13 fevereiro 2012

O patriotismo é o último refúgio dos canalhas. Essa frase, famosa, é do escritor inglês Samuel Johnson. E se aplica bem às leis estaduais e municipais que obrigam a execução do hino nacional em quaisquer eventos esportivos, principalmente jogos de futebol.

Antes que algum gênio venha obrigar que também seja hasteado nosso lindo pendão da esperança e se toque o hino da Independência antes de shows de rock ou desfiles de escola de samba, prestem atenção: esse tipo de iniciativa tem o efeito contrário ao desejado pelos patriotas.

Se a ideia de quem criou essa canalhice era despertar espírito cívico entre nossos cidadãos, muito obrigado, valeu, mas o brasileiro não precisa desse tipo de estímulo: somos um povo suficientemente orgulhoso do país em que vivemos, não precisamos de alguém nos empurrando atos inúteis de amor à pátria.

A banalização, a repetição exaustiva do hino, só gera cenas constrangedoras, como a de estádios lotados com uma multidão ignorando o que deveria ser um ato solene. Mas o que há de pomposo para a nação numa pelada entre Guarani e Ituano?

Em alguns vilarejos, também são executados (palavra adequadíssima) os cânticos do município e do estado. É muita avacalhação. Estão ensinando para nossas crianças como é chato ser um cidadão.

Estaria de ótimo tamanho entoar a labiríntica e inescrutável letra de Joaquim Osório Duque Estrada em eventos internacionais ou de grandeza compatível como nosso amor pelo Brasil.

A música é belíssima, mas nunca devemos perder a oportunidade de exigir um plebiscito para mudar aquele amontoado de versos barrocos. Que tal pedir pro Chico Buarque compor uma letra nova? Não sendo do Caetano Veloso ou do Michel Teló, pior não fica.

Sugiro manter as passagens bonitas, que todos entendem: “Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!”; “Dos filhos deste solo és mãe gentil”, em homenagem às mulheres; e o “Verás que um filho teu não foge à luta,” que é coisa de macho.

A partir dessa mudança urgente, inclusive, deveria ser obrigatório que todo jogador de futebol soubesse a música inteira. Porque é uma vergonha o descaso, os chicletes, eventuais cusparadas e o olhar perdido de nossos atletas enquanto ouvem a música que deveria ser cantada com orgulho verdadeiro. E não é todo dia que temos motivos para isso.

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