17 fevereiro 2012
A irritação do jogador argentino Hernán Barcos, recém-contratado pelo Palmeiras, com um repórter da Rede Globo que o comparou fisicamente ao cantor e compositor Zé Ramalho veio em boa hora. Chega de palhaçada. Leia aqui.
O jornalismo esportivo já é suficientemente ridículo para que seja turbinado com avacalhações, pegadinhas e piadas infames. Entrevista coletiva pós-jogo é o circo mais previsível do mundo. As matérias extra-campo são um amontoado de boatarias plantadas por empresários.
Basta lembrar as dezenas de vezes que Neymar & Cia foram vendidos ou repatriados ou "envolvidos em negociações". Ninguém saiu, ninguém entrou. Tédio. A chegada do "craque" chinês ao Corinthians se arrasta há meses, pautado pelo departamento de marketing do time. Chegou: fiasco total. Leia aqui.
Como não há assunto suficiente para dar conta das dezenas de programas de rádio e TV que parasitam o mundo do futebol, alguns candidatos a gênio do jornalismo inventaram as brincadeiras, o tom debochado e irritante das mesas de boteco. Ficou insuportável o festival de abobrinhas, pagação de mico, falsas provocações e falta de notícia das mesas redondas, quadradas e octogonais espalhadas por aí.
Tiago Leifert é o garoto prodígio que consolidou esse novo gênero de cobertura esportiva: informal, brincalhona, despojada e, de forma eventual, inteligente. O rapaz é carismático, articulado, boa gente. Demora para que se perceba sua vaidade incorrigível e sua ambição demasiadamente humana pelo sucesso. Num primeiro momento, surfei na onda de aplausos que até hoje o rapaz recebe.
Seu grande mérito é o de deixar claro que jornalismo esportivo não é para ser levado a sério. Não é pouco. Parabéns. A grande armadilha em que o bom moço caiu é não ter mais voz da consciência para ouvir. A dele tem carteira assinada e, todos sabemos, está lá para receber ordens. Vai ser ladeira abaixo. Com um pote de ouro no fim do precipício.
Não estou pedindo nada. Não sou ingênuo. O jornalismo esportivo sempre será esse lixo de futilidades e mentiras. Só estou desabafando. O Zé Ramalho já foi um bom compositor. Mas é feio que nem a dor da morte. Isso não é motivo para brincadeira. Ô, vida de gado.
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