sabe arrumar uns amigos. É muita solidão. Dói.

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30 janeiro 2012

ritafamíliarestart A Rita Lee não tem mais idade para ovelha negra

Rita Lee quis se aposentar em grande estilo, mas pagou de tia caduca. Ao xingar os PMs durante seu show em Sergipe, ela imaginava ser consagrada como a última roqueira do pacotinho. O máximo que conseguiu foi a solidariedade inútil de twitteiros insones.

Teria dado mais certo se ele fosse fazer um show gratuito para os desalojados do Pinheirinho. Muito mais gente aplaudiria seus palavrões, e talvez suas ofensas à polícia até fizessem algum sentido.

O rock morreu, bebê. E com ele, a rebeldia. Faz tempo. A idade pesa. E a galera está mais a fim de começar a dançar na balada de sábado. Nossa, nossa.

Usar um palco e um microfone como embaixada ou território livre exige muita responsabilidade. E um discurso minimamente relevante. É um ato de coragem. O que a tia Rita fez foi covardia. Chilique.

Imagina se aquela plateia não fosse composta de garotos anestesiados por substâncias soníferas? Se levassem a sério o rompante da ex-roqueira e decidissem enfrentar a sétima cavalaria? Era isso que a dona Rita almejava? Ou foi só síndrome de pânico de quem não consegue mais enfrentar multidões?

Nunca saberemos. Mas era uma grande oportunidade para a cantora se retirar em grande estilo. Deixar saudades de suas cantigas que jamais foram subversivas e, quem sabe, se  despedir na boa. Ela não tem mais idade para ser a ovelha negra da família.

Que o bom senso prevaleça e o governo arquive as acusações de desacato e apologia ao crime. Rita Lee não é uma marginal. Se for, está inimputável. Sempre pertenceu à nata da música brasileira. Não tem herdeiros. Deixem o rock brasileiro descansar em paz.

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27 janeiro 2012

8 Cinelândia, Candelária, Brasil

 

Brasileiro gosta de tragédia. E a da Cinelândia está aí para mostrar essa nossa vocação mórbida e insaciável. Só falta botar a culpa no governo, para que se complete a receita infalível da falsa comoção nacional.

Não faltou nem a megalomania às avessas, outro aspecto marcante do caráter tupinambá. “Parecia o Word Trade Center” e “imagina se fosse durante o horário comercial, quanta gente não morreria” foram as exclamações mais ouvidas nas arquibancadas montadas em cada esquina, mesa de boteco e sala de jantar.

Estou convicto de que muita gente acha que o estrago foi pouco. Sério mesmo. Ninguém vai confessar uma tara dessas em público. Mas garanto que quase ouço um murmúrio de decepção.

É um roteiro conhecido e que se repete exaustivamente. Seja no desmoronamento de um morro, na enchente devastadora, na seca no Nordeste.

Nunca está bom? Pois logo a seguir, nos invadirá uma sensação de vazio, ou melhor, de esquecimento e frieza quando nos chegam à lembrança fugaz essas hecatombes que voltarão a nos visitar.

Poxa vida, resmungaria algum mais exaltado, bem que poderia haver um tsunami no Brasil. Daqueles bem japoneses, sabe? Mas, também, caramba, não há terremotos nessa terra abençoada por Deus e bonita por natureza.

Minha tese é a de estarmos tão acostumados às tantas tragédias do nosso cotidiano (elas se repetem e se perpetuam), que sempre ficamos à espera de algo ainda pior, doentio, atroz. Desde que aconteça com outros, evidentemente.

Daqui a uma semana, um mês, tudo se encaixa na revoltante normalidade. Afinal, nenhuma providência será tomada, nada será feito para acabar com esse ciclo vicioso e masoquista.

Ou seja, aprendemos a conviver com aquela morte lenta e dolorosa, mesquinha até, que nada tem de dramática. Embora devesse nos encher de indignação e nos colocar num luto perpétuo pelo que esse país deixa de ser a cada dia.

Que cada um dos mortos da Cinelândia jamais caia no esquecimento leviano. Que o futuro não reserve a eles, em nossa memória, a mesma vala comum que tiveram, por exemplo, os seis meninos de rua e os dois sem-tetos chacinados na Candelária.

Ou os cidadãos soterrados numa cratera de metrô. As famílias de Angra dos Reis, Jardim Pantanal, Nova Friburgo. Os milhares de vítimas anônimas da violência policial. As centenas que estavam na queda dos voos da TAM e da Gol. Os incontáveis que morrem sem atendimento na calçada de hospitais. São tantos. Nunca está bom?

