11 janeiro 2012
Vou fazer um elogio ingênuo e me irritar depois. Exemplar a atitude do casal Wanessa Camargo e Marcus Buaiz de doar para o Unicef o cachê que receberam por posarem na capa da revista Caras com o filho recém-nascido. Leia aqui.
Essa indústria das celebridades é um ninho de serpentes, cobras e lagartos. Fato consumado, não estou aqui para lamentar o ponto a que a humanidade chegou. Somos fúteis, estúpidos e infelizes nesse mundo cruel em que enterramos nossas vidas medíocres.
Todos gostamos e precisamos de dinheiro. Nada de mal jogar o jogo quando se está em campo. Nem todos são convidados para essa partida que o mercado publicitário financia.
Vender o corpo é um trabalho antigo. De uns tempos pra cá o troço se sofisticou e alguns privilegiados são chamados para vender suas imagens. Bem mais higiênico, e nem precisa lavar que está limpo.
Mas a ganância desse pessoal, o desespero com que mergulha no esgoto da mídia essa turma das fotinhos, festas vips e boatos é muito deprimente. Folhear uma revista de fofocas é passar os olhos pela degradação humana voluntária. Não há mais vida privada. Obscena agora é a nudez da alma.
Alguns se vendem por um prato de comida. Canapés frios e espumante vagabundo, na maioria das vezes. Mas muitos já estão saciados o suficiente para repartir um naco desse pão que amanhece todo dia em suas portas.
Pelo menos, que alguém tenha a mínima grandeza de emprestar, ou doar, alguma dignidade a esse espetáculo de horror e indecência que se tornou a vida dos privilegiados. Fica bonito na foto.
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