Cesariana é coisa de plebeu

 Cesariana é coisa de plebeu

Não fosse o nascimento do príncipe britânico, a única notícia da semana seria a onipresente visita do papa, pelo menos para a imprensa brasileira, que de laica não tem nada. A não ser que seja laika, aquela cachorra. Um repórter da Band, por exemplo, além de beijar a mão, se ajoelhou diante do sumo pontífice. Pra que diploma, né? Avante.

Obrigado, família real.  A chegada do terceiro na linha sucessória daquela monarquia estranha pode ter alguma utilidade, pela divulgação indireta dos benefícios do parto normal, procedimento cada dia menos comum aqui por nossas bandas plebeias.

Ficamos sabendo que a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, deu à luz após 11 horas de trabalho de parto. A informação é relevante porque dá a principal pista sobre o motivo de a cesariana, uma cirurgia agressiva e invasiva, corresponder a 36,8% do total de nascimentos feitos no SUS.

A recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) é 15%. Quando são levados em consideração os partos feitos com uso de planos de saúde particulares, a porcentagem chega a assustadores 80%, conforme nos alerta reportagem do R7.

Os benefícios do parto normal são praticamente consensuais entre especialistas. Por extensão, uma parcela expressiva da população tem adotado, por desinformação e conveniências de um sistema corrompido, a opção "anormal" — que deveria ficar restrita aos partos de risco, e não ser adotada em escala industrial.

Mesmo que algumas mães prefiram o bisturi, por medo ou insegurança, o nosso impressionante índice de cesariana se dá por absoluta pressão de médicos, clínicas e hospitais públicos. Com o que recebem do governo e dos planos de saúde, que profissional vai se dispor a ficar uma dezena de horas à disposição de uma única paciente? Deveriam, mas aí já seria esperar demais dessa categoria tão sofrida e ética.

Por essa configuração nefasta, também se entende o porquê de o governo não promover campanhas de esclarecimento e incentivo ao procedimento que nos é recomendando também pela natureza — e que vem dando certo há milênios. Até na hora de nascer temos que enfrentar o sistema.

 

 

 

65 Comentários

"Cesariana é coisa de plebeu"

23 de July de 2013 às 16:47 - Postado por jhohagen

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Comentários
  • Adauto
    - 01/08/2013 - 18:25

    Estou rindo até agora do seu texto ..principalmente a laica...

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  • Viviane
    - 29/07/2013 - 15:14

    Um dos problemas no Brasil é a falta de enfermeiras obstétricas e doulas. No Reino Unido e em outros países europeus, quem faz o parto são as enfermeiras, o médico só é chamado caso haja alguma problema. Se adotássemos esse protocolo no Brasil, poderíamos ter um número menor de cesáreas desnecessárias. Na Holanda, inclusive, muitas têm seus filhos em casa. Mas aí tem também o problema cultural aqui, e da disponibilidade de leitos... enfim.

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