Já são muitos os nossos mortos. Todos merecem o mais sincero respeito. Mas nossa maior homenagem seria, em seguida, praticarmos a mais vigilante indignação. Todo dia. Até que a morte de uma só pessoa inocente fosse o bastante para virar uma tragédia.

A morte de cada homem nos diminui. Assim falou o poeta. Esse é o murmúrio que eu gostaria de ouvir.

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24 janeiro 2012

Quem aqui nunca brincou de “o chefinho mandou?”. Manja aquele joguinho em que as crianças se reúnem na rua e ficam dizendo “o chefinho mandou correr para lá, o chefinho mandou correr para cá, o chefinho mandou fazer isso, o chefinho mandou fazer aquilo”? Pois é, a brincadeira virou coisa séria e acontece neste momento no numero 425 da Alameda Barão de Limeira, na capital paulista, a sede da Folha de S.Paulo.

O chefinho em questão é Otávio Frias Filho. Após assistir às verdades veiculadas pela Rede Record (assista aqui) a respeito das demissões que a Folha promoveu no final do ano passado devido a queda expressiva na circulação do jornal e credibilidade arranhada, ele decidiu colocar sua gravatinha borboleta de molho e sair para a briga. Quer dizer, ele não. Afinal, rei que é rei, tem peões para fazer o serviço sujo.

Transtornado, baixou ordem expressa ao seu seleto clubinho de comparsas: bater na Record, custe o que custar.  Dia sim e outro também. Vez ou outra, um elogiozinho é liberado para tentar “passar um pano”.

Só isso justifica uma notícia que ultrapassa a irresponsabilidade e flerta com o crime como a publicada ontem pelo grupo Folha, em seu braço de internet, o UOL:

Uol recordNews1 O clima pesou na Folha

(Clique na imagem para ampliar)

Como uma emissora pode encerrar suas atividades em janeiro se já tem acertada em sua grade a transmissão do maior evento esportivo do planeta, as Olimpíadas de Londres, no meio do ano? Acertada e comercializada.

Aí a gente começa a entender o motivo real. Sem condições de estancar o sangramento de seu faturamento, o chefinho Frias tenta atingir a Record no bolso, lançando uma notícia falsa com a clara intenção de chegar ao mercado publicitário.

O que o chefinho não vê é que o clima ficou tão pesado que comenta-se que é possível cortar o ar com uma faca nos corredores da empresa. Redatores, repórteres e até colunistas estão incomodados em ter que inventar fatos, distorcer a realidade e esquecer o que aprenderam para satisfazer o desejo do patrão.

O descontentamento é tamanho que não são poucos os profissionais que enviam recados velados ou até mesmo explícitos às demais redações (do Grupo Record, inclusive) pedindo uma oportunidade para deixar a Folha.

Encastelado em sua cadeira de todo-poderoso, com raios sobre a cabeça tal qual um vilão de desenho animado, Otávio só não percebeu o óbvio.

Desta vez o chefinho mandou. Mas mandou mal.

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23 janeiro 2012

Por que o governo, a Polícia Militar e a Justiça não têm o mesmo ímpeto, a mesma convicção, a mesma eficiência, na hora de retirar pessoas de áreas de risco ou de proteção ambiental?

A desocupação do Pinheirinho gerou revolta e indignação. O barulho maior foi nas redes sociais. Afinal, ninguém é de ferro e protestar na tela de um computador se tornou bem mais confortável que ir às ruas gritar por cidadania.

Confrontos com moradores recomeçam no Pinheirinho e polícia usa bala de borracha e bombas de efeito moral

Pinheirinho, em São José dos Campos, tem novos incêndios e locais saqueados durante madrugada

A horda virtual me pareceu um tanto mal informada, além de ávida em propagar pânico e opiniões precipitadas. Por outro lado, a resposta dos nossos governantes me lembrou o Boninho justificando estupro de vulnerável. Ninguém mais sabe dar uma explicação convincente quando faz bobagem?

O terreno de São José dos Campos pertence à massa falida do Naji Nahas. É propriedade privada, portanto. E sua reintegração servirá para amenizar o prejuízo que esse homem causou a tantos trabalhadores e empresas.

Poderia ter havido mais sensatez e paciência com a gente pobre do lugar? Com absoluta certeza.  Para que serve o Estado, se não souber ao menos mediar conflitos e interesses? Foi mal.

