22 fevereiro 2013
Gil Rugai foi considerado culpado. É uma decisão absurda. Mas, caso ele fosse proclamado inocente, teria sido igualmente chocante. Esse julgamento é um exemplo acabado de como é precária a Justiça neste País, principalmente nos casos que envolvem o tribunal do júri. Mofar numa prisão ou circular livremente pelas ruas não tem nada a ver com culpa ou inocência.
Como sempre acontece em casos como esse, Rugai foi tratado pela mídia como um assassino. Pré-julgamentos estão na alma do nosso jornalismo, principalmente o televisivo. Inocentes não dão Ibope. Por mais que se acumulem erros e lições, assim é, assim será. Lamentável.
Durante a extensa cobertura desta semana, não faltaram toneladas de informações vindas diretamente do tribunal. Cada vez mais as tragédias de nosso cotidiano se prestam a um reality show contínuo e sinistro. Chega a ser indecente.
Ficou evidente, até para os leigos, que a promotoria foi inábil na coleta e exposição das provas. Erros grosseiros vieram a público. Um vexame.
Uma coisa que está se tornando perigosa entre nós é o desprezo pela presunção da inocência. Estamos cansados de impunidade, é um fato. Como efeito colateral, a opinião pública entra em combustão quando aparece a chance de enviar alguém para a cadeia. Se o acusado for de classe média para cima, então, a torcida pela condenação se torna um surto coletivo.
Subjetivamente, eu também acho que Rugai tem um perfil de assassino. Houvesse uma investigação séria, competente, desde o início, é bem provável que estaríamos diante de um caso inequívoco. Mas paro por aqui.
Se eu estivesse no banco dos jurados e houvesse uma única dúvida razoável que me impedisse de ter a completa certeza da culpa desse jovem, honestamente, eu controlaria meus instintos assassinos (usei essa palavra de propósito) e não aceitaria a hipótese de contribuir pelo extermínio de uma vida.
Creio que esses tempos sombrios vão se estender por anos, décadas. Muita injustiça já foi cometida, muitos culpados ainda estão incólumes, muito bacana escapou pelo aeroporto internacional. Também muita gente morreu, e seus assassinos continuam soltos. Impunidade gera sede de vingança. Vingança não é justiça.
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