12 novembro 2012
Após 20 anos no comando da segurança pública do Estado de São Paulo, é possível afirmar, sem correr nenhum risco de injustiça ou exagero: o PSDB é um fracasso. E deve desculpas à população paulista. Este não é um discurso retórico, um ataque gratuito ou demagógico aos tucanos. O governador Geraldo Alckmin reconhecer sua responsabilidade e a de seu partido não é uma opção, é uma necessidade imperiosa.
Nem se trata de humildade, inútil a essa altura da guerra civil que se espraiou, notadamente na região metropolitana. A conhecida arrogância que marcou o discurso oficial esses anos todos está desmontada pelos fatos trágicos, pelos números assombrosos, pela violência selvagem que tomou conta do cotidiano dos cidadãos do Estado mais rico do País.
Pedir desculpas pelo descalabro é apenas o primeiro passo, fundamental, para que o governo possa ter credibilidade e a mínima condição de tomar a medida inadiável: reconhecer que vivemos uma crise, que a criminalidade não está sob controle, que é preciso agir a partir dessa realidade. Sem camuflagens. Sem subterfúgios. Sem mentiras. Sem medo.
Não existe a possibilidade de dizer que esse terror nasceu de um dia para o outro. Que ele não vem se arrastando há anos, nos subterrâneos dos gabinetes, nos corredores do sistema penitenciário, nas ruas abandonadas da periferia. Seria um deboche, um escárnio, uma indecência. Outros estados vivem problemas semelhantes, talvez mais agudos, com certeza específicos.
Mas só se viu alguma reação civilizada onde o poder público, sempre pressionado, assumiu que havia inimigos articulados que precisavam ser combatidos sem bravatas. O que não funciona e se mostrou literalmente um engodo foi a insistência de o governador Alckmin (e seus antecessores) negar a existência de bandos organizados, desqualificar os que alertavam sobre a crescente onda de homicídios, insistir na tese canalha de que estava tudo sob controle.
Nao está. E isto tem custado a vida de inocentes. E a de policiais. Nao é, portanto, uma questão retórica. Nao dá para para subir no muro dos presídios superlotados e ficar olhando a cidade pegando fogo. Isso é criminoso. Por mim, não tem perdão.
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