Mas eu fico mais indignado, repito, com a falta de iniciativa dos poderes públicos na hora de defender o que deveria ser prioridade, já que implica em vidas humanas e na preservação do meio ambiente já tão degradado.

A disposição que vemos quando está em disputa a propriedade privada deveria existir para reintegrar a posse do que é público, literalmente, por natureza.

Descer porrada em favelado é inadmissível. Só pedir favor também não resolve. Mas que imagino a PM e a Justiça com outras prioridades, isso sim me ferve os nervos de revolta.

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20 janeiro 2012

É notável o esforço do ministro Fernando Haddad em desmoralizar o Enem. A sucessão de equívocos e lambanças envolvendo o exame parece não ter fim. Mas antes fosse esse o único problema do MEC.

Prestes a deixar o Ministério da Educação, Haddad ainda está envolvido em polêmicas

Cancelamento do Enem custará de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões, diz Ministério da Educação

Ministro da Educação defende livro que trata de erros de português

Haddad usa eventos do Ministério da Educação para promover candidatura

Particularmente, fico perplexo com o discurso de que os sete anos à frente do ministério o gabaritam a ser o candidato do PT nas eleições municipais de São Paulo. Por quê? Desde quando um fracasso autoriza alguém a ser prefeito da maior cidade do país?

No mesmo período em que Haddad comandou o MEC, a China fez uma revolução gigantesca (como tudo por lá) na educação. Os chineses não perdem tempo fazendo discursos vazios, pedindo desculpas ou transferindo responsabilidades. A Coréia do Sul também soube usar muito bem uma década, a de 90, para renovar radicalmente seu sistema de ensino.

E o PT, qual o legado que deixa na área que sempre foi alardeada como sua prioridade? A rigor, nenhum. Manteve, pasmem, a mesmíssima política do ineficiente governo FHC.

E, verdade seja dita, foi na gestão Paulo Renato que o Brasil universalizou o acesso ao ensino fundamental. A ele também coube a criação de um sistema nacional de avaliação (que foi destruído de forma irresponsável logo que Lula assumiu, para ser remontado às pressas, como se fosse novidade).

O Enem, para quem não sabe, foi criado em 1998, e sofreu sério risco de ser descontinuado pelos petistas. Só não foi graças à engenharia que levou à criação, em 2004, do Prouni, um ano antes da chegada de Haddad à Brasília.

Mesmo o alardeado Programa Universidade para Todos não é essa maravilha toda. Serviu basicamente para manter outra base do ideário tucano, tão combatida pela tropa de elite do PT: a ampliação do ensino superior privado.

Excetuadas uma PUC aqui, outra acolá, as vagas financiadas com dinheiro público colocam os pobres nas piores faculdades e ajudam a manter cursos ruins que provavelmente seriam fechados por falta de candidatos. Perguntem se a FGV participa do Prouni: a resposta é não.

Voltando à minha perplexidade, o que constato é que o Brasil continua tendo um dos piores sistemas educacionais do planeta. Ainda somos um país miserável nesse setor, e nada indica que esse quadro trágico vá mudar. Não há projeto em andamento que permita sequer um gemido de otimismo.

Estamos despreparados para os enormes desafios que a nova economia mundial nos oferece de bandeja. Nos próximos anos, teremos que importar mão-de-obra qualificada. Continuaremos a ser uma nação de iletrados, em que crianças vão para a escola aprender analfabetismo funcional. E os poucos que atravessam o gargalo do ensino médio chegam a universidades sucateadas ou simplesmente ruins.

É esse cenário de terra arrasada que autoriza o ministro Fernando Haddad a fazer pose de galã? É com esse currículo que ele será bancado pela cúpula do PT, aí incluída a presidente Dilma?

Como se vê, eles sabem que somos um país de ignorantes. E contam com isso.

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17 janeiro 2012

Boninho g 20110209 Estupra, mas não mostra

Expulsaram o Daniel do BBB. Depois, é claro, de o diretor geral do programa, o Boninho Danoninho, bancar que a esfregação não passou de um romance. Mas que cara mais safado. Ele jurou que tudo foi um encontro juvenil edredônico. Mudou de ideia por quê?

O rapaz afoito, mais um entre as toneladas de condenados ao anonimato infame das subcelebridades, foi execrado como um tarado sociopata. Um estuprador! E nem direito de defesa ele teve, o que é comum na Rede Globo, tão afeita a exercer as funções do Judiciário.

