11 janeiro 2012

capa caras com wanessa Celebridade gananciosa sai mal na foto

Foto: Reprodução Caras

Vou fazer um elogio ingênuo e me irritar depois. Exemplar a atitude do casal Wanessa Camargo e Marcus Buaiz de doar para o Unicef o cachê que receberam por posarem na capa da revista Caras com o filho recém-nascido. Leia aqui.

Essa indústria das celebridades é um ninho de serpentes, cobras e lagartos. Fato consumado, não estou aqui para lamentar o ponto a que a humanidade chegou. Somos fúteis, estúpidos e infelizes nesse mundo cruel em que enterramos nossas vidas medíocres.

Todos gostamos e precisamos de dinheiro. Nada de mal jogar o jogo quando se está em campo. Nem todos são convidados para essa partida que o mercado publicitário financia.

Vender o corpo é um trabalho antigo. De uns tempos pra cá o troço se sofisticou e alguns privilegiados são chamados para vender suas imagens. Bem mais higiênico, e nem precisa lavar que está limpo.

Mas a ganância desse pessoal, o desespero com que mergulha no esgoto da mídia essa turma das fotinhos, festas vips e boatos é muito deprimente. Folhear uma revista de fofocas é passar os olhos pela degradação humana voluntária. Não há mais vida privada. Obscena agora é a nudez da alma.

Alguns se vendem por um prato de comida. Canapés frios e espumante vagabundo, na maioria das vezes. Mas muitos já estão saciados o suficiente para repartir um naco desse pão que amanhece todo dia em suas portas.

Pelo menos, que alguém tenha a mínima grandeza de emprestar, ou doar, alguma dignidade a esse espetáculo de horror e indecência que se tornou a vida dos privilegiados. Fica bonito na foto.

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9 janeiro 2012

mulheres ricas Mulheres ricas, meu nome agora é Zé Pequeno!

Quem está aterrorizado com a chegada de mais um BBB, saiba que o circo de horrores da TV brasileira atingiu literalmente o auge da exposição da miséria humana: Mulheres Ricas, da Band.

É para estômagos fortes. Eu sobrevivi a 30 minutos de exposição, antes de começar a sentir engulho, a ânsia que precede o vômito.

O enjoo é imediato, basta ouvir o modo afetado e desumano como falam as milionárias que têm suas vidas expostas no reality show mais fake do Sistema Solar.

Narcisa Tamborindeguy, Brunete Fraccaroli, Débora Rodrigues, Val Marchiori e Lydia Sayeg possuem algo em comum, muita bufunfa, assim como sofrem da mesma carência: senso de ridículo. Deus dá, Deus tira.

As cinco madames tupinambás aceitaram participar de uma farsa que envolve mais dinheiro que novecentos mensalões. É impossível acreditar que os diálogos mostrados no programa sejam naturais. Não. Foram todos criados (e depois ensaiados) por algum teledramaturgo sadomasoquista e analfabeto. Ou elas são burras mesmo.

Por que alguém aceita mostrar em canal aberto, sem nenhum constrangimento, o que há de pior nos primatas? As aparições dessas senhoras parecem uma gincana de futilidade em que vence quem se mostrar mais desprezível. Periguetes, relaxem: grana não faz a menor diferença na hora de ser vulgar.

Hello! Ai, que tédio! Aique Batista. Todo mundo tem que almejar ser rico. São os bilionários que movem a economia mundial, e não quem trabalha feito um pobre. A felicidade está logo ali, basta ter nascido rico ou ter se casado com um. Ou berço ou cama.

Que todas sejam alienadas, ok. Perderam a noção de realidade por dever de ofício. A produção já contava com essa característica das participantes. Mas ninguém da Band vai chamar o doutor Drauzio ou internar para tratamento aquela única bonitona viciada em champanhe? Ela é alcoólatra, tadinha! Fase terminal.

Uma utilidade pedagógica para essa atração é ilustrar os jovens sobre o porquê de Maria Antonieta ter sido decapitada. Agora também entendo o que motivou a Revolução Francesa e as barbáries contra a realeza na União Soviética. Mereciam.

Se alguém quer se arriscar a assistir a Mulheres Ricas, o aviso está dado. Eu precisei depois rever três vezes Cidade de Deus para me acalmar. Meu nome agora é Zé Pequeno!

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4 janeiro 2012

michel telo Ai, se eu pego uma música boa pra ouvir

Meu gosto musical é uma larga rodovia onde transitam de Mozart a Zeca Pagodinho, com algumas ultrapassagens do brega mais autêntico. Mas sempre causa engavetamento nos meus ouvidos a axé music, o funk escatológico e esse manifestação pandêmica internacional chamada sertanejo universitário.

Não é preconceito. Deve ser apenas uma singela alergia sonora a ritmos que remetem a primitivas danças de acasalamento e coreografias minimalistas de fornicacão. Provavelmente, tenho algum pudor pessoal em praticar sexo selvagem em público.

A essa dificuldade em dançar na boquinha da garrafa e ouvir letras com duplo sentido vulgar, agora se soma o enjoo que me causam rimas paupérrimas que tratam o amor como um sentimento disléxico reservado a pessoas com analfabetismo funcional.

É necessário alto ímpeto de humildade intelectual para aceitar que há gosto para tudo. Porque, de fato, cada um tem o direito de entupir ou aniquilar seu cérebro com a substância venenosa que lhe aprouver.

Em um esforço antropológico, andei conversando com jovens supostamente sóbrios e que mesmo assim consomem essas drogas musicais. Não estou aqui para julgar ninguém. Sou fumante e solidário a qualquer vítima de dependência química.

O que percebi nessa investigação patológica é que muitos desses consumidores de crack, funk carioca, Luan Santana e Michel Teló não procuram clínicas de desintoxicação por absoluta ausência delas. E o governo não faz nada.

A única opção seria ouvir música de velho. Não surge um compositor que preste há pelo menos 50 anos. A MPB (e o rock, bebê) morreu, tosse ou anda em cadeira de rodas. Rigorosamente, essa pobreza toda é o que temos para hoje.

Deixa a turma se pegar, então. Assim eles se matam, é um risco. Mas se até a Europa está em crise, não há muito o que fazer. Lá, o Teló toca mais que Adele e Coldplay. Ai, ai.

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