16 janeiro 2012

Monique e Daniel <i>BBB</i>: a realidade deu um show

Que barraco, hein? O BBB virou caso de polícia, exatamente por tentar camuflar a realidade. Reality show? Pegou mal.

Vai ser uma vergonha daquelas. Beco sem saída. A tal Monique, bêbada e inconsciente, foi ou não abusada pelo tal Daniel? Tanto faz. O fato é que a produção do programa retirou os vídeos do ar, numa tentativa desastrosa de impedir que o público tirasse suas próprias conclusões.

Pior. Tentou ludibriar a audiência passando a versão de que houve um romance entre os dois bebuns. Aquilo pode não ter sido estupro ou sevícia, mas namoro é que não foi. Desde quando uma pessoa desacordada troca carícias consensuais?

Papelão maior que uma das participantes ser submetida a exame de corpo de delito? Difícil imaginar. Eles vão televisionar o interrogatório? E a arrogância da Globo em querer “negociar” com a polícia como isso será feito? Enlouqueceram?

O que mais chama a atenção é a burrice do Boninho, diretor geral do BBB. Ele estava com uma baita história na mão, mas preferiu trocá-la por um embuste de quinta categoria. Fraquinho, o cara. Suspeita de abuso sexual não se resolve editando ou apagando imagens.

Acuado, o Danoninho acabou expulsando o garotão resfolegante, mas só depois de fazer a Monique dizer que foi tudo numa boa... Então o chefão coagiu a pobre e indefesa mocinha? Isso não seria crime também? São milhões de testemunhas.

Não há como essa falcatrua acabar bem. Perdeu, playboy. Realidade não é espetáculo para qualquer um. Olha só a vida ensinando como se faz uma boa ficção.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

16 janeiro 2012

A Lei Rouanet destruiu as artes neste país. Sem nenhum exagero. Não é frase de efeito. É história pura. Basta analisar o que aconteceu com nossos artistas de vinte anos para cá.

Aproveitando que esse instrumento criado para fomentar a cultura brasileira completa duas décadas, vamos dar uma rápida olhadinha para trás. A música popular, o teatro, o balé, as artes plásticas, o folclore, o circo, o escambau, tudo era mais dinâmico e criativo e exuberante.

Sem o apoio do Estado, tivemos a Bossa Nova, os festivais, o Tropicalismo, o brega, o Clube da Esquina, o Lira Paulistana, as bandas de rock, uma explosão de talento que nos colocava como um dos países mais musicais do mundo.

O teatro brasileiro, para quem não sabe, era referência internacional. TBC, Arena, Oficina, Ornitorrinco, Asdrúbal, Antunes Filho, até Gerald Thomas. Uma legião que lotava salas e vivia na mais absoluta dignidade.

Claro que era difícil. Sempre foi. Mas aí surgiu essa maldita lei, que chamou para os palcos o patrocínio privado por meio de isenções fiscais. Uma moleza. Parte dos impostos poderia ser destinada à produção cultural.

Em pouco tempo, o departamento de marketing das grandes empresas passou a ditar com muita clareza o que lhe interessava: sucesso, visibilidade, retorno de mídia. Ousadia? Experimento? Inquietação? Nunca mais.

E assim foi feito. Chegamos ao cúmulo de bancar a vinda do milionário Cirque de Soleil, R$ 9 milhões dos cofres públicos para que estrangeiros cobrassem de nós ingressos de até R$ 380. E cá estamos, praticando os preços mais abusivos do show business terráqueo.

Do lado mais frágil do balcão, nossos artistas fizeram uma conta perversa: posso estrear um espetáculo com tudo pago (cachês, produção, divulgação, aluguel do teatro, o que couber na planilha). Mesmo que não entre um único espectador, negócio fechado. Pronto. Morreu.

Ignoraram a plateia. Assassinaram o público. Eliminaram a bilheteria. Expulsaram os visionários, os loucos, os gênios, os artistas. E ninguém reclamou. Estão todos felizes nesse cemitério.

Bando de preguiçosos. Máfia de oportunistas. Olhem para os lados e vejam se sobrou algo decente. Pelo menos tenham a coragem de assumir que é terra arrasada. Não temos um único grande artista com menos de 50 anos.

Os gigolôs que passem no guichê da multinacional, do banco que fatura trilhões por ano, da empresa estatal, e recolham seus caraminguás, a esmola que escorre pelos latifúndios.

Só não fiquem deprimidos, que isso é coisa da antiga. Mesmo que tenham fome, não há mais quem os assista.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitthis
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A