Quanto mais eu envelheço, menos moralista eu fico. Minha vida pregressa não me autoriza essa perda de tempo. Pelo que vi nos vídeos que vazaram, e no depoimento da suposta vítima, aquilo não passou de uma malhação muito comum entre idiotas alcoolizados.

Estupro? Sevícia? Abuso sexual? Por favor, me economizem. Os tempos mudaram desde a Inquisição católica. O patético ato de onanismo do rapagão afoito está longe da mais remota noção de violência. Consensual não foi, mas por absoluta falta de sobriedade. Se a mocinha não estivesse grogue, garanto, rolava.

Ela mesma disse que estava com “tesão” e participou das imprescindíveis preliminares. Foi vítima de quê? Só se for do coma alcoólico. Desmaiou. Bastava um drink a menos e, tudo indica, emendava. Perdoem-me as feministas, mas existem mulheres bem amadas. Posso estar delirando, mas para mudar de ideia tenho necessidade de ser bem informado.

O que me excita, de verdade, é o comportamento do Danoninho. Passou de advogado de defesa a promotor com a rapidez de um traíra. Sujeito chinfrim, sem tutano, fofoqueiro ou idiota. Um covardão.

Ele fez tudo errado. Começou constrangendo a moçoila a dizer o que não lembrava. Pano quente nessa hora é uma fria. Veio a polícia bater na porta, para ouvir direito a história. Vergonha maior que essa só ao vivo, em auditório.

Mas não tiveram a decência de contar direito o que aconteceu, apesar de o país inteiro já saber do que se tratava. Pedro Bial apareceu no vídeo, cara de banana, e comunicou a expulsão do onanista sem maiores explicações. Tratou os telespectadores como antas.

Danoninho, o bonachão, quis redimir Paulo Maluf e criou um novo jargão sociopata: estupra, mas não mostra. O Brasil já sabe o que ocorreu, a internet não vai deixar isso barato, mas o arrogante diretor do BBB acha que pode passar um paninho nessa esbórnia.

Não se condena ninguém sem direito de defesa. A Globo não veiculou a versão do “condenado”. Nem a da “vítima”. Agiu como júri em programa de calouros. Nada saberíamos, não fosse o vazamento do áudio em que Monique conta que tirou o “shortinho” na hora de dormir com o cara que acabara de bolinar. Isso não merece maior apuração? Não sejamos hipócritas.

Sexo consensual é bom. Mas a sacanagem que a Globo fez com sua audiência, isso sim, foi um estupro. O país inteiro acordou violado.

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16 janeiro 2012

Monique e Daniel <i>BBB</i>: a realidade deu um show

Que barraco, hein? O BBB virou caso de polícia, exatamente por tentar camuflar a realidade. Reality show? Pegou mal.

Vai ser uma vergonha daquelas. Beco sem saída. A tal Monique, bêbada e inconsciente, foi ou não abusada pelo tal Daniel? Tanto faz. O fato é que a produção do programa retirou os vídeos do ar, numa tentativa desastrosa de impedir que o público tirasse suas próprias conclusões.

Pior. Tentou ludibriar a audiência passando a versão de que houve um romance entre os dois bebuns. Aquilo pode não ter sido estupro ou sevícia, mas namoro é que não foi. Desde quando uma pessoa desacordada troca carícias consensuais?

Papelão maior que uma das participantes ser submetida a exame de corpo de delito? Difícil imaginar. Eles vão televisionar o interrogatório? E a arrogância da Globo em querer “negociar” com a polícia como isso será feito? Enlouqueceram?

O que mais chama a atenção é a burrice do Boninho, diretor geral do BBB. Ele estava com uma baita história na mão, mas preferiu trocá-la por um embuste de quinta categoria. Fraquinho, o cara. Suspeita de abuso sexual não se resolve editando ou apagando imagens.

Acuado, o Danoninho acabou expulsando o garotão resfolegante, mas só depois de fazer a Monique dizer que foi tudo numa boa... Então o chefão coagiu a pobre e indefesa mocinha? Isso não seria crime também? São milhões de testemunhas.

Não há como essa falcatrua acabar bem. Perdeu, playboy. Realidade não é espetáculo para qualquer um. Olha só a vida ensinando como se faz uma boa ficção.

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16 janeiro 2012

A Lei Rouanet destruiu as artes neste país. Sem nenhum exagero. Não é frase de efeito. É história pura. Basta analisar o que aconteceu com nossos artistas de vinte anos para cá.

Aproveitando que esse instrumento criado para fomentar a cultura brasileira completa duas décadas, vamos dar uma rápida olhadinha para trás. A música popular, o teatro, o balé, as artes plásticas, o folclore, o circo, o escambau, tudo era mais dinâmico e criativo e exuberante.

Sem o apoio do Estado, tivemos a Bossa Nova, os festivais, o Tropicalismo, o brega, o Clube da Esquina, o Lira Paulistana, as bandas de rock, uma explosão de talento que nos colocava como um dos países mais musicais do mundo.

O teatro brasileiro, para quem não sabe, era referência internacional. TBC, Arena, Oficina, Ornitorrinco, Asdrúbal, Antunes Filho, até Gerald Thomas. Uma legião que lotava salas e vivia na mais absoluta dignidade.

Claro que era difícil. Sempre foi. Mas aí surgiu essa maldita lei, que chamou para os palcos o patrocínio privado por meio de isenções fiscais. Uma moleza. Parte dos impostos poderia ser destinada à produção cultural.

Em pouco tempo, o departamento de marketing das grandes empresas passou a ditar com muita clareza o que lhe interessava: sucesso, visibilidade, retorno de mídia. Ousadia? Experimento? Inquietação? Nunca mais.

E assim foi feito. Chegamos ao cúmulo de bancar a vinda do milionário Cirque de Soleil, R$ 9 milhões dos cofres públicos para que estrangeiros cobrassem de nós ingressos de até R$ 380. E cá estamos, praticando os preços mais abusivos do show business terráqueo.

Do lado mais frágil do balcão, nossos artistas fizeram uma conta perversa: posso estrear um espetáculo com tudo pago (cachês, produção, divulgação, aluguel do teatro, o que couber na planilha). Mesmo que não entre um único espectador, negócio fechado. Pronto. Morreu.

Ignoraram a plateia. Assassinaram o público. Eliminaram a bilheteria. Expulsaram os visionários, os loucos, os gênios, os artistas. E ninguém reclamou. Estão todos felizes nesse cemitério.

Bando de preguiçosos. Máfia de oportunistas. Olhem para os lados e vejam se sobrou algo decente. Pelo menos tenham a coragem de assumir que é terra arrasada. Não temos um único grande artista com menos de 50 anos.

Os gigolôs que passem no guichê da multinacional, do banco que fatura trilhões por ano, da empresa estatal, e recolham seus caraminguás, a esmola que escorre pelos latifúndios.

Só não fiquem deprimidos, que isso é coisa da antiga. Mesmo que tenham fome, não há mais quem os assista.

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13 janeiro 2012

Diante das tragédias que se repetem ano após ano por causa das chuvas, tenho uma sugestão: impeachment e cadeia para os prefeitos e governadores que comprovadamente se omitem e não tomam as providências necessárias e possíveis para impedir que novas mortes anunciadas ocorram.

É pedir demais que os milhões de reais liberados para obras contra enchentes não sejam desviados? Ou que a ajuda humanitária vinda de todo o país chegue às mãos dos que de fato precisam? Roupas, colchões e até alimentos mofam em depósitos ou são roubados por pessoas imorais. Ē hediondo.

Não há mais desculpas. Nada justifica o descaso criminoso das nossas autoridades. Todos sabem onde estão as áreas de risco, em que época vai chover e o que é necessário ser feito. Todos também sabem que famílias vão perder tudo, inclusive suas vidas.

Ninguém espera milagres. A natureza continuará sendo mais poderosa, ela é indomável. E muito cruel quando somos arrogantes. Mas há recursos, tecnologia e solidariedade para atenuar e, ao menos, prevenir maiores calamidades. Falta é vergonha na cara de pau de nossos governantes.

O infeliz que pode ajudar essa gente toda que sofre a cada nova temporada de chuvas, e não o faz, é um criminoso. É um assassino doloso. Não merece perdão, mas desprezo. E cadeia.

Novamente, estamos desolados diante de flagelos e escombros. Não podemos continuar a enterrar nossos mortos em silêncio, olhar para isso como se fosse apenas uma fatalidade. Não é. Há muito a ser feito, e esses assassinos de gabinete nunca começam. Ano após ano.

O Congresso criou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Pois que crie uma Lei de Responsabilidade Humana.  O homem público tem de ser responsabilizado pelas vidas que são soterradas sob sua incompetência ou corrupção. E precisam pagar por isso. Chega.

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